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Desimpedida na banheira


Por JULIANA DUARTE

02/11/2013 às 07h00

M1TO

Mandão, polêmico, instável dentro e fora de campo, chato. Recordista de partidas, jogador de um só time, exímio batedor de faltas e pênaltis, líder dentro e fora de campo. Nem herói, nem vilão. Esse é Rogério Ceni: para os adversários, chacota; para a torcida são-paulina, exemplo.

Em um tempo em que o normal é a corrida pelo melhor contrato, em que craques são descobertos aos 14 anos e caem no esquecimento aos 20, no qual os ganhos com publicidade são maiores que os salários ou premiações, e no qual se faz leilão até por vaga em Seleção, Rogério Ceni é mesmo uma figura ímpar.

Um atleta que jamais trocou de camisa, que aceitou calmamente anos de reserva até assumir a titularidade, que sempre se identificou com clube e torcida, goleiro e artilheiro, presente nas principais conquistas da história do time não merece menos que o título de M1TO.

Um doce a quem encontrar um tricolor que conteste nosso capitão. Uma bandeja deles a quem apontar, nos rivais, trajetória equivalente.

O torcedor brasileiro já não está mais acostumado a ter ídolos. E aí vem a velha história: quando o macaco não pode alcançar a fruta, diz que está podre.

Me perguntam se sou a favor da aposentadoria de Ceni. Respondo: sim! Mas questiono sua decisão de continuar? Não! O M1TO tem sempre razão.