Moradores do São Mateus se mobilizam por mais segurança

Lígia Rosa Seccadio mostra assinaturas colhidas na vizinhança
Os furtos, arrombamentos e assaltos a estabelecimentos comerciais e residenciais do Bairro São Mateus, na Zona Sul, levaram cerca de 1.200 moradores e lojistas a elaborar um abaixo-assinado, que será entregue às 17h de hoje, no posto policial do bairro, na Rua São Mateus. O documento visa a pedir à Polícia Militar maior patrulhamento na região, evitando novas ocorrências criminais. Os papéis começaram a circular no dia 6 de dezembro e, desde então, a professora Ligia Rosa Seccadio, 49 anos, conseguiu recolher as assinaturas. "Não gostaria que meu bairro se tornasse um local violento", diz, emocionada, a docente, que se surpreendeu com a mobilização da comunidade. A violência já leva alguns comerciantes a fecharem as portas mais cedo, enquanto outros repensam a permanência de seus negócios no bairro. "Só estou esperando vencer o contrato de locação para eu sair", disse o dono de uma loja na Rua São Mateus, que preferiu não ser identificado. "Logo aqui que é um bairro tão charmoso", lamenta.
Após presenciar dois assaltos, sendo um à mão armada, em sua padaria, na Rua São Mateus, a proprietária Ana Cristina Pereira da Costa, 48, passou a encerrar o expediente antes do horário antigo. "Já cheguei a fechar às 22h. Depois do primeiro assalto, passei a encerrar às 21h. Mas, agora, fecho às 20h e sempre deixo alguém na frente da padaria para vigiar." A rotina da comerciante Vânia Margarida Ribeiro, 46, também foi alterada após sua farmácia ser assaltada, há seis meses, quando um bandido armado levou cerca de R$ 150 em dinheiro. "Desde então, depois das 17h, sempre fica um funcionário na frente da farmácia."
Nos últimos dois anos, a banca de jornal de Francisco de Assis Alves da Costa, 57, na esquina da Rua São Mateus com a Engenheiro Bicalho, foi assaltada uma vez e arrombada outras três. A última ocorrência aconteceu há 20 dias, quando o dono chegou para trabalhar e encontrou o local arrombado. O suspeito levou cerca de R$ 400 entre mercadorias e uma TV. "Já fizemos vários pedidos de policiamento, mas é difícil ver policiais por aqui. Antes eles passavam sempre."
A organizadora do abaixo-assinado sugere um patrulhamento de proximidade entre militares e moradores. "Precisamos de policiais que circulem todo dia pelo bairro, conheçam os comerciantes", diz Ligia. "É o conceito de polícia comunitária, que a PM tem, mas nunca coloca em prática. Os policiais que já são conhecidos somem, e aparecem outros que, às vezes, não têm muito traquejo para lidar com as pessoas", completa o presidente do Conselho de Segurança de São Mateus, José Luiz Britto Bastos. Atualmente cerca de 25 militares estão lotados no posto policial do bairro, que conta ainda com dois carros e duas motos da PM.
Queda na criminalidade
O comandante da 32ª Companhia da PM, responsável pela Zona Sul, capitão Ricardo Shafer, informou que vai aguardar a entrega do abaixo-assinado para emitir uma resposta mais específica sobre a demanda dos comerciantes. No entanto, ele adiantou que a região vem registrando sucessivas quedas nos índices de criminalidade e que as estatísticas não mostram a Zona Sul e o Bairro São Mateus como regiões violentas. "De 2009 para 2010, reduzimos em 16% os crimes violentos e os contra o patrimônio na Zona Sul. Tenho que esperar fecharem as estatísticas de 2011, mas tenho certeza que esses índices seguirão em queda." Ainda conforme o comandante, o patrulhamento tem sido intensificado neste final de ano, devido à Operação Natalina.








