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Tão perto, mas tão longe: torcedores de JF projetam emoção em casa em final da Libertadores

Santista e palmeirense relembram histórias dos últimos títulos continentais comemorados e se apegam às superstições para a decisão


Por Iuri Fontana, estagiário sob a supervisão do editor Bruno Kaehler

29/01/2021 às 06h58

destacada Santos x Palmeiras Arquivo Pessoal
Nos registros, os juiz-foranos Wendell Albuquerque, ao lado da esposa, e Lucas Motta (Fotos: Arquivo Pessoal)

Neste sábado (30), o Maracanã recebe, às 17h, a final do torneio mais importante do continente entre clubes, a Libertadores da América. Um desfecho de competição muito especial para o Brasil, afinal, dois clubes do País disputam a taça: Santos e Palmeiras. Justamente na final mais brasileira dos últimos 14 anos – desde São Paulo e Internacional, em 2006 – e com o palco do confronto localizado no Rio de Janeiro, a partida será disputada sem público por conta da pandemia. A Tribuna ouviu dois torcedores juiz-foranos, um alvinegro e um alviverde, que contaram suas expectativas para o clássico histórico, que será visto de casa por ambos, por conta da pandemia.

‘O tempo não passa’

Para o jornalista e torcedor do Peixe Lucas Motta, os 15 dias desde a semifinal, na qual o Santos eliminou o Boca Juniors, se transformaram em três meses, tamanha a ansiedade para a partida. “Hoje, faltando dois dias, parece que ainda falta um mês. O tempo não passa. Cada hora do dia eu penso uma vez pelo menos no jogo e em tudo o que pode acontecer.”

Em 2011, o Santos de Neymar e companhia faturou o caneco na última final de Libertadores disputada pelo Alvinegro Praiano. Durante aquela campanha, Lucas ainda era estudante e tinha uma prova minutos antes de um jogo decisivo, o que não foi um obstáculo. “A prova começava 40 minutos antes do jogo. Eu fiz a prova mais rápida da minha vida e desci correndo para ver o Santos, porque morava perto da faculdade.”

Mesmo longe da arquibancada, o alvinegro tem cadeira “numerada” em casa por conta de uma importante aliada, a superstição. “Eu vou ver o jogo em casa, onde eu determinei que é o meu lugar da sorte aqui nessa Libertadores, no meu sofá do lado esquerdo e com o carregador na mão. Não sei porque, mas a superstição a gente não escolhe. Vai dando certo, a gente vai aderindo tudo.” Questionado se acompanharia presencialmente a final em um contexto de normalidade, o torcedor é enfático na resposta. “Com certeza. No mínimo no Rio de Janeiro eu estaria.”

‘Brinquei que estava pesquisando em como entrar no Maracanã escondido’

Do lado alviverde, o servidor público Wendell Albuquerque ainda não decidiu onde vai acompanhar o jogo, mas provavelmente será em casa e com um detalhe: sozinho. “Eu gosto de assistir jogo sozinho, porque eu tenho as minhas reações, eu grito, tenho as minhas superstições. Acho que assistir um jogo comigo deve ser engraçado, a pessoa pode me achar um pouco maluco.”

O único título da Libertadores conquistado pelo Porco foi em 1999. O torcedor juiz-forano, na ocasião com 13 anos, acompanhou a final de casa e precisou se conter na comemoração. “Foi o grito mais silencioso que eu dei na minha vida. Era muito tarde, já tinha passado da meia-noite e eu não podia gritar porque já estava todo mundo dormindo e entre os meus vizinhos ninguém era palmeirense. Era só eu, com a casa apagada, a luz da TV no meu rosto e lágrimas nos olhos. No dia seguinte gastei meu dinheiro comprando o Lance! para ver as notas dos jogadores e o pôster.”

Ao pensar na proximidade geográfica com a final, o palmeirense lamenta a impossibilidade de acompanhar a partida e conta que brincou com a esposa que pensou em invadir o Maracanã para ver o time jogar. “Com certeza eu estaria no Maracanã em um contexto normal. Inclusive até brinquei com a minha esposa que eu estava pesquisando no Google como entrar no Maracanã escondido. Não tenho dúvida nenhuma de que eu estaria no Maracanã. Aliás, se não fosse essa pandemia, eu estaria em qualquer lugar da América para ver essa final.”