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UFJF polariza esporte na cidade


Por WALLACE MATTOS

21/09/2014 às 06h00

Na Liga Nacional, ADJF manda seus jogos no Campus

Na Liga Nacional, ADJF manda seus jogos no Campus

Projeto da universidade, time da UFJF disputa Superliga

Projeto da universidade, time da UFJF disputa Superliga

Tupi treinou rotineiramente na Faefid durante reforma do Estádio Municipal

Tupi treinou rotineiramente na Faefid durante reforma do Estádio Municipal

João Victor é um dos destaques do projeto de atletismo da UFJF

João Victor é um dos destaques do projeto de atletismo da UFJF

Máquinas trabalham na construção de novo ginásio no CampusFOTOS FELIPE COURI

Máquinas trabalham na construção de novo ginásio no Campus. Fotos: Felipe Couri

Quem frequentou o Complexo Esportivo da Faculdade de Educação Física e Desportos (Faefid) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) nas últimas semanas teve a oportunidade de presenciar as três equipes de esporte profissional da cidade, por vezes simultaneamente, utilizando cada uma um espaço do local para desenvolver seus treinamentos. Enquanto o Tupi treinava no campo para a Série C do Campeonato Brasileiro, a Associação Desportiva Juiz de Fora (ADJF)/MRS Logística usava a quadra multiuso para os preparativos visando à Liga Nacional de Handebol Masculino, e os donos da casa se preparavam para o Campeonato Mineiro de Vôlei Masculino.

Com instalações modernas e manutenção em dia, a Faefid, que já era a casa e mãe do vôlei local – a equipe nasceu em um projeto da própria UFJF -, virou refúgio natural para o futebol e o handebol profissionais de Juiz de Fora por motivos semelhantes. Com o fechamento do Estádio Municipal para a reforma de seu gramado e as condições inadequadas do Estádio Salles Oliveira, em Santa Terrezinha, para os treinos da equipe, o Tupi teve que procurar alternativas pela cidade, encontrando no campo da UFJF um local ideal para treinamentos. “É o melhor campo que temos hoje para trabalhar na cidade”, elogia o técnico alvinegro, Léo Condé, lembrando também que tem sido ajudado por outras instituições locais que cedem seus espaços, como o Instituto Metodista Granbery, a Associação Atlética do Banco do Brasil, a Votorantim e o Tupynambás.

Já a ADJF teve poucas opções para fazer tanto a escolha de seu locais de treinos quanto de jogos por conta da inadequação dos aparelhos esportivos existentes hoje na cidade. “Há três quadras oficiais de handebol, com medidas de 40m x 20m. Duas delas estão na UFJF. Então, procuramos a direção da faculdade e conversamos”, explica o técnico da equipe local, Carlos Dias, que além da Federal tem usado também uma das quadras abertas do Granbery para suas atividades.

Para o diretor da Faefid, Maurício Bara, há três aspectos a serem considerados na concentração das equipes locais na UFJF. “Um é a parte acadêmica. Nossos alunos podem, se tiverem interesse, ter contato, se aproximar, interagir com atletas e comissões técnicas que militam e disputam competições importantes. Outra é o papel de toda a instituição de ensino superior, de estar perto, abrir as portas para sua comunidade. Mas também há o lado negativo nisso, uma carência que demonstra a decadência dos espaços esportivos de Juiz de Fora, que não se modernizaram e hoje não atendem mais às exigências de treinos e competições”, lamenta o professor.

Uma relação amistosa e de mão dupla

Não são só as equipes profissionais que têm lugar na Faefid. Projetos de extensão de modalidades esportivas da própria faculdade, como atletismo, futebol, natação e ginásticas artística e rítmica usam o espaço que abriga ainda as atividades da Associação de Tiro com Arco de Juiz de Fora (ATAJF). Segundo o presidente da associação, Dílio Alvarenga, os arqueiros encontraram local propício para praticar seu esporte e, agora, com uma casa aconchegante, projetam crescimento da modalidade e aprofundamento da parceria com a Federal. “A nossa parceria iniciou-se em maio de 2013 e, desde então, temos utilizado a área especialmente para treinos diários de nossos associados, o que nos permite melhoria técnica. O espaço também tem sido usado para workshops, aulas do curso básico de tiro com arco e realização das competições de nível regional. Temos alguns projetos a serem consolidados com a Faefid, e a nossa esperança é de que o esporte cresça na cidade”, deseja o dirigente.

