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Na orelha da bola


Por WENDELL GUIDUCCI

15/08/2013 às 07h00

Um cara cabeça

O Alex Cabeção está me saindo melhor que a encomenda. Além de bater um bolão e elevar o nível do Campeonato Brasileiro com suas elegantes atuações pelo Coritiba, o jogador polemizou esta semana. Eu não gosto de aspas nem de vírgulas e tampouco de reticências, mas, para ficar nos sinais gráficos, deixa eu abrir parênteses aqui para explicar a marcação no verbo polemizou (é que hoje em dia anda tão difícil ser sincero para as pessoas públicas que qualquer comentário que fuja da chapa branca, do insosso e do absolutamente anódino vira polêmica).

A crítica do sempre cabeça Alex na semana passada, em entrevista ao jornal Lance!, foi aos horários dos jogos do Campeonato Brasileiro no meio da semana. Alex ponderou: se ele que é milionário e vive de jogar bola acha terrível ter de ficar o dia inteiro concentrado em um hotel, esperando a hora de ir para o campo, imagina o cara que trabalha o dia inteiro, encara trânsito ou trem ou ônibus ou tudo isso junto para chegar ao estádio e assistir a um jogo que começa às dez horas da noite. E aí pra voltar é outra odisseia, e se o cara mora na periferia de uma grande cidade, já viu. E ele que se vire pra acordar às seis, cinco, quatro.

Alex, pra ser sincero, o pessoal não esperava mais de você do que educação, parafraseando Humberto Gessinger, messias do Guaíba. Mas aí você tinha que dar nome aos bois, falar que a CBF é apenas uma sala de reuniões, que quem cuida do futebol brasileiro é a Globo, que o jogo só começa depois do último beijo da novela, que o que estão fazendo com o futebol é desumano. Cabeção… você não se cansa de fazer golaço?