Nada no balaio
Café pequeno
Se o povo da Fifa estivesse no nosso país há mais tempo ou ainda se tivesse participado de pelo menos um dos protestos dos últimos dias, com certeza ninguém falaria em abandonar a Copa das Confederações. Os brasileiros são apaixonados por futebol e exímios anfitriões desde que não haja nada em jogo além da bola rolando.
Se a combalida entidade do futebol mundial estiver apenas, com parece, com interesse no bom momento da economia brasileira, pode ter certeza que os nativos vão colocar vassoura atrás da porta. Isso se não derem a alguns visitantes o mesmo destino dado ao bispo Sardinha, apesar da indigestão. Porque não tem coisa que o brasileiro mais odeia do que gente metida à besta.
O povo da Fifa precisa entender que as manifestações não são contrárias ao futebol ou às seleções presentes no Brasil. As passeatas, quando alcançam o mundo da bola, denunciam o que há de mais perverso, que é o uso da paixão ingênua do torcedor para justificar cifras milionárias em estádios superfaturados onde a maioria nunca vai pôr os pés.
Não sei se foram os representantes da burocracia do futebol daqui, que quase unanimemente têm dívidas com a Justiça, mas esqueceram de avisar à Fifa que, de tempos em tempos, por aqui a casa cai. As ruas brasileiras derrubaram ditaduras, elegeram presidente e tiraram presidente. Enfim, botar burocrata do futebol para correr é café pequeno.
É preciso ficar claro também que, embora idolatremos por aqui Pelé e também Ronaldo, já há algum tempo ninguém leva a sério nada do que eles dizem. Se for para ouvir alguém do mundo da bola, que seja o Romário, para quem a Fifa é a mais culpada. Não paga um real de imposto e vai sair daqui, três ou quatro dias depois da Copa, com lucro de R$ 4 bilhões, sem ter gasto um real. É vergonha e é sacanagem com o povo.
O fato é que, independentemente da Copa das Confederações, o gigante acordou. O povo brasileiro resolveu dar um basta em muita coisa presa na garganta. O que nos resta é acompanhar o apelo das ruas e torcer por dias melhores. E assim, entusiasmado e cheio de esperança no futuro, despeço-me desta coluna que frequentei nos últimos anos. Pelo carinho, agradeço aos leitores, e pela ousadia, ao editor de Esporte da Tribuna, Wendell Guiducci.








