Os pés pelas mãos
Nos trilhos e com a janela fechada
O maior campeonato do mundo! É assim que boa parte de nossa imprensa se refere ao Brasileirão. Sempre confiei na máxima. Do meu jeito, matuto. Desconfiando. A verdade é que, nos últimos anos, os descarrilamentos são menos frequentes. O futebol brasileiro parece cada vez mais nos trilhos da competitividade e do profissionalismo. Além do presente, pensa-se também no futuro. Existe planejamento.
Um dos sinais que acenam o rumo certo é o fato de a janela de transferências internacionais, pela primeira vez nos últimos anos, não ter deixado grandes prejuízos. Pergunte a qualquer torcedor, quem saiu no meio do ano? Poucos se lembrarão. Talvez, um cruzeirense lamente: O Thiago Ribeiro. Ou a lamúria venha de um tricolor: Pô, o Conquinha. Sem maiores reclamações, porém, as equipes que irão em busca do título, da Libertadores ou de se manter na Primeirona no returno são, praticamente, as mesmas que disputaram o turno.
Os clubes brasileiros parecem ter enxergado o óbvio. Mais vale um campeonato forte do que um punhado de euros por um bom jogador. Isso só interessa aos empresários. Nem aos boleiros, com os salários cada vez mais inflacionado e a fama de popstar arrepiando os cabelos, o oásis do futebol internacional se faz necessário para conquistar a independência financeira ou costurar o pé de meia.
Com o gargalo que escoa o talento de nossos gramado cada vez menor, o Brasileirão ganha em emoção. Sempre competitivo, o torneio não é mais nivelado por baixo. Se Corinthians, Vasco, Bota, Fla e São Paulo disputam o título ponto a ponto é por terem grandes times e elencos. Pergunte ao torcedor da Estrela Solitária há quanto tempo ele não vê bons jogadores como Elkeson, Maicosuel, Abreu e companhia em seu time? Silenciosa, a resposta virá em olhos marejados e sorriso no rosto.
Esta é uma equação em que todos podem sair ganhando. Clubes e atletas, gananciosos por cofres cheios, e torcedores, ávidos por respeito ao futebol brasileiro, pagando a conta e sorrindo de orelha a orelha.









