BR-440 terá obra retomada e previsão de ciclovia

Mesmo sem planejamento para prática de esportes, via é atrativo para ciclistas e corredores, apesar dos riscos

Hygia Chevitarese utiliza via com frequência para melhorar condicionamento físico para concurso
Devem recomeçar entre março e abril as obras da rodovia BR-440, na Cidade Alta. A novidade, confirmada esta semana pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) é que o espaço contará com uma ciclovia, conforme havia sido solicitado pelo Executivo Municipal em setembro do ano passado. Segundo o departamento, os projetos executivos estão em fase de conclusão para que seja iniciada a intervenção física, a ser feita pela Empa S/A, vencedora de licitação em uma modalidade conhecida como Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC). De acordo com edital publicado no ano passado, a empresa tem 800 dias para entregar a obra pronta, sendo que o prazo começou a contar em 16 de setembro, data em que foi divulgado no Diário Oficial da União o extrato de contrato entre o Dnit e a Empa. Isso significa que as obras na rodovia BR-440 deverão ser finalizadas até o final de 2016, intervalo ao qual estão previstas as construções de quatro passarelas, dois viadutos, além da ligação da via com a BR-040 e a conclusão do pavimento até o campo do Nova União, próximo ao trevo de acesso ao Bairro Jardim Casablanca.
Mesmo sem a via estar pronta, o tráfego já é intenso, assim como o uso do espaço para práticas esportivas e de lazer, concentrando ciclistas, skatistas, corredores e crianças durante todo o dia, principalmente nos fins de semana. O problema está na falta de segurança à qual estas pessoas estão submetidas, já que eles precisam dividir o espaço com motoristas de carros, caminhões e motociclistas, como a Tribuna flagrou esta semana.
A corretora de imóveis Lilian Fracetti Matta, 51 anos, moradora do Viña Del Mar, utiliza a área com frequência para exercícios físicos. Segundo ela, o risco é constante, não somente na rodovia BR-440, como nos acessos no entorno da represa. “Outro dia um motociclista se machucou porque precisou desviar de um grupo de corredores em uma curva e caiu. Esta região carece de uma área de lazer, porque a UFJF está saturada. Por isso sou a favor da ciclovia e qualquer outro equipamento para a prática de esporte. No entanto, sou contra a ligação da BR-440 com a BR-040. Mesmo dizendo que não vão permitir tráfego de caminhões, como isso será controlado?”
A estudante Hygia Chevitarese, 29, se prepara para os exames físicos do concurso da Polícia Civil também na BR-440. No entanto, ela utiliza o espaço onde o fluxo de automóveis é impedido, entre o acesso do Viña del Mar e a represa. “Mas na parte aberta tem muito movimento de carros e de pessoas correndo, além dos ciclistas. E há públicos diversos, inclusive de pessoas mais velhas. Então, a segurança realmente fica comprometida, principalmente no início da noite e fins de semana”, disse. Em sua opinião, embora a rodovia não esteja sendo preparada para este fim, é utilizada porque outras áreas, como a UFJF e o parque do Museu Mariano Procópio, estão cheias. “Faltam espaços com estas características na cidade. Aqui é bom para correr e se exercitar porque é plano. Acredito que a ciclovia dará mais conforto e segurança aos frequentadores.”
Ciclovia
Segundo o prefeito Bruno Siqueira (PMDB), a inclusão de uma ciclovia no projeto construtivo foi um pedido dele ao Dnit. “Já garantiram o equipamento no trecho entre a BR-040 até o trecho próximo ao German (Rua Roberto Stiegert). Mas também existe a intenção de expandi-la até o campo do Nova União. Sabemos que o espaço é procurado para o uso recreativo e, por isso, vejo como importante a colocação da ciclovia.” Ainda de acordo com o chefe do Executivo, existe a intenção da Prefeitura em municipalizar a via, mas as conversas e negociações só irão ocorrer após a conclusão desta fase da obra. “Fato é que o trecho precisa ser concluído, porque está perigoso. Depois vamos trabalhar para buscar outras melhorias e transformá-la em uma via integradora entre bairros, e não em uma estrada que irá prejudicar a população da Cidade Alta.” Bruno salientou que, apesar da ligação com a BR-040, o tráfego de caminhões será impedido.”
Defesa de área para esportes ecológicos
Para a advogada socioambiental Ilva Lasmar, apenas a ciclovia na BR-440 não é suficiente. Embora veja avanços na conscientização da população e do Poder Executivo, ela entende que são necessárias outras conquistas. “Fico feliz em ver que a população está adotando a prática de exercícios físicos no espaço e dando outra conotação à rodovia, mas é preciso ir além. Mesmo com a proposta da Prefeitura de construir a ciclovia e criar áreas de esportes, existe a inviabilização em razão do tráfego de automóveis na área, principalmente na cabeceira da represa. “O tráfego de caminhões e ônibus pode ser impedido com arcos, portais ou outros mecanismos arquitetônicos, mas qualquer trânsito ali é uma insanidade pela sua proximidade com uma importante fonte de água potável, que é a represa.” Por isso, ela defende uma área para esportes ecológicos próximo ao manancial, com tráfego local de automóveis leves apenas entre o trevo do Viña Del Mar e o Campo do Nova União.”
Para garantir os direitos daquela área, Ilva encaminhou denúncias a órgãos fiscalizadores. Ao Tribunal de Contas da União (TCU), ela questionava os valores das obras, o edital e o fato de a Empa S/A ter sido a vencedora do processo. “Eles julgaram improcedente, e não pretendo recorrer. No Ministério Público Estadual de Meio Ambiente em Juiz de Fora, meu requerimento foi desdobrado em três denúncias: ambiental civil, ambiental criminal e com relação ao edital licitado. O civil foi arquivado porque já existe um processo em curso. Já os outros dois foram encaminhados para a Procuradoria da República, em Brasília. A denúncia já foi distribuída, mas ainda não houve avanços em razão de recesso.”
Polêmica
A vencedora da licitação pública, a Empa S/A, é a mesma empresa que iniciou as intervenções no trecho, mas foi obrigada a paralisar as atividades em 2012. Na época, o Tribunal de Contas da União (TCU) denunciou indícios de irregularidades graves no contrato com o Dnit. Quando a obra foi embargada, 44% do contrato já haviam sido executados, ao custo de R$ 58,1 milhões. Apesar de o traçado ter sido projetado para ser ligação entre as rodovias BR-040 e BR-267, esta licitação prevê apenas a conclusão do trecho de cinco quilômetros ao qual algum tipo de intervenção já foi feita, na área compreendida entre a cabeceira da Represa de São Pedro e o Campo do Nova União. Agora a previsão é investir R$ 45,9 milhões para melhorias neste trecho.









