Carolina Serdeira lança disco “Pra ver o sol”

Novo disco lançado nesta sexta-feira nas plataformas digitais apresenta a cantora de maneira mais madura depois de um mergulho em si mesma


Por Cecilia Itaborahy, estagiária sob supervisão de Wendell Guiducci

15/10/2021 às 07h00

Carolina Serdeira
(Foto: Carlos Hauk/Divulgação)

Capa Album Pra ver o solUm mergulho em si mesmo precisa de coragem. Precisa colocar a cara ao sol e aceitar as consequências de se entregar por inteiro. Carolina Serdeira, principalmente na pandemia e por causa dela, mergulhou fundo dentro dela mesma. Nesse tempo de busca, ela se perguntava se com os discos que já foram lançados ela dizia tudo o que queria. O resultado desse processo deu origem ao seu novo álbum, lançado nesta sexta (15) em todas as plataformas digitais, o “Pra ver o sol”. Nele, Carolina conta sua história, de maneira otimista, vislumbrando o momento de, realmente, ver o sol. Livre.

A cantora consegue se revelar mesmo interpretando canções de outros compositores. Isso, de acordo com ela, tem uma explicação. A música que dá nome ao disco, por exemplo, foi feita por Clara Castro. Carolina fala que sempre pede músicas aos amigos compositores e escolhe a que tem mais a ver com ela. No caso de “Pra ver o sol”, Clara compôs para ela, pensando nela. “Minhas amigas, da mesma geração que eu, acabam olhando para as coisas como eu olho. As músicas delas acabam falando por mim”, diz. Essa ainda carrega uma sensação otimista que permeia a forma como Carolina enxerga o momento. Além disso, fala sobre o sol, da voz que leva até ele, do ser natural. A cantora revela ter uma relação com a energia solar, com o dourado que ele esbanja, sendo, também, um ponto de otimismo nas trevas.

Carolina como motivo

Isso de ter música feitas para ela é até normal. Várias do seu repertório foram feitas assim. “Cantar” é de Dudu Costa, que fez pensando na relação que Carolina tem com esse cantar. Ela assume que ele acertou. Ela é assim mesmo. Essa conexão entre os músicos é exalada nas canções.

Outras canções foram surgindo durante o processo de pré-produção, feito de maneira remota, e na produção: uma imersão de duas semanas com os músicos que participaram da gravação. Duas delas já foram lançadas como single, a “Beco da memória”, com participação de Vanessa Moreno, e “Orixá Omi”. Por essa vontade de se colocar inteira, Carolina conta que esse é o primeiro disco que ela mostra sua relação com os orixás, presentes em várias das canções, como em “Clareia”, de Nara Pinheiro e Márcio Guelber, que conta sobre a lenda de Oxum e Oxossi.

Carolina Serdeira
(Foto: Carlos Hauk/Divulgação)

A força do coletivo

É interessante que, mesmo morando em Belo Horizonte há 12 anos, Carolina sempre coloca no disco compositores de Juiz de Fora. Ela, realmente, faz questão disso. Quando saiu daqui foi porque queria mais do que a cidade poderia oferecer. Essa busca por mais é recorrente e nunca acaba. Mas é impossível esquecer o legado dos músicos da cena na sua história. “Eu queria que Juiz de Fora fosse maior de possibilidades para a cena. Se dependesse de mim, o mundo inteiro ia descobrir o que os artistas de Juiz de Fora estão fazendo.” Em todos os discos, eles estão presentes.

“Beco da memória” foi composta por Marku Ribas. Carolina pediu a Júlia, filha do cantor e percussionista mineiro morto em 2013, para gravar uma de suas músicas. Ela entregou vários discos cheios de composições. A cantora se entregou a elas e, ao mesmo tempo, se entregou na que entrou no disco. Ela fala que essa música fala muito sobre ela: “‘Beco da memória’ se conecta com meu jeito de falar. Até ativista eu sou meiga. E essa música é assim. Além de ser super atual, mostrando a força do coletivo. E é otimista também”, fala.

Começo, meio e fim

Os discos de Carolina Serdeira ainda contam histórias. Para ela, faz sentido ser assim. Cada parte do disco foi pensada por ela. Tudo é ela. É a história que ela quer contar e, como ela falou, é dela. “Eu conto as histórias com início, meio e fim, como um livro. Não que esse seja o certo, mas é como eu me encontro hoje. É um roteiro de coisas e eu quero que os ouvintes vivam esse momento comigo.” Isso está presente inclusive na nova roupagem que ela dá às músicas de outros compositores. Ela olha para elas com um olhar livre que trouxe do jazz brasileiro, “nunca foi uma relação de reproduzir”. Ela ouve, entende o caminho que quer seguir e a forma como quer passar a música e mergulha nas histórias. A potência da intérprete está nisso.

Assim como no disco, o show de lançamento, marcado para o dia 30 de outubro no Savassi Festival, em Belo Horizonte, também tem um roteiro – que é até diferente do que está no álbum. As experiências são diferentes. É um outro contexto que requer outras ideias. Até porque, acostumada, agora, a olhar para as câmeras, o próximo olhar é para o público. Carolina se mostra como uma outra pessoa, mais madura pelas transformações. Na apresentação ao vivo, ela também vai conhecer, em outra dimensão, sua nova versão.

Leia também: Carolina Serdeira lança o single ‘Orixá Omi’