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Os pés pelas mãos: os números não mentem, e o trabalho dignifica


Por Renato Salles

16/03/2012 às 06h00

Dizem que os números não mentem. Mais ligado às palavras, não levo muita fé nisso. Só se forem os algarismos romanos e suas letras. Enfim, após a vitória por 3 a 0 contra o Boa, no último sábado, a matemática da UFMG apontou o Tupi como um dos principais postulantes à quarta vaga nas semifinais do Campeonato Mineiro. Mesmo não me apegando às estatísticas, é, sim, um grande estímulo. Mas, como diz o amigo e colega de redação Wallace Mattos, é melhor deixar de lado prognósticos numéricos e apostar na bola rolando.

Por confiar no que tenho visto dentro das quatro linhas, dessa vez, concordo com os matemáticos. O Tupi é sim um dos favoritos na luta pela quarta vaga. A evolução carijó desde a chegada do técnico Moacir Júnior é visível. A equipe vem de dois triunfos e sua melhor partida no campeonato. Segura na defesa, não foi vazada. Melhor do que isso, o ataque funcionou, com variações de jogada dos dois lados, com Ademilson centralizado e em dia com as redes.

Mesmo com os três desfalques – Jailton, Léo Salino e Flávio não pegam o América-TO -, acredito em mais uma vitória amanhã. Sabe quando parece que o time pegou seu jeito, independente das peças? É assim que vejo o Carijó desde o último jogo e nos treinamentos da semana. O ambiente é de confiança e isso é meio caminho andado no futebol. Basta ver que, com a autoestima em alta, Obina foi ‘melhor que Eto’o’ e fez um caminhão de gols no Flamengo, em passado recente.

E a fiança de um melhor horizonte, independente da força e do poder de bastidores das equipes locais e dos clubes próximos a elas, vem de uma virtude: o trabalho. Desde a chegada de Moacir são praticamente cotidianos os treinos em dois períodos e bola rolando até o cair do sol. Mesmo com toda ralação, o ambiente é positivo. A mesma sabedoria que garante que os números – que os da UFMG estejam entre estes – não mentem, prova que o trabalho é dignificante. Caso contrário, o valor de mercado de Adriano não teria caído 95% em seis anos.