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Perigo nas ruas e nas estradas ronda praticantes da modalidade


Por Renato Salles

07/10/2011 às 07h00

Além de deixar o esporte local de luto, o acidente que vitimou a triatleta Beatriz Hollanda trouxe à tona a segurança dos atletas nas ruas e estradas da região. Por falta de espaços adequados ou pelas características de determinados esportes, rodovias federais, estaduais e vicinais são comumente utilizadas por ciclistas, triatletas e mountain bikers no dia a dia de seus treinamentos. A prática é alvo de preocupação das autoridades. O inspetor da Polícia Federal, Wallace Wischansky, é taxativo. "Só tem uma solução para evitar este tipo de fatalidade: não pedalar em rodovias."

A realidade, porém, é outra. Modalidades como o triathlon, onde as próprias provas são, em geral, disputadas em estradas, requerem que os alguns treinos sejam realizados nas rodovias. "Meus treinamentos são realizados na BR-040. Hoje, considero um dos locais mais seguros, com asfalto regular, boa sinalização e acostamentos", avalia o triatleta Lucas Leite.

A necessidade do uso de equipamentos de segurança é unânime entre esportistas e autoridades. "Hoje em dia, você saiu na rua, está correndo riscos. Por isso, é necessário usar capacete, luvas e óculos", afirma o mountain biker Thiago Aroeira. Wischansky aponta outros cuidados, como a utilização de roupas com cores fortes e dispositivos refletivos, que auxiliam na visualização dos motoristas. "Porém, no acidente de hoje, nenhum equipamento evitaria a fatalidade. Rodovia não é local de treinamento. Pode até ser de deslocamento. O treinamento exige do ciclista manobras que pedem concentração e podem desviar sua atenção."

Para o triatleta Marcos Hallack, a falta de espaço adequado para os ciclistas na cidade agrava os riscos. "Sei que o que aconteceu com a Beatriz foi uma fatalidade. Mas, não há como não pensar no fato de ela estar na BR-040 porque não há um único espaço em nossa cidade voltado para o ciclista. Estou voltando da Europa, onde pedalei em todas as cidades nas quais estive, em ciclovias sinalizadas. Aqui, não há nada, nem uma placa, nem uma faixa pintada no chão dizendo ‘respeite uma vida’, a que está em cima da bicicleta."

O secretário de Esporte e Lazer, Renato Miranda, reconhece a falta de espaços destinados aos ciclistas na cidade, porém não acredita que isto tenha qualquer influência na fatalidade. "A questão da ciclovia é uma preocupação, até por questões de mobilidade urbana. É um desafio grande para a cidade por suas características geográficas. Porém, o treinamento em estradas é uma característica deste tipo de desporto. Talvez nossas estradas precisem de uma infraestrutura voltada a atender a esses atletas. O município está disposto a ajudar, mas esta é uma discussão mais complexa."

Cuidados

Responsável pela administração do trecho onde ocorreu o acidente, a Concer enumera alguns cuidados necessários para a segurança de ciclistas e pedestres: obedecer e respeitar a sinalização de trânsito; cruzar a pista apenas onde exista sinalização; fazer conversão em lugares adequados; segurar o guidão com as duas mãos; nunca andar na contramão; nunca agarrar a carroceria de um veículo em movimento; sempre usar equipamentos de segurança; verificar as condições da bicicleta; e respeitar a legislação de trânsito.