Aos 25, atrás de uma plástica
Ao completar 25 anos na última quarta-feira, o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio está prestes a passar por sua maior remodelação desde que foi inaugurado. Com verba garantida junto ao Ministério do Esporte de R$ 1.440.000, a Secretaria de Esporte e Lazer (SEL) pretende trabalhar em pontos considerados fundamentais para que o local se torne atrativo para uma delegação estrangeira fazer seu período de preparação antes da Copa do Mundo de 2014, fazendo de Juiz de Fora um Centro de Treinamento de Seleção (CTS).
Assim, pontos como a transformação dos vestiários e a melhoria do gramado são considerados fundamentais e terão atenção especial dentro das obras. Mas o poder público municipal terá de correr se quiser entregar a reforma da arena a tempo do início da próxima temporada sem atrapalhar o começo do Tupi, único clube profissional juiz-forano em atividade e que usa o Mário Helênio como palco de suas partidas, no Campeonato Mineiro. Com o relógio correndo, e se for cumprida a previsão de pontapé inicial do Estadual para o dia 12 de janeiro, os trabalhos têm que estar concluídos em pouco mais de dois meses.
Sabendo que terá prazo apertado para colocar o estádio em condições de atrair uma seleção e também servir o Carijó, o titular da pasta esportiva local, Francisco Canalli, vem se reunindo com o departamento jurídico da Prefeitura para buscar uma forma de agilizar o processo quando a verba para as obras for liberada pela Caixa Econômica Federal.
"O montante já está praticamente disponível na Caixa, somente faltando a análise final. Acredito que em cerca de dez dias teremos a autorização para iniciar as obras. Estamos em contato com o departamento jurídico do município para avaliar esse quesito do tempo. Temos preocupação com o Campeonato Mineiro, queremos fazer de tudo para não atrapalhar o Tupi. É importante fazermos as correções para termos chance de ser uma subsede do Mundial, algo importantíssimo para a cidade, mas é igualmente importante que nossa equipe local não seja prejudicada", considera o secretário.
A intenção da SEL é evitar a abertura de um processo licitatório, que poderia demorar e atrasar a execução das reformas ou até mesmo ser contestado. "Por conta desse tempo curto que temos, se juridicamente for possível, e eu creio que sim, a intenção é contratar a Empav (Empresa Municipal de Pavimentação) para executar a obra. Mas ainda estamos fazendo uma análise jurídica para fugir desse processo demorado que é uma licitação", diz Canalli. Oficialmente, a Empav não se pronuncia sobre a reforma e, segundo informações da assessoria de imprensa da empresa municipal, aguarda um posicionamento oficial em relação a sua participação nas obras.
O que será feito
Assim que os cerca de R$ 1,4 milhão estiverem disponíveis e a executora da obra definida, a reforma do Mário Helênio seguirá um ordem de prioridades. Primeiro, como explica Canalli, acomodações para os atletas e o palco principal dos artistas da bola receberão um trato. "Vamos priorizar as estruturas mais técnicas do estádio. A grama será toda reestruturada, teremos um tapete novo, um gramado de excelência, e os vestiários também sofrerão modificações, reformas e modernizações, atendendo os critérios exigidos para receber uma seleção", diz o secretário, afirmando que itens como a individualização dos boxes dos chuveiros e a instalação de banheiras de hidromassagem estão no topo da lista de melhorias nos vestiários, mas ainda sem saber se o gramado do Estádio Municipal poderá ser completamente trocado. "Só saberemos quando nos reunirmos com quem executará a obra", completa.
Além de remodelar os vestiários e o campo, a verba vinda do Ministério do Esporte também deve ajudar na melhoria da segurança e na realização de um antigo sonho dos torcedores locais. "Também vamos trabalhar a segurança, com o monitoramento de todo o estádio. Hoje, temos um compromisso com a Polícia Militar de, em jogos a partir de 10 mil pessoas, fazer esse monitoramento. Então a gente contrata, por jogo, os equipamentos necessários. Agora teremos um sistema fixo, com tecnologia avançada e uma área destinada ao trabalho dos policiais. Um grande e antigo sonho dos torcedores de Juiz de Fora é a questão do placar eletrônico. Não é um equipamento barato, pois vamos colocar um de qualidade, mas vamos ter um sim", garante Canalli.
O secretário acredita que as obras poderão ser um trunfo não só na atração de uma seleção para Juiz de Fora, mas também de grandes clubes vizinhos da cidade. "Temos uma proximidade muito grande com o Rio, e existe a expectativa de, em 2014, alguns clubes cariocas mandarem jogos aqui, até mesmo por conta do período no qual o Maracanã estará à disposição da Copa do Mundo. Tudo isso será benéfico para a cidade."
Especialista desaconselha troca total do gramado
Se terá que correr contra o tempo para executar a reforma antes do início do Campeonato Mineiro, a empresa que assumir a obra dificilmente terá tempo hábil para trocar completamente o gramado do Mário Helênio, que nunca passou por um processo desse tipo em seus 25 anos. Segundo Flávio Piquet, um dos sócios da Greenleaf, principal empresa fornecedora da grama para os estádios da Copa do Mundo de 2014, a troca completa do tapete da arena local demoraria mais tempo. "É um serviço que deve durar entre três meses e meio e quatro meses, com instalação de novas drenagem, irrigação e o plantio. Em 25 anos, muita coisa mudou, principalmente em termos de substrato. Antigamente, a grama era plantada em placas de barro e colocava-se uma série dessas ao longo do campo. Com o tempo, isso prejudicava a drenagem e, por consequência, a qualidade da grama. Hoje, o substrato é cerca de 85% de areia. Isso também deveria ser trocado", recomenda.
Com pisos como o do Maracanã, no Rio, do Mineirão, em Belo Horizonte, e do Mané Garrincha, em Brasília, e de outros quatro estádios do próximo Mundial no currículo, o sócio da Greenleaf explica que a técnica a ser utilizada seria o limitador de tempo para a remodelação completa do gramado do Mário Helênio. "No Maracanã, por exemplo, como sabíamos da exigência, cultivamos a grama em uma fazenda no mesmo tipo de substrato que é usado no estádio. Então, na hora de plantar, retiramos os rolos e colocamos a grama, que não sentiu diferença, pois já estava nesse substrato. Como não há um gramado cultivado para o estádio de Juiz de Fora, o plantio para a troca deverá ser feito por aspersão de sementes ou ‘springs’ – uma muda de grama que se coloca diretamente sobre o substrato, compacta-se e espera que ela brote e feche o campo."
Piquet recomenda alguns tipos de gramíneas que podem ser usadas no Mário Helênio, que atualmente tem a grama esmeralda em seu campo, para atender às exigências internacionais. Ele vê uma vantagem competitiva em relação aos custos de uma troca do gramado em Juiz de Fora. "Hoje, a grama recomendada internacionalmente é a do tipo bermuda, com certificado de pureza da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos. São três principais subtipos: 419, ‘celebraton’ e ‘tifgrand’, todos de alto padrão. No caso de Juiz de Fora, o custo de uma troca não seria tão alto, pois não há o problema que tivemos nos estádios da Copa. Suas coberturas ficaram muito fechadas, por recomendação da Fifa. Assim, não entra muita luz solar, algo de que a grama necessita para crescer. Então, máquinas que imitam essa iluminação e energia tiveram que ser compradas, aumentando o preço da obra", diz Flávio, sem revelar, por força de contrato, quanto custaram os gramados refeitos pela Greenleaf ou especular quanto seria o valor necessário para isso no Estádio Municipal.









