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Atropelamentos revelam insegurança no trânsito


Por Bárbara Riolino (colaborou Marina Sad)

22/05/2013 às 06h00

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Um atropelamento ocorrido nesta terça-feira (21) no Campus da UFJF traz à tona o problema da violência no tráfego no município. No registro desta terça, o condutor de uma Kombi perdeu o controle direcional e invadiu um ponto de ônibus no anel viário, próximo à Faculdade de Educação Física, atingindo um estudante de fisioterapia de 21 anos que estava no local e ficou gravemente ferido. O jovem foi levado para o Hospital Maternidade Therezinha de Jesus, sendo transferido para o Monte Sinai, onde ficou internado. O condutor do veículo, 51, também teve ferimentos graves e precisou ser encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), onde permanecia entubado na sala de urgência até o fechamento desta edição.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, primeiro a prestar socorro, o acidente teria acontecido por volta das 17h. Duas pessoas que estavam em um carro atrás da Kombi disseram à corporação que o motorista estaria em baixa velocidade, quando perdeu o controle do veículo e bateu no ponto de ônibus. Uma das vítimas foi encontrada no asfalto, próximo à porta da Kombi, e a outra um pouco atrás do ponto, em uma área gramada. O acidente causou lentidão no trânsito da universidade, e uma fila de aproximadamente um quilômetro de carros se formou. Ainda segundo os bombeiros, as duas vítimas aparentavam ter sofrido traumatismo craniano e fratura na mandíbula. Uma delas, possivelmente, também teria quebrado o fêmur. Apesar dos traumas, os homens foram encontrados conscientes, mas sem condições de dar esclarecimentos sobre o ocorrido. Na semana passada, uma mulher, 50, também foi atropelada na calçada no Bairro Linhares e acabou morrendo no local ao ser atingida por um caminhão.

Apesar de a média de atropelamentos ter se mantido nos últimos anos em Juiz de Fora, o número de mortes de pedestres tem sido crescente. Nos primeiros cinco meses deste ano, três pessoas já perderam a vida em decorrência de atropelamentos, conforme o levantamento realizado pela Tribuna. O número registrado já é o equivalente às mortes registradas em todo 2012, segundo dados da Polícia Militar. A primeira vítima, uma mulher de 61 anos morreu no HPS oito dias depois de ter sido atropelada por um ônibus na Avenida Rio Branco, região central, via recordista em número de acidentes desta natureza. A segunda vítima, um idoso, 89, morreu após ser pego por uma moto na Rua São Mateus, bairro homônimo, na Zona Sul. Pelo levantamento da PM, a via ocupa a sexta colocação na quantidade de atropelamentos (ver quadro). A última vítima foi a mulher atropelada na Rua Diva Garcia, no Linhares.

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Rio Branco

O balanço parcial da PM mostra, ainda, que, até a primeira quinzena de maio, 187 atropelamentos ocorreram na cidade, sendo 68 deles na região central, onde há maior concentração de veículos e pessoas. A Avenida Rio Branco, que passou recentemente por reestruturação, com colocação de traffic calmings e gradis, tem se mantido em primeiro lugar no número de casos nos últimos três anos.

O engenheiro e especialista em planejamento de transporte e trânsito Luiz Antônio Costa Moreira afirma que os traffic calmings instalados na extensão da Rio Branco não contribuem para diminuir o número de acidentes. "A instalação próxima aos semáforos não traz segurança alguma para o pedestre, porém faz com que o motorista diminua a velocidade, que poderia ser feita com a montagem de redutores. A única mudança de fato foi a elevação das faixas de pedestres já existentes. O traffic calming é indicado para vias em que a velocidade não ultrapasse 30 km/h e, para locais como a Rio Branco, não surte o efeito desejado."

 

 

Pedestres se arriscam em ruas movimentadas

Pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o pedestre, por ser o mais frágil em relação aos demais componentes do trânsito, tem preferência. Porém, para o comandante do Pelotão de Policiamento de Trânsito da Polícia Militar (PPTran), tenente José Lourenço Júnior, é preciso que todo cidadão tenha ciência de seus direitos e deveres. "É necessária uma mudança de comportamento de ambas as partes. Os motoristas precisam respeitar os limites de velocidade, fazer a manutenção preventiva do carro e respeitar as faixas e sinais. Já os pedestres têm que ter atenção ao andar, realizar a travessia correta e ser conhecedor das normas de trânsito."

Na tarde desta terça, a Tribuna esteve em algumas vias de grande fluxo de veículos da cidade e percebeu que o respeito mútuo nem sempre acontece. Foram flagradas diversas imprudências cometidas, principalmente, pelos pedestres. Sabendo da sua preferência, muitas vezes, os pedestres têm cometido abusos e acabam se arriscando. Na Avenida dos Andradas, por exemplo, muitos atravessam fora da faixa e entre os carros. A imprudência foi observada mesmo próximo da travessia quando o semáforo estava aberto para eles.

No cruzamento da Avenida Rio Branco com a Rua Espírito Santo, a situação também é de desrespeito. Com o sinal aberto para os veículos, em um momento de retenção, as pessoas passam entre os automóveis, sem se preocupar, por exemplo, com as motocicletas que seguem em maior velocidade entre eles. Ainda na Rio Branco, mas na esquina com a Avenida Itamar Franco, os abusos são frequentes. Nos 20 minutos em que a reportagem permaneceu no local, pelo menos sete flagrantes mostraram pedestres invadindo a pista, sendo que o semáforo impedia a travessia.

Ainda segundo o tenente José Lourenço Júnior, as maiores causas de atropelamentos hoje estão ligadas à falta de atenção. "Observa-se que os pedestres estão mais distraídos e não tomam cuidados básicos para a sua segurança. Às vezes, o tempo economizado em uma travessia incorreta resulta em um acidente, com consequências ainda maiores."

A assessora técnica setorial da Subsecretaria de Mobilidade Urbana da Settra, Ana Beatriz Chaves, ressalta que a segurança do trânsito depende de uma tripé, formada pela engenharia, respeito às normas e educação no trânsito. "Trabalhamos com iniciativas educativas que envolvem todos os modais de condutores, como automóveis, veículos pesados, ônibus, motocicletas, bicicletas e os pedestres. O comportamento precisa ser o mesmo em todas as vias, sejam elas de pequeno ou de grande movimento. O pensamento precisa mudar, saindo do individual para o coletivo."