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Papo de gandula


Por WALLACE MATTOS

14/01/2014 às 07h00

É chato e tem que acabar

Caros e caras, como otimista que sou, esperava não ter que escrever aqui sobre a polêmica do rebaixa-não-rebaixa envolvendo Fluminense, Portuguesa, STJD, Coelhinho da Páscoa, Mula-Sem-Cabeça e outros bichos do folclore vasto de nosso futebol nacional. Para mim, esse assunto de jogos e campeonatos sendo decididos nos tribunais sempre foi chato. E olha que nos últimos anos tenho de acompanhar frequentemente julgamentos e decisões importantes para nosso Tupi. Só para ficar em um exemplo distante e outro envolvendo o próprio Carijó: o caso Treze e o do massagista Esquerdinha. E tome horas e horas mergulhado no Código Brasileiro de Justiça Desportiva, falando com advogados dos quatro cantos do país. Confesso, uma chatice, mas que faz parte, infelizmente, da organização do futebol em terras tupiniquins.

Nem vou entrar no mérito da decisão em si de tirarem pontos da Lusa e do Flamengo tomada pelos auditores do STJD. Mas queria deixar minha opinião sobre o que acredito que vai acontecer e o que eu gostaria que acontecesse depois dessa confusão toda. Como acho que será: depois de uma batalha de liminares na Justiça comum, a CBF, mais uma vez, verá que, em ano de Copa do Mundo no Brasil, não haverá tempo hábil para cassar todas e terminar os processos antes de 2034. Em audiência preliminar, fará acordos com quem moveu as ações com a garantia de inclusão de todos os clubes que desceram no Brasileirão desse ano em sua próxima edição ou vai tirar o corpo fora como fez em 2000, passando às associações das equipes – como Clube dos 13 e Brasil Futebol – a responsabilidade de organizar o torneio nacional (vem aí a segunda edição da Copa João Havelange). Ou seja, fica todo mundo que caiu, sobe todo mundo que subiu e ainda dá para resgatar mais alguns perdidos nas séries inferiores interessantes politicamente.

Já o que eu queria que acontecesse é: a Justiça comum dá um golpe fatal no STJD, pois anula sua decisão nos casos citados, abrindo precedente que inviabiliza continuidade das atividades do Tribunal, todos os rebaixados no Brasileirão 2013 são mantidos e é criada uma comissão de penas que se reúne às segundas-feiras após as rodadas (às sextas-feiras quando jogos forem disputados no meio de semana) e, no mesmo dia, já se sabe, de acordo com uma tabela pré-estabelecida de penalidades, qual será a punição dos atletas envolvidos em infrações pelas regras e códigos disciplinares que regem o futebol no país. Um sistema parecido com o da Inglaterra. Mas, em ano de eleições na CBF, isso nunca acontecerá.