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Prefeitura determina demolição em 72 horas


Por Renata Brum

22/08/2013 às 07h00

Tumulto que começou no Vitorino Braga terminou na Avenida Brasil próximo à Benjamin Constant

Tumulto que começou no Vitorino Braga terminou na Avenida Brasil próximo à Benjamin Constant

A Prefeitura de Juiz de Fora determinou prazo de 72 horas para que o proprietário do complexo de lojas abandonadas nas ruas Benjamin Constant e José Calil Ahouagi, área que se transformou em uma cracolândia na região central, inicie a demolição dos imóveis e realize, posteriormente, o devido cercamento. A decisão foi baseada em laudo da Defesa Civil, que apontou risco de parte das lojas vir abaixo. Caso o proprietário não realize a intervenção, o Município fará a destruição, mas cobrará o ressarcimento integral das despesas realizadas.

"O proprietário fez a solicitação de demolição nesta semana, mas, por falta de documentos, indeferimos novamente o pedido. Como já tínhamos solicitado à Defesa Civil um laudo do local, e hoje os engenheiros nos entregaram o documento, apontando o risco de parte dos imóveis ruir, estamos notificando o proprietário a iniciar a demolição em 72 horas", informou o secretário de Atividades Urbanas, Basileu Tavares, explicando: "O grande perigo é que os usuários de crack fizeram pequenas demolições por conta própria e continuam as ações. Não sabemos o que estão quebrando, e há o perigo de aquelas lojas cederem, atingindo até pedestres."

Nesta quinta-feira (22) o assunto será discutido pela Comissão de Segurança Pública da Câmara. O Ministério Público também já tomou conhecimento do caso. Mas, um dia depois de a Tribuna denunciar a transformação dos imóveis em uma cracolândia, a situação não mudou. Nesta quarta-feira (21) à tarde, pelo menos 30 viciados se aglomeravam dentro dos imóveis e nos arredores.

A reportagem não encontrou nenhum policial no local, mas, segundo comerciantes, os militares realizaram algumas rondas durante o dia. No início da tarde, o helicóptero da corporação sobrevoou a área. Segundo um dos lojistas, que preferiu não se identificar, os usuários ficam intimidados apenas quando a viatura está nas proximidades. "Depois voltam e continuam a usar drogas. Está difícil encontrar uma solução, acho que nós é que teremos que sair daqui", dispara.

A funcionária de uma das lojas, que tem receio de revelar o nome, conta que o estabelecimento vem perdendo clientes por conta da localização. "Esta área está sendo evitada por todos, eu tenho medo de ficar aqui." Outro comerciante também reclama. "Quando falo que minha loja é aqui, todos já relacionam à cracolândia. Sem dúvidas, perco clientes. Só tem passado por aqui quem precisa. A presença dos usuários intimida."

Comandante da 30ª Companhia da Polícia Militar, capitão Marcelo Monteiro de Castro diz que as ações desta quarta foram rotineiras e destacou que somente a intervenção social na região solucionará o problema. "A presença militar é habitual na área, mas não é só uma questão de segurança pública. É uma questão social, que está acarretando todos os problemas no entorno, por isso, estamos sempre buscando a integração com os outros órgãos."

Delegado regional da Polícia Civil, Paulo Sérgio Virtuoso tem a mesma opinião."O quadro atual é um fator provocador de crimes. O Poder Público municipal precisa agir imediatamente e depois, da forma que for, cobrar o débito do IPTU. A segurança pública está sobrecarregada, e a sociedade está exposta. Já fizemos ações anteriores na área, incursões, mas não adiantam somente as abordagens." O inspetor da Delegacia Especializada Antidrogas, Rogério Marinho, diz que a situação já vem sendo monitorada pela equipe.

 

"Crack é possível vencer"

O secretário de Saúde do município, José Laerte Barbosa, afirma que há expectativa de que o assunto sobre o local seja pauta da próxima reunião entre os órgãos públicos que integram a comissão do programa "Crack, é possível vencer". "Não focamos apenas a região, mas, com certeza, o ponto merece atenção. Dentro das ações voltadas aos usuários, temos o consultório na rua, que realiza abordagens em toda a cidade."

O projeto "Crack, é possível vencer" reúne um conjunto de ações para enfrentar os problemas relacionados ao uso da droga. As estratégias estão estruturadas nos eixos: cuidado, autoridade e prevenção. O primeiro inclui ampliação e qualificação da rede de atenção à saúde voltada aos usuários. No eixo autoridade, o foco é a integração entre Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e polícias estaduais, a realização de policiamento ostensivo nos pontos de uso de drogas, além da revitalização desses espaços. Já o eixo prevenção abrange ações nas escolas e nas comunidades.

 

 

Confusão mobiliza PM e agentes penitenciários

Na tarde desta quarta, uma confusão entre grupos rivais, que teria começado na Praça Teotônio Vilela, no Bairro Vitorino Braga, estendeu-se até a Rua Benjamin Constant e causou tumulto nas proximidades da cracolândia. Segundo a Polícia Militar, pelo menos cinco jovens teriam discutido e feito ameaças em frente à sede do sistema prisional, na praça do Vitorino. Um deles estaria com uma arma de fogo e chegou a mostrar o objeto para o grupo rival.

Em seguida, eles teriam corrido para a Rua Benjamin Constant, onde continuaram a discussão. A movimentação foi acompanhada pelos agentes penitenciários, que abordaram e detiveram os jovens na via. Um deles foi pego dentro de uma oficina mecânica entre a Avenida Brasil e a Rua José Calil Ahouagi.

Três viaturas da PM também foram deslocadas para atender a ocorrência, que se encerrou na Avenida Brasil. Os policiais teriam recebido denúncia de que a arma teria sido jogada no Rio Paraibuna. Eles fizeram buscas, mas ela não foi localizada. Três jovens foram levados para a delegacia para serem ouvidos.

 

* colaborou Michele Meireles