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Ocupação da Zona Sul leva a saturação das principais vias


Por Eduardo Valente e Iracema Martins

04/09/2013 às 07h00

Frota em JF aumentou 78% entre 2005 e julho deste ano

Frota em JF aumentou 78% entre 2005 e julho deste ano

Os principais corredores de tráfego da Zona Sul, responsáveis pelos acessos aos bairros São Mateus, Estrela Sul e Cascatinha, atingiram níveis de saturação, com piora gradativa no tráfego observada nos últimos oito anos. Nenhuma grande mudança viária foi realizada neste período, apesar de a frota ter crescido 78% no município. O fluxo de pessoas que circulam naquela área sofreu uma explosão se comparado ao ano de 2005. São pessoas atraídas para a região após a expansão imobiliária, inauguração do Independência Shopping, em 2008, e ampliação de empreendimentos ligados à saúde e educação. A região sofre ainda o impacto do trânsito de passagem, já que as avenidas Itamar Franco, Paulo Japiassu Coelho, Rua São Mateus e Ladeira Alexandre Leonel são utilizadas por quem tem como destino a UFJF, onde o número de estudantes pulou de 15.659 para 20.599 neste período, representando crescimento de 31,5%. A área também é usada por aqueles que entram e saem do município pela BR-040.

Diferentemente do que ocorria há alguns anos, a região comporta, atualmente, duas faculdades particulares, o Centro de Ensino Superior (CES) e a Faculdade do Sudeste Mineiro (Facsum), além de três unidades de saúde. Uma delas, o Hospital Monte Sinai, atende, em média, quatro mil pessoas e mantém internados cerca de 1.200 pacientes por mês. O número de vagas no estacionamento da unidade hospitalar subiu de 50 para 150. Além disso, foi construído em frente o centro médico do complexo, com 562 garagens. Há ainda o Centro de Atenção à Saúde (CAS) do Hospital Universitário, próximo ao Pórtico Sul da UFJF, inaugurado em 2007, responsável por 6.131 consultas, em diferentes especialidades, a cada mês, e a Agência Intermunicipal em Saúde Pé de Serra (Acispes), na Avenida Itamar Franco desde 2009, que leva diariamente às ruas da região pelo menos 18 ônibus com pacientes vindos de outros municípios.

Outra situação que comprova o aumento da circulação no entorno é o número de passageiros nos ônibus que atendem estes bairros. De acordo com a Settra, em abril de 2005, as linhas 112, 115, 514, 524, 526 e 528 totalizaram 218.801 usuários passando na roleta, enquanto que, em abril de 2013, o volume de pessoas transportadas atingiu 269.752.

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Mobilidade urbana

De acordo com o subsecretário de Planejamento do Território da Secretaria de Planejamento e Gestão, Alvaro Giannini, o crescimento daquela área é acompanhado pelo Município. "Atualmente estamos trabalhando firme na revisão do Plano Diretor. Ele será o grande instrumento para que possamos diagnosticar e entender o crescimento urbano de Juiz de Fora, com objetivo de nos adiantarmos aos problemas enfrentados." Conforme Giannini, o aumento da demanda nestes bairros da Zona Sul é resultado do forte período de crescimento econômico observado no período, que traz pontos positivos e negativos. "Nosso grande problema nesta área é a mobilidade urbana. Não podemos deixar que o tráfego piore a qualidade de vida do cidadão e se transforme em fator de inibição da economia."

O presidente da Associação de Moradores do Bairro São Mateus, José Luiz Britto Bastos, que também é mestre em engenharia de transportes, compreende que o crescimento do trânsito na região está ligado ao aumento no número de condomínios residenciais e empreendimentos nos bairros São Mateus, Cascatinha e Estrela Sul. "Os novos prédios que foram e estão sendo construídos aumentaram o número de veículos nas nossas ruas, além do tráfego de caminhões, uma realidade constante por aqui. Não foi feita uma readequação no trânsito e não existe alternativa para fugir do congestionamento. Se você tentar fugir da São Mateus, por exemplo, vai cair na Avenida Itamar Franco, outra via de grande fluxo."

 

Binário em São Mateus é alternativa

Uma das alternativas conhecidas para tentar frear os impactos causados pelo tráfego de veículos naquela área é a criação de um binário no Bairro São Mateus. Pela proposta, apresentada pela Settra no ano passado, a Rua São Mateus seria transformada em mão única e três novas vias seriam abertas, a partir de desapropriação de imóveis e utilização de parte da Praça Jarbas de Lery, na Avenida Itamar Franco. "O projeto ainda existe e faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade Urbana. Estamos esperando a liberação de verbas pelo Ministério das Cidades, mas o projeto executivo já está pronto, só estamos aguardando a confirmação. A ideia geral continua a mesma, estamos apenas adequando as questões de desapropriação, mas ainda não temos uma data exata de quando o projeto será colocado em prática", afirma a subsecretária Operacional de Transporte e Trânsito, Iza Machado.

O engenheiro de transporte e meio ambiente, Cézar Barra, afirma que vários trechos da São Mateus deveriam ser de mão única. "Não sei se daria para fazer mão única agora em toda a via, mas alguns trechos, com certeza, já teriam que passar por essa transformação. Só que transformando em mão única, a via priorizaria os motoristas, gerando problemas para travessia de pedestres, aumentando o número de atropelamentos e de abuso de velocidade por parte dos motoristas."

Moradores e comerciantes da região também sofrem com o trânsito. Segundo a dona de casa Maria Maura da Fonseca, que vive no Bairro São Mateus há quatro anos, para chegar de ônibus ao Centro, é necessário sair uma hora antes devido aos engarrafamentos. Já o comerciante Roberto Carlos Neves reclama do fluxo de veículos pesados. "Vários fios já foram arrebentados dos postes por caminhões que passam aqui na São Mateus. Já os carros particulares, muitas vezes, não respeitam nem o semáforo", desabafou.