Nesse leque diversificado, há quem se beneficie diretamente da presença dos profissionais em treinamento no Campus. O coordenador do projeto de iniciação ao futebol e professor responsável Marcelo Matta é um dos facilitadores da presença do Tupi no Campus. Além de aproveitar a infraestrutura da UFJF, seus alunos de graduação e os cerca de 60 garotos das categorias sub-13 e sub-15 do programa também têm a oportunidade de contato com os profissionais da bola. “Os alunos do projeto já usufruem da estrutura e de nossos recursos humanos. E sempre que existe uma solicitação do uso do espaço pelo Tupi, a gente exige uma contrapartida acadêmica. Os meninos podem assistir aos treinos, os acadêmicos podem fazer estágio no clube. Tivemos palestras com atletas e integrantes da comissão técnica. Enfim, aproveitamos para poder estreitar essa relação de ensino, pesquisa e prática”, explica.

Demanda

Com o acerto entre a UFJF e as federações de atletismo da China e do Canadá para o período de aclimatação antes da Olimpíada de 2016, a perspectiva é de que a projeção, as melhorias e os frutos da presença de atletas de elite na Faefid não parem. Os primeiros beneficiados diretos serão os participantes do Projeto de Iniciação ao Atletismo, coordenado pelo professor Jorge Perrout. “A faculdade aqui virou um grande laboratório. Sem esse espaço não haveria o projeto de atletismo. Agora temos que nos preparar para aproveitar a estadia dos canadenses e chineses ao máximo. Vamos vir vê-los treinar, observar métodos na prática, mas queremos que a transmissão de conhecimento seja metodológica, por isso iremos preparar cursos, palestras e workshops para produzir bagagem acadêmica com essa vinda deles”, projeta o coordenador que treina cerca de 80 meninos e meninas entre 7 e 17 anos no Complexo Esportivo.

Na esteira da chegada das delegações estrangeiras, a Faefid já passa por obras de renovação de uma antigo ginásio que concentrava atividades de ginástica, dança e lutas, entre outras, e um novo ginásio poliesportivo com capacidade para duas mil pessoas. As obras foram iniciadas há cerca de um mês e meio e devem terminar em um ano e meio. “Acredito que no primeiro trimestre de 2016 estaremos com tudo pronto. Quem sabe não podemos atrair mais uma delegação de outra modalidade olímpica para cá? Com novas instalações, a demanda vai aumentar. Hoje procuramos atender a todas, às vezes não dá, mas tentamos sempre. Acredito que passaremos a buscar mais qualidade nos projetos e podemos nos tornar talvez referência de um novo modelo de faculdade”, prevê Bara.

Ginásio Municipal: sem previsão de retomada

Uma estrutura esportiva que poderia ser utilizada para abrigar treinos e jogos tanto da ADJF como da UFJF, além das quadras do Campus, seria o Ginásio Municipal, cuja construção se arrasta desde 2005. A obra está parada desde o início de 2013 e sem previsão de ser reiniciada. Segundo a secretária de Planejamento, Elisabeth Jucá, o pleito da verba necessária para a finalização da obra já foi feito junto ao Ministério do Esporte, e houve a garantia do Governo federal de que o dinheiro chegará. Só não se sabe quando.

Ao longo do tempo, o montante necessário para finalizar a obra aumentou, como explica Elisabeth. Hoje são necessários recursos mais de seis vezes maiores do que o custo original da construção. “Em 2006 eram necessários R$ 3,3 milhões para construir o ginásio, dos quais foram conseguidos R$ 1,4 milhão. Mais tarde, entre 2008 e 2009, o orçamento passou para R$ 12 milhões, e saíram R$ 4 milhões. Agora, serão necessários mais R$ 20 milhões para o fim da construção. Nosso pedido já está no sistema do Governo federal, e temos o compromisso do Ministério do Esporte que, tão logo seja possível, seremos atendidos. Mas dependemos do Ministério”, diz Elisabeth.

Nas atuais condições, após empenhar quase R$ 7 milhões de verba federal no local, a Prefeitura alega não ter como continuar a construir a arena com recursos próprios. “No total, já foram gastos no Ginásio Municipal cerca de R$ 6,85 milhões. Não há condições de executar a obra com recursos do município, somente de empregá-los em uma contrapartida. As verbas do Ministério do Esporte estavam comprometidas com a realização da Copa do Mundo e estão nas Olimpíadas. Além disso, como estamos em período eleitoral, só deveremos ter novidades sobre os recursos 30 dias após a realização do segundo turno”, explica Elisabeth.

Segundo a secretária de Planejamento, quando for reiniciada, a construção entrará em uma fase delicada que, uma vez iniciada, não pode ser paralisada. “Vamos precisar do aporte de um montante maior nessa fase, pois o ginásio está pronto para iniciar a instalação da cobertura. Essa etapa tem que ser contratada de uma só vez e paga da mesma forma. É a parte mais cara do ginásio”, revela.