Estudante é espancado dentro de casa noturna na Cidade Alta

Rapaz sofreu fraturas no rosto, no nariz e precisará de cirurgia para reconstrução da face
Um estudante de direito, de 24 anos, foi agredido em uma casa noturna da Cidade Alta, na madrugada do último sábado. A suspeita é que a agressão tenha partido de um grupo de jovens. O rapaz sofreu fraturas no rosto, no nariz e precisará ser submetido a cirurgia de reconstrução da face. Ele aguarda avaliação de um oftalmologista para saber se terá sequelas no olho. Ontem o pai da vítima, um bancário, de 48 anos, denunciou a situação ao Ministério Público, que vai cobrar rigor da Polícia Civil na apuração do caso.
"Não podemos deixar que isso continue acontecendo. Meu filho foi agredido pelas costas, e, mesmo depois de desmaiar, continuou a receber chutes na cabeça. Perguntei ao meu filho se havia tido algum atrito, esbarrado em alguém ou olhado para alguma pessoa com cara feia, e ele disse que nada aconteceu. Foi uma violência gratuita. O que ficamos sabendo é que alguns dos meninos seriam lutadores. O fato pode ocorrer com o filho de qualquer um, e meu relato é de alerta aos pais para que essas casas noturnas tenham pessoas preparadas para garantir a segurança dos clientes.Pelo que levantamos, os seguranças não colocaram nem os agressores para fora e não chamaram a Polícia Militar ou o Resgate. Meu filho foi socorrido pelos amigos", contou o bancário.
A vítima, ainda internada no Hospital Monte Sinai, conversou com a Tribuna, por telefone, e disse que não sabe o que teria motivado a agressão. "Não teve nada antes que pudesse justificar isso. Estava na fila do banheiro e, de repente, levei um soco quando estava de costas. Me desequilibrei, caí e desmaiei. Só acordei no hospital." A Polícia Civil iniciou as investigações para tentar localizar os supostos agressores. Segundo o inspetor da 2ª Delegacia de Polícia Civil, Roberto Costa, o delegado responsável pela área da Cidade Alta, Eurico Cunha, já determinou a apuração do caso. "O pai da vítima será o primeiro a ser ouvido oficialmente."
O organizador do evento disse que contratou profissionais de uma empresa certificada pela Polícia Federal, mas que não havia sido informado da gravidade do caso. "Nossa estimativa de público era de 700 pessoas, e contratamos 14 seguranças, o que dá um profissional para cada 50 pessoas, enquanto a média é de até 80 pessoas. Em todo início de festa, fazemos uma reunião com os seguranças, pedindo para ter educação com os clientes, ter tolerância zero com drogas e sempre acionar ambulância e polícia, em caso de brigas."
O proprietário da empresa de segurança disse que já procurou a Polícia Civil para repassar o nome de todos os profissionais que atuaram no evento com intuito de facilitar as investigações. Ele também informou que um dos seguranças teria sofrido uma luxação em um dos pés ao retirar um dos agressores, que foi colocado para fora do evento. "Os seguranças o colocaram para fora, onde havia dois policiais à paisana, que ficaram de acionar a viatura." Já o responsável pela casa noturna não retornou as ligações da Tribuna.
Controle de segurança
Segundo a Polícia Federal, a portaria 387/06 disciplina as atividades de segurança privada e determina o credenciamento das empresas e dos profissionais junto ao órgão. A fiscalização cabe à Comissão de Vistoria de Controle de Segurança Privada da Polícia Federal.
De acordo com o comandante da 99ª Companhia de Polícia Militar, capitão Marcellus de Castro, a agressão de sábado trata-se de fato isolado, uma vez que, nos últimos dois anos, apenas dois registros de crimes violentos foram registrados pela companhia em áreas ao redor de casas noturnas, na Cidade Alta. Segundo o capitão, a PM desenvolve três tipos de ações para reforçar a segurança nas regiões de concentração de bares e casas noturna. "No horário que antecede a abertura da estabelecimento, fazemos trabalho de monitoramento de flanelinhas. Depois, ao longo da noite, realizamos patrulhamento preventivo, visando à segurança de veículos e de pessoas retardatárias. Ao final, no horário de saída, a preocupação é evitar qualquer ação criminosa, garantindo a volta tranquila para casa". Ele ressalta que, no interior dos estabelecimentos, a PM não pode fazer intervenção a não ser que haja solicitação. Capitão Marcellus orienta que, em caso de agressão, a vítima tente guardar as características físicas dos agressores e, se o crime acontecer na casa noturna, o agredido deve tentar, com a gerência da casa, a identidade dos suspeitos. "Essas informações são importantes, para que haja o rastreamento por parte da PM e investigação pela Polícia Civil."
* colaborou Marcos Araújo








