Caos no trânsito e ruas às escuras
O incêndio parou o Centro de Juiz de Fora. O trânsito ficou tumultuado e pegou de surpresa as pessoas na saída de escolas, cursos e trabalho. Todo o tráfego do entorno foi alterado, prejudicando o deslocamento de veículos para demais regiões. A fumaça escura chegou a atrapalhar a visibilidade de quem trafegava pela Avenida Rio Branco e encobriu a vista do Morro do Imperador. No início da noite, as ruas centrais ficaram às escuras com o corte preventivo de energia. Para garantir o deslocamento das equipes de salvamento e combate às chamas, parte das vias Floriano Peixoto, Getúlio Vargas e Rio Branco foram interditadas pela Settra. A alteração implicou em retenções em várias partes da cidade, ocasionando longas filas de veículos. As avenidas Brasil e Francisco Bernardino foram as mais afetadas. Agentes de trânsito foram acionados para controlar o tráfego.
Surpreendida com o tumulto, a estudante Talita Marques, de 17 anos, moradora da Zona Norte, que havia saído de um curso de inglês, estava perdida, sem saber para onde se dirigir e pegar o ônibus de casa. Saí da aula e tomei um susto com tanta gente no meio da rua. Vi a fumaça e fiquei mais assustada ainda, sem saber o que fazer. Com a falta do transporte coletivo na Getúlio Vargas, quem podia foi embora a pé. Foi o caso do vendedor Alexandre de Castro, 31, morador do Bairro Costa Carvalho, Zona Sudeste. É uma coisa horrorosa. É triste, já que se trata de uma loja tradicional. Nervosa com a situação, a dona de casa Marília de Oliveira, 42, queria saber o que estava acontecendo. Parece o fim do mundo. Não tem ônibus, as pessoas ocuparam as ruas, e tudo virou uma bagunça. A cidade está parada, e não sei como vou para casa.
O nó no tráfego mobilizou o Pelotão de Policiamento de Trânsito da Polícia Militar. De acordo com o comandante da unidade, tenente Jean Michel Amaral, 40 homens foram empenhados e dez viaturas colocadas à disposição. Todos os veículos da PM que estavam atuando nos bairros adjacentes foram deslocados para conter o tumulto. Nossa maior dificuldade, no entanto, foi lidar com os curiosos, que estão ocasionando grandes aglomerações no entorno do incêndio, prejudicando o deslocamento das viaturas e veículos dos bombeiros. Na confusão, um atropelamento foi registrado. Segundo o militar, um homem foi atingido por um coletivo, na interseção da Getúlio Vargas com a Rua São Sebastião. A vítima teria sofrido escoriações leves, sendo encaminhada pelo Samu para o HPS.
Corte de energia
Como as chamas ameaçavam a rede de distribuição de eletricidade, a Cemig, a pedido do Corpo de Bombeiros, interrompeu o fornecimento no Centro. As escolas da região cancelaram as aulas noturnas, e alguns estabelecimentos comerciais baixaram as portas. Depois de uma hora sem energia elétrica, as equipes conseguiram mapear a área onde realmente havia risco. O abastecimento foi normalizado, com exceção de 430 clientes no perímetro diretamente afetado pelo incêndio, que permanecia sem eletricidade até o fechamento da edição.
Uma equipe da Defesa Civil também foi mobilizada e acompanhava os trabalhos no local, onde alguns prédios apresentaram problemas na estrutura. Hoje funcionários da subsecretaria serão mobilizados para um mutirão de vistoria nos imóveis, verificando quais estruturas estão comprometidas e se haverá necessidade de demolição. Uma equipe da Secretaria de Assistência Social (SAS) esteve no local para levantar o número de famílias atingidas e avaliar se há necessidade de encaminhamento para abrigo.
Lojistas dizem
que prejuízos
são incalculáveis
O presidente do Sindicomércio, Emerson Beloti, que esteve no local no início da noite, verificou que os danos eram maiores que os previstos inicialmente, considerando que, só na esquina da Getúlio Vargas com a Floriano Peixoto existem 12 lojas. Os prejuízos são incalculáveis. Não só em termos de estoque, mas prevendo também os investimentos para a reconstrução dos negócios. Entre os estabelecimentos diretamente atingidos estão, além da Tetê Festas, Casa Pipa, Rei do Disco, Ferragens Gomes, Dornellas Multi-mídia e Castelo da Borracha, além de um estabelecimento vazio.
Um dos donos da Casa Pipa e da Ferragens Gomes, duas lojas ao lado da Tetê Festas, Rodrigo Veiga, acredita que o incêndio tenha se alastrado por meio da área de ventilação comum às lojas. Tentamos alertar que isso poderia acontecer, mas optamos por obedecer as instruções do bombeiros e saímos das lojas. Não tiramos nada, nem documentos pessoais. O prejuízo vai ser grande. Mas construímos nosso negócio uma vez e vamos reconstruí-lo, relatou.
O coronel Anderson Esteves, comandante do 4º BBM, informou que o incêndio estava sob controle por volta da meia-noite e que o trabalho de rescaldo entraria pela madrugada. Esteves destacou que a companhia de prevenção da corporação estava fazendo levantamento dos imóveis atingidos para verificar se os locais estavam em dia com as normas de segurança. O militar ressaltou também que o efetivo do batalhão é suficiente para atender a população da cidade.
Confira vídeos com imagens do incêndio no site da Tribuna








