Os pés pelas mãos
A Copa América começa amanhã
É melhor esquecer as últimas semanas da Copa América. A competição começa para valer amanhã, no primeiro jogo das quartas de final. Ou melhor, no segundo, entre Uruguai e Argentina. O que se viu até aqui em terras portenhas foi um tango triste. Sofrível. Quem queria assistir ao duelo entre o futebol lúdico de Neymar e o lúcido de Messi viu navios. A dupla só apareceu na terceira rodada, contra frágeis adversários, ainda de forma tímida.
Embora igualmente decepcionante, os fatores que levam ao baixo desempenho hermano e brazuca são distintos. Sem ganhar nada há quase 20 anos e diante de sua torcida, os argentinos carregam o mundo nas costas. Messi é responsável por aplacar um drama típico de Carlos Gardel. O time está nervoso. Abusa do individualismo. Contraria o narrador famoso na base do no toco, me voy. A torcida não se entende com o técnico Sérgio Batista, que barrou Tevez e apela a Deus. Pedem Maradona. O triunfo por 3 a 0 sobre a Costa Rica pode apaziguar os ânimos. Os nervos no lugar e a solidariedade de los hinchas, por incrível que pareça, pode dar samba.
No Brasil, a questão é estrutural. O time está no alicerce. Mais ou menos como nossos estádios, o importante é estar pronto para a Copa. Mano Menezes é injustamente criticado. Está fazendo o que todo brasileiro pediu, montado um time baseado nos jovens Ganso, Pato e no futebol empavonado de Neymar. É preciso tempo para encaixar o futebol que todos esperam. Sou suspeito para falar, pois gosto do trabalho do treinador. Um cara que se perpetua, passa incólume, e deixa clubes como Grêmio e Corinthians pela porta da frente merece respeito. Contudo, é mais prático que teórico. A base de seu trabalho está no dia a dia e na confiança de todo o grupo. Na Seleção, essa relação só acontece com o tempo. Se Mano tiver o time na mão, a possibilidade do Brasil colocar as mãos na taça aumenta vertiginosamente. A máxima política deixa o homem trabalhar devia ser seguida no mundo do futebol.
Apesar do início pouco animador, tal Caetano, aposto que Brasil e Argentina crescerão na fase final e se encontrarão na final, em mais um daqueles jogos que entrarão para a história. Ou não.









