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Nada no balaio


Por RICARDO MIRANDA

24/12/2011 às 00h00

Papai Noel

O menino quer uma bola. Não uma bola aprovada pela FIFA ou autografada pelo Ronaldinho Gaúcho, com as cores do Flamengo. Ele quer uma bola de pelada mesmo, dessas vendidas até nos antigos armazéns de secos e molhados. Foi essa bola real, possível no seu dia a dia, que o menino pediu na cartinha deixada nos Correios para ser enviada ao Papai Noel. Nas poucas linhas escritas com lápis de ponta grossa, há uma justificativa para a ousadia do pedido: Passei de ano.

O preço (pago) do sonho: ser aprovado da terceira para a quarta série. Deixei a agência dos Correios, na Rua Marechal Deodoro, e fui para a Câmara Municipal acompanhar a votação do aumento do salário dos vereadores. O pedido deles, nada modesto, foi elevar seus salários de R$ 10 mil para R$ 15 mil. Procurei alguma justificativa, escrita ou falada, mas não tinha. Não se sabe ainda se eles passaram de ano, se foram aprovados. Isso só as urnas vão dizer. E somente quem chegar lá levará o presente.

Não somente o caso dos vereadores locais, mas o noticiário está repleto de pedidos descabidos ao Papai Noel. O Cruzeiro, por exemplo, que manter o Montillo, mesmo sem ter feito o dever de casa em 2011. O São Paulo padece do mesmo mal. Por outro lado, o Corinthians, que teve todos os pedidos atendidos no ano, ganhando mais um título, seu estádio e até a CBF, parece não ter fundo. Os times do Rio de Janeiro também foram aprovados, mas sabem das limitações do Papai Noel daquelas bandas.

Por aqui, não sei dos pedidos do Tupi, mas espero que o Papai Noel tenha o Carijó em alta conta. Se for possível dar uma turbinada nos patrocínios, nem é preciso chegar ao patamar do reajuste dos vereadores, pode ser viável chegar à Série B do Brasileirão, expondo Juiz de Fora no noticiário nacional da forma como a cidade merece ser vista. Quanto ao menino, sua bola já foi despachada. Custava R$ 15, mas saiu por R$ 10.