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Cada dia mais longe da Copa


Por WALLACE MATTOS

01/12/2013 às 07h00

Faltam pouco mais de 190 dias para o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, e o clima da competição promete ferver de vez na próxima sexta-feira, dia 6 de dezembro, quando será realizado, a partir das 13h, em um resort na Costa do Sauípe, na Bahia, o sorteio dos grupos do Mundial. E enquanto muitos estarão ligados em quais seleções se enfrentarão na primeira fase, que chaves são fáceis e quais as mais difíceis, na região de Juiz de Fora e Matias Barbosa, cidades que têm candidatura conjunta para serem Centro de Treinamento de Seleção (CTS), a expectativa é por quais equipes devem atuar em cidades-sede próximas, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, para tentar seduzi-las a fazer sua adaptação antes do torneio por aqui.

Os detalhes do sorteio só serão divulgados na terça-feira, mas os classificados para o mundial estão definidos. Já se sabe que, além do Brasil, serão cabeças de chave Espanha, Alemanha, Argentina, Uruguai, Colômbia, Suíça e Bélgica, definidos pelas colocações no Ranking da Fifa de outubro. Assim, estarão divididos nos potes do sorteio Chile, Equador, Estados Unidos, México, Honduras, Costa Rica, Irã, Austrália, Coreia do Sul, Japão, Argélia, Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Camarões, Itália, Holanda, França, Portugal, Inglaterra, Croácia, Rússia, Grécia e Bósnia-Herzegovina.

De quem estará no Mundial, australianos, russos e suíços visitaram oficialmente Juiz de Fora e Matias, e teriam gostado do que viram. Até o dia 18 de dezembro, cada classificado deve sinalizar com um CTS de sua preferência. O anúncio final da base escolhida deve ser realizado até 30 de janeiro de 2014. Cada país pode indicar até três CTS (como primeira, segunda e terceira opções), sendo que terá prioridade para determinado local a seleção que demonstrar primeiro o interesse por ele. Algumas equipes já têm definidos seus locais de preparação, como o Brasil, na Granja Comary, em Teresópolis; a Argentina, na Cidade do Galo, em Vespasiano; e os Estados Unidos, no CT do São Paulo, na Barra Funda, na capital paulista.

Para atrair uma federação, a candidatura Juiz de Fora/Matias Barbosa terá que correr contra o tempo e superar dificuldades de última hora. Apesar do otimismo de quem está à frente do projeto, a situação preocupa e pode pesar negativamente na hora de alguma equipe nacional fazer sua opção pelo Village Haras Morena como hospedagem e o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio como campo de treinamento. A pouco mais de 190 dias para o início do Mundial, as obras do hotel estão atrasadas e não ficarão completamente prontas dentro do prazo estipulado, e a reforma da arena local não teve início.

 

Empresa recusa desistência de candidatura

Se na visita realizada pela reportagem da Tribuna ao Village Haras Morena, em Matias Barbosa, no primeiro semestre, o clima era de animação, na ida ao local na última semana, o ambiente era o oposto. O canteiro de obras fervilhante que viu rapidamente prédios serem erguidos e estruturas-base construídas até abril pouco mudou nos últimos sete meses. Poucos funcionários tocam as obras que sofreram uma paralisação quase total por conta de um erro, como explica o diretor-superintendente do Village Haras Morena, José Luiz Motta Magalhães.

"Tivemos um problema com relação ao esgoto dos prédios. Era ecologicamente inviável jogá-lo no lago, então tivemos que reformular o projeto, mudar alguns prédios de lugar e encontramos dificuldades em conseguir as liberações ambientais para isso, o que é necessário para obter os financiamentos públicos como o do BNDES, por exemplo. Assim, a obra está em atraso. Agora é que estamos retomando", revelou.

Magalhães já sabe que o tão sonhado hotel cinco estrelas com 72 quartos que está no projeto não ficará pronto a tempo de abrigar uma delegação antes do Mundial. Ele já comunicou o fato à empresa Match, credenciada pela Fifa, que gerencia toda a parte de hospitalidade da Copa do Mundo, mas esta não teria aceitado a desistência da candidatura local, inserida no catálogo de CTS da entidade desde sua primeira edição, em setembro de 2012, e única que conta com uma hospedaria cinco estrelas em Minas Gerais. "Já notificamos a Fifa que não terminaremos todo o hotel. Temos condições de entregar 32 quartos e os serviços como restaurantes e centro de fisioterapia e fitness. Também não teremos como aprontar o centro de convenções. Mas a resposta que obtivemos é que há alternativa, então o contrato com a Match continua em vigor."

