Motocicleta deve reduzir espera por atendimento
Após dois anos parada, uma moto deve reforçar a frota do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Juiz de Fora até o mês que vem. Com o novo veículo, a expectativa é de que o tempo-resposta do Samu (período entre o acionamento pelo telefone 192 e a chegada da viatura) seja reduzido. A motolância, como é conhecida, deve ganhar tempo no socorro pré-hospitalar, possibilitando o deslocamento mais rápido pelo trânsito, tendo em vista as frequentes retenções observadas na cidade. O atendimento sobre duas rodas será priorizado em horários de pico, nos locais de acesso mais difícil, até a chegada da ambulância convencional. A moto XTZ 250 cilindradas, da Yamaha, será equipada com desfibrilador, cilindro de oxigênio, material para punção, medicamentos e instrumentos para estabilização da via aérea e coluna cervical. Parte do material vai junto com o condutor, em uma mochila especial.
Conforme a coordenação do serviço, atualmente, o tempo médio de espera por viaturas é de seis minutos, já que as cinco ambulâncias em atuação na cidade ficam descentralizadas. Dessa forma, o atendimento às ocorrências é feito pelo veículo mais próximo ao local do acionamento. Mesmo assim, em alguns chamados, a demora chega a quase uma hora, fora as ocorrências que ficam sem socorro.
Um analista logístico de 45 anos ficou indignado com a negativa de atendimento para a irmã, quando sofreu um acidente no início de setembro. Ela estava varrendo a calçada, caiu, teve convulsão e ficou inconsciente. Os vizinhos ligaram para os Bombeiros e para o Samu. Falei que ela estava desacordada, mas os dois serviços disseram que estavam com muitos casos na cidade. Fui orientado a levá-la em carro particular. É um absurdo, pois precisarmos do serviço e não podermos contar com ele. Quando cheguei na Regional Leste, havia duas viaturas do Samu paradas lá.
De 8h às 20h
Conforme Lilian, apesar de a frota de cinco ambulâncias estar dentro do previsto pelo Ministério da Saúde, a demanda por atendimento varia bastante, motivo pelo qual, em determinados horários, toda as equipes estão empenhadas em alguma ocorrência. Com a motolância, isso tende a melhorar, pois é um veículo que pode atender de forma mais rápida. De acordo com ela, ainda não há estimativa para o tempo de espera pelo atendimento da motolância. O tempo-resposta das ambulâncias convencionais é calculado pela média de atendimentos de todos os veículos, o que dá os seis minutos. Mas, no caso da moto, vai depender do local do atendimento. A motocicleta deve operar de 8h às 20h, período de maior tráfego na cidade. Em praticamente nenhum lugar que tem motolância, ela funciona à noite, pois o trânsito é mais tranquilo nesse horário, explica a coordenadora do Samu local, Lilian de Castro Corrêa Lima.
Dois técnicos de enfermagem vão se revezar na moto. Um deles já foi contratado e aguarda para receber treinamento de direção defensiva e ofensiva, curso ministrado pela Polícia Federal. O outro funcionário ainda depende de ajustes na contratação, mas já passou pela capacitação. O técnico de enfermagem Wanderson Melquias, 36 anos, é um dos condutores da moto. Para ele, o maior desafio no primeiro momento será o período de adaptação da própria população, ainda não acostumada à motolância nas ruas.
Frota
Desde quando foi implantado na cidade, em 2004, o Samu não recebe reforço na frota, e hoje dispõe de cinco ambulâncias convencionais (quatro unidades básicas e uma avançada), além de três viaturas reservas, usadas durante a manutenção e desinfecção das demais. Entre 2008 e 2009, as ambulâncias foram trocadas por novas. As antigas estão no pátio da Empav, aguardando decisão do Governo federal sobre a finalidade dos veículos. O mais provável é que sejam descaracterizados por fora – por dentro já não possuem mais equipamentos do Samu – e sejam reaproveitados como veículo de carga em algum setor da Administração Municipal. O Governo federal preconiza que o Samu deve ter uma de suporte básico para cada grupo de 100 mil a 150 mil habitantes e uma de suporte avançado para cada grupo de 400 mil a 450 mil habitantes. Não adianta eu ter mais do que cinco ambulâncias disponíveis, pois o município só recebe dinheiro para pagar as 20 equipes que se revezam nos cinco veículos.
Na sede, na Rua Benjamin Constant, funciona, ainda, o Serviço de Transporte Inter-hospitalar, responsável pelo deslocamento de pacientes entre as diversas unidades de saúde do município. Para este serviço, a Prefeitura conta com sete ambulâncias terceirizadas.
192 e 193 serão integrados
Buscando otimizar a prestação dos serviços do Samu (192) e do Resgate dos Bombeiros (193), as duas instituições pretendem integrar o atendimento em Juiz de Fora. O objetivo é que se evitem as ocorrências casadas, quando viaturas das duas instituições são acionadas para atender a mesma situação. A iniciativa ainda está em fase de planejamento, mas o diálogo entre Samu e Bombeiros começou no mês passado. Em breve, eles devem integrar suas centrais de atendimento, através de uma linha direta por telefone ou via rádio. O Samu tem médico regulador e nós não. Com a integração, além de evitar o desperdício de recurso público, os bombeiros poderão pedir orientações ao médico do Samu, explica o comandante da Companhia Operacional do 4º Batalhão dos Bombeiros, capitão Emerson Ramalho dos Santos.
Os números de emergência 192 e 193 serão mantidos. A proposta não é colocar os dois sob o mesmo teto, mas melhorar a comunicação, explica a coordenadora do Samu, Lilian de Castro Corrêa Lima. Dessa forma, o atendimento de urgência e emergência contará com as cinco ambulâncias e a motolância do Samu, além das quatro viaturas do Resgate do Corpo de Bombeiros.
A integração já é uma realidade em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Florianópolis, além do Distrito Federal. De acordo com o convênio firmado na capital mineira, por exemplo, as ocorrências que envolvem casos clínicos, obstétricos e psiquiátricos são atendidas prioritariamente pelo Samu. Aquelas que exigem salvamento terrestre, aquático e em altura, envolvam produtos perigosos ou precisem de ações de combate a incêndio são de responsabilidade dos bombeiros. Já em atendimentos de traumas e de várias vítimas, as duas instituições trabalham juntas.
Em Juiz de Fora, a proposta é que, no futuro, outros órgãos sejam inseridos na integração, como polícias Militar, Civil e Rodoviária, Defesa Civil e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), formando uma grande rede de atendimento de urgência e emergência.
Helicóptero à disposição
Atualmente uma parceria já permite ao helicóptero Pégasus, da Polícia Militar, realizar atendimento a pacientes em estado grave. Nesses casos, médicos e enfermeiros do Samu foram treinados para prestar o socorro no veículo aéreo. Como a cabine não é pressurizada, os equipamentos que são usados na ambulância convencional podem ser também utilizados no helicóptero. O acordo entre o Samu e a PM prevê que, nos casos em que seja necessário o uso do helicóptero, a aeronave pousará no campo do Instituto Granbery, no bairro de mesmo nome, na região Central, onde uma ambulância já deverá estar de prontidão para encaminhar o paciente à unidade de saúde adequada.








