NO DEVIDO TEMPO


Por Gabriela Gervason

13/01/2015 às 08h12

Os defensores de eleições unificadas argumentam que o país passa por paralisações sistemáticas em função das campanhas, ora para a presidência e governos estaduais, ora para as prefeituras. De dois em dois anos, esse processo mobiliza as lideranças e define o seu modo de agir. No fundo, porém, a questão é bem mais ampla. Faltando ainda quase dois anos para o próximo pleito municipal, já se fala na disputa de 2016. A presidente Dilma Rousseff mal esquentou o banco no seu segundo mandato, e já há candidatos para 2018.

Por isso, não há surpresa quando os atores de 2016 já ensaiam os seus primeiros passos e começam a marcar posições. O curto-circuito entre o prefeito Bruno Siqueira e o deputado Júlio Delgado pode ter sido o primeiro, mas nem isso é garantia de que estarão em trincheiras opostas no ano que vem. Como bem lembrava Magalhães Pinto, a política é como uma nuvem, a cada momento está num lugar. Adversária do prefeito no último pleito, a deputada petista Margarida Salomão não queimou navios. Ao contrário, tem sido uma importante interlocutora do Executivo nos bastidores de Brasília. A causa é a cidade, argumenta.

Talvez seja essa a melhor postura. Se anteciparem as eleições de 2016, os políticos incorrerão no erro de deixar a cidade em segundo plano, agindo apenas de acordo com suas conveniências. E não é isso que se espera deles num momento em que a região elegeu uma das suas mais expressivas representações, tanto na Câmara Federal quanto na Assembleia Legislativa. Cada coisa no seu devido tempo.