A alternativa mais viável seria a complementação do número de 50 quartos exigidos pela Fifa e do centro de convenções em parceria com outro hotel. "O que nos explicaram é que é possível que alguma seleção se interesse em se dividir entre duas hospedagens. Segundo a Match, algumas até preferem que seus atletas e comissão técnica fiquem em um lugar mais isolado, enquanto o pessoal operacional fica em outro. Assim, poderíamos firmar essa parceria com um hotel em Juiz de Fora", acredita Magalhães.

Para viabilizar isso, entrou em campo a Secretaria de Esporte e Lazer (SEL) juiz-forana. O titular da pasta esportiva local, Francisco Canalli, já manteve contatos com a hospedaria juiz-forana credenciada junto à Fifa em Juiz de Fora para que a parceira possa acontecer. "A Match deixou claro que há como acomodar uma delegação dessa maneira. Então, já contatamos o pessoal do Premier Parc Hotel, que está cadastrado na Fifa como hotel reserva de Juiz de Fora, para que possa ser suprido o que for necessário em termos de acomodações. Acredito que isso será possível", diz o secretário.

 

Licitação para o Municipal é dispensada

Para os especialistas, como o técnico tetracampeão Carlos Alberto Parreira, que esteve em Juiz de Fora em setembro de 2012, o que mais conta na hora da escolha dos locais de preparação são as condições técnicas de trabalho. Assim, o local de treinos deve estar adequado ao alto padrão das seleções internacionais. Hoje, o Estádio Municipal Radialista Mário Helê nio está longe desta realidade e terá que ser remodelado em pontos básicos como seus vestiários e o gramado em tempo curto, já que, além de poder servir de praça de preparação para uma equipe nacional, a arena juiz-forana tem de atender ao Tupi, a partir do dia 1º de fevereiro, quando o clube faz seu primeiro jogo em casa no Campeonato Mineiro de 2014.

Com pouco menos de três meses para executar as obras necessárias, a Prefeitura conseguiu uma vitória nos últimos dias com a dispensa do processo licitatório para empregar os R$ 1.440.000 garantidos junto ao Ministério do Esporte. Assim, de acordo com Canalli, a Empresa Municipal de Pavimentação e Urbanização (Empav) vai assumir os trabalhos, e a pasta esportiva local atuará como entidade fiscalizadora. "Já tivemos uma reunião essa semana, teremos outra e passaremos à assinatura do contrato para a execução das obras nos vestiários e no gramado. A partir daí, a SEL passa a atuar como fiscal de como está o progresso dos trabalhos. Acredito que nos próximos dias sejam iniciadas as intervenções", prevê o secretário.

 

Acesso

Outros aspecto que preocupa no contexto de tentar impressionar as seleções estrangeiras é o acesso entre o Estádio Municipal e o Village Haras Morena. As estradas principais que ligam Juiz de Fora às proximidades do local – a União Indústria e a BR-040 – estão em ótimo estado. Mas um trecho de apenas 2,5km, entre o distrito de Cedofeita, em Matias, e o Village Haras Morena, é a pedra na chuteira da candidatura regional desde a início do projeto. "Foi feita uma recuperação no meio deste ano, com o empréstimo de máquinas da Prefeitura de Juiz de Fora e material comprado por nós. Mas a época de chuvas chegou novamente e, como o trecho é de estrada de chão, está novamente precário", admite Magalhães. "A solução seria o asfaltamento, mas não vejo muita vontade política da Prefeitura de Matias Barbosa", critica.

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Matias, está agendada a manutenção permanente desse trecho da estrada, mas o período é de muita demanda por conta das chuvas. Ainda de acordo com o setor de comunicação do município vizinho a Juiz de Fora, para que seja asfaltado o trecho em questão teria de haver liberação de verbas do Governo federal ou do estadual.