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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

12/08/2011 às 07h00

Renovação requer paciência

A cabeça de Mano Menezes está na bandeja, e os detratores ensandecidos por jogarem o restante aos leões. Tudo bem! Eu sei que a campanha na Copa América foi digna de esquecimento. Já deletei de minha memória o pênalti na lua de Elano. Este espaço já está devidamente ocupado por uma cobrança de um certo Baggio, em 1994. Também estou sabendo que não há base ou esquema definido. Mas, peralá! Uma derrota para a forte Alemanha por 3 a 2, em solo germânico, é um resultado mais do que natural. Pedir a demissão do treinador por conta disso é incongruência das grandes.

Já não acredito que o gaúcho chegará a 2014 com o pé firme no banco de reservas canarinho. Mas, modero minhas palavras ao questionar seu apático aniversário no comando verde-amarelo. Um país inteiro cobrou de Dunga uma renovação. Queriam Pato! Ganso! Neymar! Thiago Silva! Estão todos aí. Mano seguiu o caminho aclamado e está pagando o Alexandre, digo, o pato. Entender que os jogadores ainda estão se adaptando à amarelinha é fácil. Compreender que o técnico também tem que se adequar e depende exclusivamente da adaptação dos garotos que é dureza.

Se sou eu o responsável por uma convocação sob a ordem do poderoso chefão da CBF de que renovar é preciso, seria ainda mais radical. Vocês não veriam Júlio César, Lúcio e outros jogando pelo Brasil tão cedo. Já estão aprovados e se encaixariam quando preciso. A hora é de testes. Nosso campeonato é a Copa de 2014.

A torcida precisa ter calma. Independente de quem for o treinador, para poder fazer um bom Mundial em casa precisará ter tido sequência no comando. Os próprios clubes brasileiros finalmente aprenderam isso. Fla e Timão são líderes porque mantiveram o trabalho de um ano para outro. E, claro, reforçaram seus elencos. Principalmente, com medalhões como Ronaldinho, Liedson e – quem sabe? – Adriano. Mano também pode reforçar sua equipe, mas foi orientado a deixar veteranos de lado. Isso influencia no resultado imediato, mas pode render frutos no futuro. Sem falar que o futebol brasileiro não é mais esse oásis de craques como muitos falam.