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Mesmo proibido, cerol é usado nas ruas


Por Tribuna

09/08/2012 às 07h00

O número de crianças nas ruas empinando pipas cresce nesta época de seca e de ventos mais intensos, mas a inocente brincadeira pode representar um risco, quando esconde um perigo: o cerol. Mesmo proibida, a massa formada pela mistura de cola e vidro moído e que é passada sobre o fio pode causar desde interrupções no fornecimento de energia elétrica até a eletrocussão de crianças ou a degola de motociclistas. No trânsito, o cerol também está relacionado à possibilidade de quedas e atropelamentos.

Motociclistas vítimas do cerol podem sofrer lesões significativas dependendo do local atingido pela linha. Em janeiro deste ano, um homem de 40 anos se feriu gravemente após ser atingido no pescoço pela linha de uma pipa no Bairro Santa Cruz, Zona Norte. Apresentando intenso sangramento, a vítima foi socorrida e levada ao Hospital de Pronto Socorro (HPS). Ele teve um ferimento profundo na região cervical e passou por procedimento cirúrgico, ficando internado por sete dias. Em três deles, respirou com a ajuda de aparelhos.

Mesmo sem o cerol, a brincadeira requer cuidados, já que não é recomendado retirar pipas de fios, por causa do risco de choques fatais. No mês passado, um garoto de 14 anos acabou eletrocutado no Granjas Bethânia, Zona Nordeste, ao tentar apanhar uma pipa, usando uma barra de alumínio. Ele encostou no fio de alta tensão e, com a descarga elétrica, não resistiu aos ferimentos, morrendo na hora.

Multa para infrator

O uso de cerol em Minas Gerais é proibido pela Lei 14.349/02, e o decreto 43.585/83 prevê aplicação de multas aos infratores ou responsáveis e, segundo o artigo 129 da lei, também podem ser impostas prisões de três meses a um ano. Caso o infrator seja menor de idade, os pais ou responsáveis respondem pelo crime. Segundo a assessoria de comunicação organizacional da 4ª Região de Polícia Militar (RPM), quem for pego fazendo uso de cerol poderá ser punido ainda por infrações como dano ao patrimônio, caso a linha interrompa o fornecimento de energia elétrica, e lesão corporal, se ocorrer algum acidente.

A recomendação da Polícia Militar é para que a brincadeira aconteça em locais abertos e longe das redes de eletricidade.

De acordo com dados da Cemig, 540 mil consumidores ficaram sem energia elétrica em 2012 em Minas por causa de ocorrências com pipas na rede elétrica. Somente no primeiro semestre, a prática de soltar papagaios foi responsável por mais de 1.800 ocorrências. Em 2011, dois acidentes com vítimas foram causados por papagaios e, em 2010, foram outros dois registros – um deles fatal.

No ano passado, mais de 1,4 milhão de consumidores no estado foram prejudicados com desligamentos causados por pipas presas nas linhas de distribuição. Mais da metade dos desligamentos (3.204) ocorreram exatamente durante o inverno, entre os meses de junho e setembro. A Cemig observa que o cerol pode conter restos de materiais condutores, um dos principais motivos causadores dos desligamentos. Eles causam o rompimento dos cabos de energia e curtos-circuitos quando há uma tentativa de retirar papagaios presos à rede.