Os pés pelas mãos
Tem coisas que só acontecem com…
Dizem que tem coisas que só acontecem ao Botafogo. É bem verdade. Mas o direito ao inusitado não é exclusivo do Alvinegro de General Severiano. Todo grande clube possui, em sua história, sua cota de situações inusitadas. A experiência mais recente foi vivenciada pelo Flamengo. Aqueles que acham que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar deveriam ser apresentados ao goleiro Lauro, hoje na Portuguesa. Nome, Lauro. Sobrenome, improvável.
Agora, talvez, o camisa 1 da Lusa deve ser o arqueiro que provoca os sentimentos mais dúbios no torcedor rubro-negro. Não é, de forma alguma, um goleiro extraordinário. Cumpre sua parte com boas defesas e segurança debaixo das traves. Tampouco tem complexo de Rogério Ceni. Não se mete a cobrar falta ou pênaltis. Não faz jus à alcunha de artilheiro. Tem dois gols na carreira. Ambos contra o Fla, de cabeça, empatando jogo perdido. O mais mágico, a distância entre os tentos é de 10 anos. E três dias, para não parecer causo de pescador. Pelo inusitado, o Lauro colocou seu nome na história do futebol e na memória dos flamenguistas.
Ok! Sei que até aqui não contei novidade alguma. Mas o fato é que trata-se de mais um daqueles feitos que nos fazem ser tão apaixonados pelas alegrias e tristezas que o futebol nos proporciona. Ontem, ainda na redação, o flamenguista e repórter fotográfico da Tribuna, Leonardo Costa, confidenciou o que sentiu nos minutos do duelo com a Lusa. Disse que, quando viu Lauro subindo para a área, o lance de dez anos atrás voltou à sua mente como uma foto parada no tempo. Como um temor. Comentou com outro torcedor o receio de que a história se repetisse. Foi repreendido. Vira essa boca para lá. Com a bola no fundo da rede, olhou para o amigo, resignado e vitorioso – mesmo com o empate – por ter antevisto a história. Coisas de fotógrafo.








