Reunião com taxistas termina com promessa de mais segurança

Policiais militares acompanharam a manifestação
Atualizada às 12h48
Terminou agora há pouco a reunião a portas fechadas entre os representantes dos taxistas e o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) para discutir a segurança da classe. O encontro foi marcado durante a madrugada, depois que integrantes da categoria chegaram à casa do chefe do Executivo, terminando um protesto pelo assassinato de um taxista. Também estiveram presentes o presidente do Sindicato dos Auxiliares, Marcos Cleverson, o presidente da Associação de Taxistas, Luiz Gonzaga Nunes, o subcomandante do 2º Batalhão de Polícia Militar, major Sebastião Justino, o chefe de Departamento da Guarda Municipal, major Almir Cassiano, e o secretário de Comunicação, Michael Guedes.
Na ocasião, houve a promessa de maior empenho para melhorar a segurança pública na cidade. Uma nova reunião ficou marcada para essa quinta-feira, às 14h, na sede da Settra. De acordo com o prefeito Bruno Siqueira, o objetivo do encontro será o de aprofundar as questões envolvendo os taxistas e a mobilidade. "O encontro foi muito produtivo, principalmente porque a Polícia Militar se mostrou disposta a nos ajudar. Agora aguardamos para discutir pontos mais objetivos na próxima reunião", disse um dos um dos manifestantes e auxiliar de taxista Leonard Moura.
Será sepultado nesta terça-feira (5), às 16h, no Parque da Saudade, o corpo do taxista Marcelo Luna Alvarenga, 33 anos, assassinado com um tiro na nuca, por volta das 22h50 de segunda-feira, na Rua Margarida Soares Dias, no Bairro Santa Rita, Zona Leste. O corpo acaba de ser liberado do Instituto Médico Legal (IML) e segue para a capela 1 do cemitério. A previsão é de que, após o sepultamento, haja um novo protesto dos taxistas pelas ruas da cidade. A categoria luta por mais segurança, principalmente por quem trabalha no período noturno. Os trabalhadores pedem que os colegas troquem os uniformes por camisas pretas durante a manifestação.
Na manifestação desta madrugada, centenas de motoristas de táxi saíram em carreata pelas ruas pedindo mais segurança aos profissionais e justiça pela morte de Marcelo. Conforme a Polícia Militar, a central da empresa de táxi não teria registrado chamado para o profissional, e o suspeito do homicídio teria embarcado em rua ainda desconhecida. Marcelo, filho de um sargento reformado da Polícia Militar, estava em seu quarto dia de trabalho como taxista. Nada foi levado do trabalhador, que morreu na hora. Após o assassinato, policiais militares iniciaram o rastreamento, mas o suspeito ainda não foi encontrado. Segundo o registro policial, apenas um projétil foi encontrado no local, mas havia duas perfurações, uma na testa e outra na nuca. Com isso, a suspeita é de que a bala tenha transfixado a cabeça da vítima. A Delegacia Especializada em Homicídios já investiga o caso, mas não descarta as suspeitas de latrocínio (roubo seguido de morte) e de execução.
O crime provocou revolta entre os taxistas, que logo se organizaram em uma grande carreata e buzinaço pelas ruas. A manifestação começou no local do assassinato, no Santa Rita, e tomou as principais vias do Centro, quando os motoristas pararam na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Barão de Cataguases. De lá, eles seguiram em direção à casa do prefeito Bruno Siqueira, no Bom Pastor, Zona Sul. Sete viaturas da Polícia Militar e dezenas de policiais acompanharam a ação, que foi pacífica.
Ao descer de seu apartamento, o prefeito Bruno Siqueira conversou com os taxistas e agendou a reunião. O chefe do Executivo vai receber uma comissão formada por profissionais da categoria e disse que tentaria agendar com algum representante da PM. Durante a conversa com os manifestantes, ele prometeu enviar um ofício ao governador Antonio Anastasia (PSDB), pedindo reforço no efetivo da PM na cidade, para que mais militares possam trabalhar à noite, horário crítico para os taxistas, justamente devido à violência. “Já falei com o governador sobre isso, porque precisa botar mais efetivo (de policiais) em Juiz de Fora.”
Após agendar a reunião, os taxistas convidaram o prefeito para formar uma roda, onde todos rezaram um Pai Nosso em homenagem a Marcelo Luna Alvarenga. Apesar de dialogar com os manifestantes durante a madrugada, o prefeito demonstrou descontentamento com a manifestação. “Eu só gostaria de pedir um favor para vocês: que esse acontecimento de hoje não se repita mais. A hora que vocês precisarem, eu atendo na prefeitura. Não precisa fazer isso para eu receber os taxistas”, disse Bruno. “Não é para você receber a gente lá. É para a gente incomodar para sermos vistos”, respondeu um taxista.
Uma das queixas dos trabalhadores é o fato de serem proibidos de recusar corridas a locais que consideram perigosos, sob pena de receberem advertência e até multa. Conforme a Lei Municipal 1.877/05, o profissional tem garantido o direito de pedir a identificação do passageiro, no período das 20h às 8h. Caso o usuário se negue a apresentar o documento, o condutor pode recusar a corrida.








