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Desempedida na banheira


Por JULIANA DUARTE

24/08/2013 às 07h00

Questão de foco

As torcidas ditas organizadas não cansam de se superar no Brasil. No caso mais recente – até o momento que este texto era escrito -, um bando de cinco corintianos havia sido convidado a comparecer a uma delegacia para esclarecer ameaças feitas ao atacante Emerson Sheik. O jogador foi xingado depois que postou nas redes sociais uma foto dando um selinho em um amigo para comemorar a vitória do Corinthians sobre o Coritiba, por 1 a 0, no último domingo. Ao invés de apoiar a campanha anti-homofobia do atleta, os integrantes da Camisa 12 preferiram levar faixas de protesto à atitude de Sheik.

O pior é que o fato não é isolado, e sim apenas mais um entre tantos atos de intolerância dentro e fora dos estádios. Gritos racistas, brigas com torcedores de outros times ou simplesmente de outras organizadas da mesma equipe são frequentes nos quatro cantos do país. Essas agremiações parecem muito mais preocupadas em mostrar a sua força e fidelidade à bandeira e às regras da torcida que às cores do clube.

Queria eu que atos hostis como estes fossem de vez substituídos por ações hoje, ao meu ver, isoladas, mas que faço questão de aplaudir, como a da Torcida Fúria Independente, do Paraná Clube. Para ajudar o time, que anda com os cofres vazios, a organizada desembolsou R$ 50 mil para estampar seu nome no peito dos jogadores por duas partidas. O dinheiro da venda das camisas também será revertido para o clube.

Mais perto de nós, o torcedor Aloysio Guedes, ligado à Associação Amigos do Tupi (AAT), lançou uma campanha para arrecadar fundos para fazer um busto em homenagem ao atacante Ademilson. A arrecadação já ganhou adesões de dezenas de torcedores e até jogadores. Prova que alguns ainda conseguem manter o foco.