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Auditor era ameaçado de morte há dois meses


Por Sandra Zanella

26/07/2012 às 07h00

Vítima estaria estaria sofrendo ameaças de morte por telefone há dois meses

Vítima estaria estaria sofrendo ameaças de morte por telefone há dois meses

O auditor fiscal do Ministério do Trabalho, 58 anos, sequestrado em Juiz de Fora na terça-feira, estaria sofrendo ameaças de morte por telefone há dois meses, conforme informou ontem a delegada responsável pela investigação, Sheila Oliveira. "Inclusive na noite de ontem (terça), após o ocorrido, a vítima recebeu outras ligações ameaçadoras. Os telefonemas são originados sempre do mesmo número, com prefixo 31, provavelmente da região de Belo Horizonte." De acordo com a policial, a vítima já havia registrado ocorrência relacionada às ameaças. O homem, 61, preso em flagrante em Teófilo Otoni, sob suspeita de ser o mandante do sequestro-relâmpago do funcionário público, é advogado e irmão da vítima.

Ainda segundo a titular do Núcleo de Ações Operacionais (Naop) da 1ª Delegacia Regional, o próprio auditor descobriu o envolvimento do irmão no momento de fazer a transferência financeira exigida pelos sequestradores. Pelo número do CPF fornecido à vítima para fazer a movimentação on-line, o nome dele teria aparecido na tela como titular da conta, surpreendendo o fiscal. Conforme a delegada, o preso seria um advogado muito conhecido em Teófilo Otoni e foi facilmente localizado. "Recebi informações de que ele já teria antecedentes por extorsão mediante sequestro. Ele teria tido desentendimento anterior com o irmão por causa de herança, mas não a esse ponto."

De acordo com o delegado chefe da Polícia Federal em Juiz de Fora, Cláudio Dornelas, a descoberta do parentesco derrubou a hipótese inicial de que o crime estaria relacionado às profissões exercidas pelo auditor e por um filho dele, que é policial federal. "Como havia indício de participação do irmão da vítima, fizemos contato com a Polícia Civil em Teófilo Otoni e fomos prontamente atendidos, tanto que a prisão dele foi feita (naquela cidade) momentos depois." O advogado permanece preso no município do Vale do Mucuri, no Nordeste de Minas, e será transferido para Juiz de Fora. O delegado destacou que qualquer crime envolvendo agente do Estado é de grande preocupação da Polícia Federal.

O crime

O sequestro teve início por volta das 13h30 em um estacionamento na Rua Santo Antônio, Centro. Quando entrava em seu Ford Focus parado no local, o auditor foi surpreendido por três homens, que também embarcaram no veículo e estavam armados com duas pistolas e um revólver. A entrada dos suspeitos no estabelecimento foi gravada pelo circuito de vigilância do estabelecimento. As imagens foram requisitadas pela Polícia Militar para auxiliar as investigações. Segundo Sheila, a abordagem foi discreta e não teria chamado a atenção dos funcionários do estacionamento.

Já dentro do carro, o trio teria dito à vítima para não tentar reagir, pois a conheciam e sabiam de sua rotina e endereço. O auditor foi obrigado a seguir até sua residência, em um condomínio na Cidade Alta. Já na casa, a esposa dele, 52, os três filhos, de 22, 26 e 27, e duas domésticas foram amarrados e amordaçados com fita adesiva e colocados em um cômodo. "Mandaram o auditor sentar em frente ao computador e fazer uma transferência de R$ 350 mil. Quando souberam que aquele valor não era permitido, não acreditaram e ameaçaram a vítima, até que ela mostrou que o limite era de R$ 5 mil diários", contou Sheila. O valor permitido foi transferido, e os bandidos ainda exigiram um cheque de R$ 350 mil. Eles também roubaram cerca de R$ 1.500 em dinheiro e quatro celulares.

Família amarrada

"Eles (sequestradores) deixaram a família amarrada dentro de um quarto e fizeram a vítima deixá-los no Centro, perto do Parque Halfeld (na Avenida Rio Branco), onde se misturaram às outras pessoas", informou a delegada. Quando o auditor voltou em casa, os familiares já haviam se desvencilhado das amarras e acionado a polícia, por volta das 15h. As buscas mobilizaram as polícias Militar, Civil e Federal, mas nenhum dos três homens foi localizado.

"Estamos investigando os suspeitos. Pelo o que a vítima falou, os três elementos que praticaram o sequestro sabiam da rotina dela, mas não tinham desenvoltura para andar na cidade. Provavelmente não são de Juiz de Fora,e é possível que também sejam de Teófilo Otoni."