Mulher acusada de matar músico e policial é absolvida por condição psiquiátrica

Laudo da perícia apontou doença mental e, por isso, autora não poderia responder pelo crime contra Américo Vieira Junior


Por Tribuna

16/05/2023 às 13h58- Atualizada 16/05/2023 às 15h20

A Justiça decidiu pela absolvição imprópria da mulher acusada de matar a facadas o ex-marido, o músico e policial federal aposentado Américo Vieira Junior. O crime aconteceu na tarde do dia 28 de março de 2021 no Bairro Jardim do Sol, Zona Sudeste de Juiz de Fora. Após laudo pericial apontar doença mental, a sentença determinou que a autora dos golpes fosse encaminhada para tratamento em regime de internação em hospital psiquiátrico e judiciário.

O documento, assinado pela juíza Joyce Souza de Paula, confirmou o assassinato do artista, mas identificou que a ré não podia responder pelo crime devido a sua condição psiquiátrica. A sentença alegou caráter de urgência ao solicitar uma vaga para o tratamento da acusada com prazo indeterminado, sendo no mínimo três anos, ou enquanto a perícia médica entender que seja necessário.

“Apesar de comprovada a materialidade delitiva e da presença de fortes indícios de autoria em relação à ré, a situação delineada nos autos não autorizam a pronúncia da acusada, isto porque restou comprovado que a mesma não possuía capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com esse entendimento, em razão da doença mental que a acometia”, afirma o documento.

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Crime aconteceu na residência do casal

Na denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) consta que a mulher, na época com 31 anos, desferiu vários golpes de faca contra Américo, 63 anos, que estava em uma cadeira de rodas, impossibilitado de se defender.

De acordo com informações da Delegacia Especializada de Homicídios da Polícia Civil, a PM foi acionada ao local do crime após vizinhos ouvirem gritos de pedido de socorro, vindos do interior da residência da vítima. Ao chegar no local, por não haver resposta, foi preciso realizar um arrombamento.

Em seguida, os militares encontraram a suspeita ajoelhada na cama, segurando a faca utilizada no crime. “Ela foi detida tentando desferir outros golpes contra a vítima. Foi necessário que policiais militares utilizassem de arma elétrica, não letal, para conter a ação da autora.”

Antes do dia do assassinato, a autora, sob efeito de crack, tentou atingir Américo também com uma faca, mas foi contida pelos policiais militares que compareceram à residência do casal.

O Samu chegou a ser acionado, mas o óbito foi constatado no local. A autora do homicídio resistiu à contenção pelos militares, sendo que um policial sofreu um corte leve no dedo da mão e precisou de atendimento médico no HPS. Américo era vocalista da banda Raul Queixas e Mágoas.