Na orelha da bola – Ele e a 51
Você viu o Maracanã, né? VIU o Maracanã? Tá lindo, lindo, lindoooooo! Que trem chique que ficou, nossa senhora! E você viu… heim? Ah, a fachada, isso mesmo! A fachada… preservaram a fachada, que era o mais importante. Engraçado… justamente aqui, onde ninguém liga pra esse negócio de patrimônio, de história e coisa e tal… tiveram essa ideia de preservar a fachada do Maior do Mundo. Você sabe que o Maracanã é o Maior do Mundo, não sabe? É, claro que sabe, claro que sabe, rárárá…! Aí eles tão de parabéns… preservaram a fachada. No Mineirão também, no Mineirão também! Isso! O Mineirão é o Gigante da Pampulha, você sabe né? Sabe, claro…
O quê? Por dentro? Tecnológico, tecnológico… tudo chique demais da conta mesmo. Tá certo, o Maior do Mundo acompanhando a modernidade. Mais confortável, né? Bonito demais, bonito demais. Tão de parabéns também, não é porque é Brasil que tem que ser tudo avacalhado. Não senhor! Ora essa! Só quem já sentou a popa na arquibancada de concreto quente sabe a dor… aquilo quando esquenta é ímã de hemorroida, rapaz… Tão de parabéns mesmo. Se eu fui? Não, claro que não… não dá, né? Não tenho bala pra isso não, tá doido…
O Brasil? Despediu do Maracanã contra a Inglaterra. Pode escrever aí. Você escreve? Rárárá… nem sabe escrever, nem tem mão, rárárá! Mas escreve aí: o Brasil não joga no Maracanã nem na Copa das Confederações nem na Copa do Mundo. Domingo foi kissy, kissy, bye, bye, ráááááááááárárárárá…
Isso foi o que deu pra ouvir da conversa entre o cara sentado no meio-fio e a garrafa de 51 na sua mão, na esquina da Rua Carlos Monteiro com a Padre Café, às duas da tarde de uma quarta-feira mal-iluminada por um solzinho salafrário. Ou teria ouvido, se tivesse descido da condução para escutar de verdade.








