Juiz-forana presa por tráfico internacional

Armação utilizada para o armazenamento da droga
A estudante juiz-forana Mariane Oliveira Gomes, 21 anos, foi presa por tráfico internacional de drogas após ser flagrada pela Polícia Federal (PF) com 4,7kg de cocaína, escondidos nas malas, no Aeroporto Internacional dos Guararapes – Gilberto Freyre, em Recife (PE). Por volta da 1h de quarta-feira, a moradora de Juiz de Fora foi detida quando tentava embarcar para Bruxelas, na Bélgica, onde receberia R$ 15 mil pela entrega do entorpecente. Ela teria partido de Florianópolis (SC) e, de Recife, ainda faria escala em Lisboa, em Portugal. A jovem não possui antecedentes criminais e informou à PF que fazia intercâmbio cultural em Dublin, na Irlanda, desde agosto do ano passado.
A prisão aconteceu durante fiscalização de rotina desencadeada por policiais federais lotados na Delegacia de Repressão a Entorpecentes para coibir o tráfico internacional de drogas. Os agentes desconfiaram da juiz-forana porque as laterais das três bagagens dela – uma mala grande, uma média e uma pequena – apresentaram, durante a passagem pelo aparelho de Raios-x, imagens com densidades diferentes das tradicionais. Após ser selecionada na sala de embarque, a passageira foi submetida a uma entrevista prévia. Conforme a assessoria de comunicação da PF, durante o contato com os policiais, ela teria demonstrado nervosismo e impaciência, principalmente quando soube que suas bagagens estavam sendo vistoriadas. Diante da suspeita, os federais fizeram uma busca minuciosa nas malas, e, após esvaziá-las, acharam a droga escondida em laterais falsas. A substância passou pelo chamado exame narcoteste, que apresentou resultado positivo para cocaína.
Assim que o esquema foi descoberto, Mariane recebeu voz de prisão em flagrante e foi levada para a Superintendência da PF, no Cais do Apolo. Durante o interrogatório, a jovem informou que pegou as três bagagens em Florianópolis com uma pessoa que não conhece e que entregaria as mesmas a outro desconhecido, na Bélgica. "Ela disse que, em Bruxelas, uma pessoa iria ligar para o celular dela para marcarem de se encontrar e a droga ser entregue", disse o assessor de comunicação da Polícia Federal de Recife, Giovani Santoro.
Segundo a PF, pelo aspecto da cocaína, subentende-se que a droga seria proveniente da Colômbia e renderia aproximadamente 140 mil dólares, cerca de R$ 220 mil, após ser comercializada na Europa. A suspeita é de que o entorpecente poderia abastecer a Bélgica e outros países, como Espanha, França e Portugal. Ainda conforme a polícia, a passagem de avião da jovem brasileira teria sido paga pelos traficantes, que também teriam fornecido os 200 euros que foram encontrados com ela e que custeariam despesas básicas com alimentação.
Mariane foi autuada em flagrante por tráfico internacional de entorpecentes, conforme os artigos 33 e 40 da Lei 11.343/06. Se condenada, ela poderá pegar penas que, somadas, ultrapassam 20 anos de reclusão. A estudante também teve apreendidos seu passaporte, passagens aéreas, cartões de embarque, celular, notebook, câmera fotográfica, além dos 200 euros. Mariane passou por exame de corpo de delito e foi encaminhada para a Colônia Penal Feminina, na capital pernambucana, onde permanece à disposição da Justiça Federal. Segundo a PF, ela deverá ser julgada no Nordeste e, se condenada, cumprir a pena na região.
Ontem a família da suspeita entrou em contato com a PF de Recife para saber em qual cidade deveria ser constituído um advogado para defender a jovem. O órgão policial recomendou que os familiares procurassem um profissional na capital pernambucana.
Vizinhos surpresos com prisão
Durante toda a tarde de ontem, a Tribuna tentou contato com a família de Mariane. Na casa onde a jovem morava com a mãe e o padrasto, no Bairro de Lourdes, região Sudeste, ninguém foi encontrado. Vizinhos da família se mostraram surpresos com a prisão da moça, que teria chegado a cursar psicologia e trabalhado em uma loja de cosméticos antes de seguir para o intercâmbio na Irlanda.
Um amigo próximo, que preferiu não ser identificado, contou que Mariane teria ido para Irlanda no segundo semestre do ano passado, após ter se matriculado em um curso de inglês, com duração de seis meses. A transação teria sido feita diretamente com a instituição na qual vinha estudando, sem passar por agências de intercâmbio. Ainda segundo ele, a jovem teria dito que havia começado a trabalhar em Dublin e economizado dinheiro para vir ao Brasil visitar amigos e parentes. De acordo com o amigo, Mariane nunca apresentou comportamentos que levantassem suspeitas sobre um possível envolvimento com o tráfico de drogas.
Investigações continuam
De acordo com a assessoria de comunicação da PF em Recife, Mariane Oliveira Gomes foi a quinta pessoa a ser flagrada este ano por tráfico de entorpecentes no Aeroporto Internacional dos Guararapes. Outros três brasileiros e um romeno foram detidos durante três ocorrências de apreensão de drogas no local. A quantidade de cocaína apreendida já chega a 11,3kg. Em 2010, nove homens e três mulheres foram presos no mesmo aeroporto, resultando no recolhimento de 29,3kg de cocaína e de 5,6kg de crack.
O assessor de comunicação da PF, Giovani Santoro, que acompanhou todo o processo da prisão da juiz-forana, disse que as investigações policiais continuam para tentar identificar quem aliciou Mariane como "mula", termo usado para identificar o sujeito que transporta o entorpecente do fornecedor até o mercado consumidor. "A Polícia Federal tem juntado depoimentos de ‘mulas’ de todo o país para tentar detectar e prender os traficantes. Infelizmente, não há perfil padrão para as ‘mulas’. Para os traficantes, quanto menos se levanta suspeita, melhor. Estão usando desde idosos, jovens, até estrangeiros." A forma como é transportada a droga também varia. "O mais comum é no fundo falso da mala. Mas encontramos drogas em garrafa de champanhe, na sola de sapato e até cocaína líquida."
Para a polícia, as rotas clássicas de saída de drogas do Brasil concentram-se nos aeroportos do Rio e São Paulo, que contam com mais voos internacionais. Como a fiscalização nesses aeroportos tem sido intensificada, a PF já espera que traficantes comecem a utilizar aeroportos do Nordeste. O de Guararapes, em Recife, atualmente oferece três voos internacionais. "Mas aqui é bem difícil conseguir passar, pois contamos com cães farejadores, espectrômetros (aparelho capaz de detectar manipulação de drogas) e body scanners (sistema de revisão corporal, capaz de detectar objetos estranhos no interior do corpo)", diz Giovani.








