Pedestres e ônibus disputam espaço

Coletivos vindos da Itamar Franco, trafegam por cima da faixa, surpreendendo pedestres
Flagrantes de pedestres correndo ao serem surpreendidos por um ônibus vindo em sua direção tornaram-se comuns no cruzamento entre as avenidas Rio Branco e Itamar Franco (antiga Independência). Desde terça-feira, os traffic calmings instalados na região ganharam nova disposição, fazendo com que a travessia seja concluída em três tempos: primeiro, é preciso atravessar de uma das pistas da Rio Branco em direção à faixa exclusiva de ônibus, no sentido paralelo à Itamar Franco. Em seguida, é necessário percorrer outro piso elevado, mas na direção horizontal, transversal à Itamar, e, por fim, atravessa-se a Rio Branco novamente. Fotos do trecho e reclamações da população ganharam visibilidade nas redes sociais, onde algumas imagens ultrapassaram mil compartilhamentos. "Fiquei surpreso com a repercussão imediata", diz o estudante de arquitetura Gabriel Cruz, autor de uma das primeiras fotografias a irem para o Facebook. Além do perigo na travessia, ontem, no final da tarde, a mudança causava retenções no trânsito da Itamar Franco e também na pista central da Rio Branco.
Uma das principais queixas é a de que os coletivos que acessam a Rio Branco, vindos da Itamar Franco, no sentido Centro/Manoel Honório, trafegam por cima da faixa por onde é preciso passar antes da conclusão do trajeto. "Se uma moça não tivesse me segurado, o ônibus me pegava. Como é tudo da mesma cor, está muito confuso", desabafa o aposentado Jorge Roberto da Silva. Mesmo com agentes de trânsito no local, há dúvida na hora de fazer o percurso, sobretudo nos horários de pico, quando dezenas de pessoas tentam atravessar ao mesmo tempo, e é quase impossível notar a presença do profissional. Outro problema é que o traffic calming do lado da pista de sentido Centro/Bom Pastor fica em frente à garagem de um prédio. "Só podemos sair quando o sinal está fechado para os carros, mas este é exatamente o momento em que uma multidão está atravessando a rua. Atrapalha nossa passagem e ameaça a segurança deles", diz o morador Daniel de Oliveira Pires.
A assessoria da Settra informou, em nota, que o principal objetivo das obras é dar mais segurança aos pedestres. Conforme a assessoria da pasta, entre a pista de carros e a de ônibus, uma ilha será construída e cercada por gradil para protegê-los. Também está prevista a instalação de temporizadores nos semáforos, para orientar o momento correto para travessia. A assessoria acrescentou, ainda, que, enquanto os trabalhos não forem concluídos, profissionais da Settra avaliam estas e outras maneiras de deixar mais claro à população que o traffic calming não é calçada, mas uma faixa de pedestres que corta uma via onde circulam ônibus. Depois desta avaliação, a pasta fará novo posicionamento sobre a funcionalidade da intervenção.

Especialistas defendem reavaliação
O engenheiro e especialista em planejamento de transporte urbano e tráfego Luiz Antônio Moreira defende que o primeiro erro do sistema foi ter idealizado uma travessia que não segue uma reta. "O pedestre procura sempre a menor distância entre uma calçada e outra, que, normalmente, é em linha reta. Além disso, há sempre mais segurança ao seguir em um sentido só, sem zigue-zague." Ainda segundo o engenheiro, outra falha é a indução ao erro. "O traffic calming indica que a preferência é do pedestre. Como a faixa paralela à Itamar Franco é igual a estes dispositivos, quem atravessa fica sem saber se é a sua vez de atravessar ou de o ônibus passar. Até os motoristas ficam sem saber o que fazer." Para o chefe do Conselho Fiscal da Comissão Municipal de Segurança e Educação no Trânsito (Comset), Mário Jacometti, este é um agravante. "Se o sistema induz a erro e ameaça a segurança do pedestre ou do condutor, há infração do Código de Trânsito Brasileiro. Com isso, a Prefeitura tem que rever a disposição da sinalização e arcar com a responsabilidade em caso de acidente."
Em outro cruzamento
Em outro ponto da Avenida Rio Branco, no cruzamento com a Rua Floriano Peixoto, mudanças na sinalização horizontal também dificultam a travessia, já que há obstáculos à passagem das pessoas. De um lado, o poste que ergue os semáforos de pedestres está implantado exatamente no início da faixa, no único ponto onde há rebaixamento para acesso de cadeirantes. Entre as duas pistas da avenida, a grade que direciona o fluxo dos pedestres também está mal posicionada, obstruindo a passagem. A Settra informou que este trecho ainda receberá traffic calmings, o que deve contemplar as duas reclamações.








