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Juiz-forana é aprovada em escola francesa, mas pandemia ameaça entrada no país

Por situação sanitária no Brasil, Governo francês impede entrada de estudantes brasileiros; movimento nacional pede liberação


Por Gabriel Silva, sob supervisão da editora Fabíola Costa

20/06/2021 às 07h00

A vida acadêmica da juiz-forana Geovana Franco, estudante de Engenharia Química na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), teve um momento decisivo no ano passado: a aprovação em um programa de duplo diploma na École Centrale de Marseille, conceituada escola de engenharia localizada na cidade de Marseille, na França. O que seria motivo de comemoração, no entanto, tem despertado apreensão na estudante por conta da proibição da entrada de estudantes brasileiros em território francês, estabelecida em função da situação epidemiológica do Brasil. O impedimento mobiliza estudantes de todo o país, com o movimento #etudierestimpérieux (“estudar é imperioso”), que pede a autorização excepcional para a entrada na nação europeia.

Aluna do 6º período da graduação, Geovana tinha a formação complementar em Marseille como objetivo desde 2017, quando realizava vestibular para ingressar na universidade. Em 2020, já acadêmica da UFRJ, ela teve a aprovação na École Centrale de Marseille para obtenção de duplo diploma: um modelo de formação que oferece a oportunidade de obter um diploma reconhecido pelas duas instituições nas quais o estudante realiza a graduação.

As aulas da estudante estão marcadas para começar no dia 23 de agosto, o primeiro dia de uma formação de dois anos. “Mas com essa questão de não saber se vamos conseguir visto, vai acabar ficando bem em cima da hora pra ver moradia e passagem”, lamenta Geovana. “Hoje eu faço Engenharia Química e tenho a pretensão de trabalhar na indústria de cosméticos, e a França é uma grande expoente nessa área”, justifica.

Desde o dia 23 de abril, a Embaixada da França no Brasil impede a emissão de vistos a estudantes e pesquisadores. A medida se deu após a retirada da categoria dos grupos considerados “imperiosos”, que são aqueles que excepcionalmente podem entrar no país. O Brasil tem restrições mais severas para entrada em território francês por fazer parte dos países considerados em zona vermelha, a mais perigosa em relação à pandemia. “Em suma, o país está classificado como uma zona vermelha e países nessa zona só podem entrar na França por motivos imperiosos. O que eu acredito que seja o mais prudente, dado o estágio da pandemia por aqui. A luta dos estudantes tem sido para incluir os estudos como motivo imperioso”, explica a estudante juiz-forana.

Étudier Est Impérieux

Vivendo situações semelhantes, centenas de estudantes de todo o Brasil inauguraram o movimento “Étudier Est Impérieux” para reivindicar a liberação da entrada de estudantes na França. São cerca de 350 alunos que passaram em exames e processos seletivos, que buscam abrir a mesma possibilidade que a Embaixada da Índia conseguiu junto aos franceses, de, mesmo na na categoria vermelha, ter viabilizada a obtenção de visto por motivos estudantis.

A causa ganha volume e repercussão diariamente. No último domingo (13), em resposta ao perfil do movimento brasileiro no Twitter, a senadora do Partido Republicano francês Joëlle Garriaud-Maylam afirmou que “não há razão para impedir que os alunos continuem suas carreiras universitárias, especialmente se eles forem vacinados e fizerem exames”.

Nesta semana, o grupo se movimentou apresentando cartas ao Ministério de Relações Exteriores (MRE), à Embaixada do Brasil em Paris, ao Ministério de Educação Superior, Pesquisa e Inovação, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e ao Ministério do Interior.

Ainda sem uma definição sobre a efetivação da formação em Marseille, Geovana convive com a ansiedade. “Essa dupla diplomação é algo que eu planejo desde 2017, quando resolvi tentar o Enem e ir pra UFRJ. E todo meu curso na faculdade foi voltado pra manter boas notas, não ter reprovações e fazer atividades coerentes na universidade. Então, bate uma ansiedade muito grande com essa incerteza”, lamenta.