Motorista segue GPS e causa acidente em avenida

Conversão proibida pegou motorista de surpresa
Atualizada às 19h58
Um acidente envolvendo dois carros no cruzamento das avenidas Rio Branco com Itamar Franco tumultuou o trânsito no Centro, no início da tarde desta terça-feira (3). De acordo com informações da Polícia Militar e da Settra, um Fiat Palio, com placa de Viçosa (MG), seguia pela Rio Branco no sentido Bom Pastor/Manoel Honório, quando fez uma conversão proibida à esquerda para acessar a Itamar Franco na direção Centro/São Mateus. Depois de atravessar as três pistas da Rio Branco, o carro acabou batendo em um Nissan Sentra, de Juiz de Fora, que trafegava pela via no sentido Manoel Honório/Bom Pastor. Ninguém ficou ferido.
Após o impacto, o Palio ainda rodou e parou em uma esquina entre as duas avenidas em posição de contramão. Como o veículo precisou ser removido por um guincho, o acidente acabou deixando o trânsito lento na área. O motorista do Palio, um vigilante, 40 anos, disse que não conhecia a cidade e estava trazendo o irmão e a sobrinha para uma consulta médica. Ele contou que fez a conversão indicada pelo aparelho de GPS e que não percebeu que a manobra era proibida. "Como vi o sinal aberto, achei que poderia fazer essa conversão. É a minha primeira vez na cidade e tive dificuldade com a sinalização." O condutor do Sentra, um assistente administrativo, 58, estava com a esposa e disse que tentou frear para evitar a batida. Agentes da Settra controlaram o trânsito até a remoção do Palio.
A chefe do Departamento de Engenharia de Tráfego da Settra, Sheila Menini, explica que a orientação sobre a conversão permitida na via está presente na sinalização horizontal pintada sobre o asfalto e que, na ausência de agentes de trânsito e indicação semafórica, os condutores devem observar a sinalização por placas ou pinturas. "Na faixa da direita, existem duas setas indicando a possibilidade de seguir em frente ou virar à direita. Na faixa mais à esquerda, apenas uma seta, indicando que o motorista pode seguir em frente."
Segundo Sheila, a má distribuição do sistema de GPS se deve à falta de diálogo entre as empresas particulares, que prestam o serviço, e os órgãos públicos. "Os mapas produzidos por elas não levam em consideração a sinalização e o sentido adotados na prática. Aqui na Settra, por exemplo, nunca recebemos nenhuma proposta de acompanhamento para os percursos."
Em menos de um mês, essa é a segunda batida na Rio Branco provocada por manobra proibida indicada pelo GPS. No dia 9 de agosto, um Renault Sandero, de Paraíba do Sul (RJ), transitava pela via no sentido Bom Pastor/Manoel Honório, quando também tentou convergir à esquerda no cruzamento com a Rua Espírito Santo. Ao cruzar a pista central, o veículo acabou chocando-se contra um ônibus. Não houve vítimas. Na ocasião, o motorista do carro disse que não conhecia a cidade e que também seguia o percurso pelo aparelho.
Para o professor do Departamento de Trânsito e Geotecnia da Faculdade de Engenharia da UFJF, Cézar Barra, o GPS deve se comportar como um instrumento de apoio, auxiliando os meios convencionais de orientação, desde a sinalização até mapas de papel. Para ele, a atualização dos mapas em cada aparelho deve se feita, no mínimo, anualmente. "Falta detalhamento nos mapas para utilizar o GPS em perímetro urbano, uma vez que sua finalidade são as estradas. Para evitar eventos como este, a orientação é sempre o planejamento do trajeto. A pessoa deve traçar a rota que pretende cumprir em sites confiáveis que disponibilizam este serviço. O mapeamento no Brasil ainda é um gargalo."








