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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

13/12/2013 às 07h00

Coisa chata

Até o início da semana, eu achava que a última edição do Campeonato Brasileiro havia sido a mais chata da história do certame. Aliás, por todos os méritos do Cruzeiro, e pela inapetência e ruindade dos demais clubes, tenho certeza. Todavia, o pós-Brasileirão conseguiu ser ainda mais enfadonho. Cenas do próximo capítulo nunca foram tão desnecessárias. Por mérito jurídico ou não, a possibilidade de uma equipe rebaixada na bola voltar pelas portas dos fundos é um desalento. Nada contra o Flu, mas fica a impressão de que há algo de podre no reino da Copa.

Em tempos de alta tecnologia, onde todos têm acesso a tudo em um clique, é inadmissível que o controle sobre regularidade ou não de um atleta recaia apenas aos departamentos amadores dos clubes, seara que permite espaço até para má-fé. Não seria mais fácil ter um sistema computadorizado onde, tão logo uma punição fosse determinada, as penas ficariam disponíveis para clubes, arbitragem, advogados de porta de estádio, imprensa, torcedores, CBF, STJD e afins? Negligenciar isso é gostar de viver em risco, e de ter sua idoneidade constantemente questionada. É também se isentar de responsabilidade da maneira mais fácil.

De antemão, aviso à cartolada que elaborar um aplicativo para isso não é serviço do coisa ruim. Sair das trevas virtuais é mais fácil que contar dinheiro, basta chamar o estagiário de informática da padaria da esquina. Quem sabe assim vocês não consigam por fim às sandrohiroshadas do futebol brasileiro.