Instituto Bruno quer ampliar assistência
A primeira instituição destinada à pessoa com múltiplas deficiências e surdo-cegas de Minas Gerais, localizada em Juiz de Fora, vai ganhar um novo espaço físico para expandir o atendimento na cidade e região. Atualmente, cerca de 120 famílias são assistidas. Orçada em R$ 700 mil, a obra da nova sede do Instituto Bruno, que será construída no Bairro Vale do Ipê, tem início previsto para janeiro do próximo ano. Em uma área de 235 metros quadrados, será erguido um prédio de quatro andares, onde serão atendidos crianças, adolescentes e adultos portadores de deficiências ocasionadas pela paralisia cerebral. Estamos passando por uma situação emergencial, que é a necessidade de construção de nossa sede própria. Trabalhamos hoje em dois imóveis alugados: na Rua Paula Lima, Centro, e no Jardim Glória. Já temos o projeto das plantas pronto e conseguimos o montante de R$ 140 mil, mas ainda falta o restante, ressalta a diretora do Instituto Bruno, Maria do Carmo Vianna.
Com a ampliação, será possível instalar áreas para atendimento em ortopedia, neurologia e oftalmologia, que, segundo a diretora, são essenciais para o bem-estar dos pacientes e necessárias para suprir a lacuna na saúde da microrregião. Quando começamos, no ano 2000, os atendimentos eram realizados em domicílios e na minha casa. Três anos depois, passamos a receber mais pessoas para atividades artísticas, fisioterápicas e fonoaudiológicas. Hoje disponibilizamos, além destes serviços, intérpretes e profissionais das áreas de assistência social e psicologia. Temos um quadro de 28 funcionários. Claro que existem voluntários, pessoas e empresas que não estão sempre no instituto, mas que o levam no coração.
Há dois anos, a entidade firmou parceria com a Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape), uma ONG de São Paulo que trabalha para a inclusão de pessoa com deficiência visual, física ou intelectual, no mercado de trabalho, fornecendo recrutamento e seleção para empresas parceiras. Uma das contempladas com o projeto é Maria da Conceição Quirino da Silva, 37 anos, que é muda oralizada e atua como auxiliar de serviços gerais na Vectra Engenharia. Além de gostar muito do trabalho, ajuda a família com o que ganha. As empresas têm percebido que pessoas com deficiência tendem a permanecer no emprego. A seleção passa por várias etapas até se adequar à função pretendida, destaca Maria do Carmo.
Histórias de superação e compreensão
Quando se anda pelos corredores do Instituto Bruno, o que mais se encontra são histórias de superação e compreensão. Vemos nas famílias um núcleo de força, como se fosse uma terapia em conjunto para dividir os problemas. O contato e o trabalho são vitais para nós, comenta o funcionário público João Carlos Moraes, 43 anos, pai de Victor Hugo, 11, que recebe atendimento na unidade desde os 6. O menino nasceu com a síndrome de Warkany, que é a trissomia do cromossomo 8 e provoca múltiplas deficiências, desde a má-formação óssea até o atraso neuropsicomotor, como dificuldades na fala, na visão e nos movimentos.
Ele já apresenta avanços, como condições de perceber o que acontece ao seu redor, se movimentar e ser mais autônomo. Consegue andar por curtas distâncias quando se apoia no andador ou nas paredes. O instituto nos mostra, por meio das outras crianças, o potencial de ser sociável, amigo e evoluir junto às outras, ressalta João Carlos.
Outro exemplo são os pais de Ana Carolina, 21, que são deficientes visuais. A família toda é assistida pelo instituto desde 2003. A jovem possui paralisia cerebral, que afetou o desenvolvimento motor, a fala e a visão. Quem convive com a Ana, como a gente, percebe a evolução. Sempre que precisamos de ajuda, o instituto nos atende, destaca a mãe, Lúcia Maria Alves da Costa, 48.
Problema é problema e precisa ser resolvido. O estresse e o emocional não existem, pois sabemos que esta é nossa vida. Todo dia aparece uma dificuldade, mas passamos por cima dela, conta o pai de Ana, Adilson Nolasco Costa, 48.
Para a diretora Maria do Carmo Vianna, os resultados apresentados pelos pacientes são provenientes do acompanhamento e monitoramento dos atendimentos. Pelas oficinas, vemos que eles conseguem aprender braile e libras. Isso tem sido sucesso para as famílias. Temos o cuidado para que nossos assistentes sociais acompanhem cada caso.








