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Mostra Performátika ressalta questões místicas, étnicas e identitárias

Exibição virtual conta com sete artistas mineiros ligados a Juiz de Fora e vai até dia 17 de janeiro


Por Isabele Barbosa, estagiária sob supervisão de Wendell Guiducci

06/01/2021 às 07h00

Mostra Performátika ressalta questões místicas, étnicas e identitárias
Paula Duarte aborda a questão do racismo em sua fotoperformance (Foto: Paula Duarte/Divulgação)

O artista juiz-forano Noah Mancini é responsável pela Mostra Performátika, que está sendo exibida, de forma on-line, na programação virtual do Memorial Minas Gerais Vale, no YouTube. A iniciativa conta com a participação de sete artistas mineiros, que estão em Juiz de Fora ou por aqui passaram. O projeto, que começou em dezembro, continua disponível até dia 17 de janeiro.

Através da curadoria de Noah, que é formado em artes e design pela UFJF, a mostra chama atenção para questões místicas, étnicas e identitárias. “Esse projeto foi possibilitado através de um edital do Memorial Minas Gerais Vale para compor a programação virtual deles nesses tempos pandêmicos. Dentre as categorias disponíveis, inscrevi o projeto que era destinada a performance. Por já ter um trabalho enquanto curador, agitador e performer, achei que seria legal mediar outros artistas para mostrarem suas poéticas. A própria temática da exibição acho que é bem plural. Para fazer a curadoria, me guiei por artistas mineiros que possuem ou já possuíram relação com a cidade de Juiz de Fora”, explica Noah.

A recepção do público ao trabalho tem sido bem variada, de acordo com Noah. “É um mês de mostra, um tempo interessante, mas não muito longo. São diferentes vertentes poéticas que acabam atravessando mais um público do que o outro, até nos retornos mais diretos de muitas pessoas que vêm dizer o que acharam de tais vídeos ou da curadoria como um todo”, ressalta.

Artistas mineiros

Mostra Performátika ressalta questões místicas, étnicas e identitárias
Jéssica Rachel Perobelli conduz a videoperformance “Viva!” (Foto: Reprodução)

No total, a Mostra Performátika apresenta quatro vídeos e duas séries fotográficas. Entre os convidados, estão Davi Faria e Taba Tônica, Guilherme Borges, Jéssica Rachel Perobelli, Walla Capelobo (videoperformances), Augusto Henrique “Gutão” Lopes da Costa e Paula Duarte (fotoperformances). Segundo Noah, embora possuam um mote autobiográfico, são expressões bem distintas, que intercedem na vontade de falar sobre si mesmo no mundo.

“Eu pedi para que eles produzissem um trabalho em vídeo ou foto, à escolha de cada um, onde o corpo perpassasse de alguma maneira essa produção. Sabemos como a pandemia impactou os artistas economicamente e criativamente, logo procurei dar bastante autonomia criativa. Conversávamos vez ou outra sobre o processo criativo, mas a ideia foi apenas ser o canal para o que eles estivessem querendo/precisando criar no momento, de maneira que os resultados fossem bem variados”, afirma o curador.

Cada artista convidado apresenta alguma temática diferente, conforme explicou Noah. “O trabalho de Augusto, de Jéssica e de Walla, por exemplo, conversam muito quando trazem questões referentes à ancestralidade, a uma sabedoria proveniente da natureza e uma vontade de vida. Nesse paradoxo da vida, “La Potion”, que é um curta performático, aborda questões de enfermidade e cura de maneiras bem explícitas. Já o vídeo de Guilherme, através de um processo criativo da criação de esculturas, ensina sobre curas afetivas. Já a Paula Duarte, na sua série fotoperformática, já pauta paulatinamente questões contemporâneas no que se refere a epistemologias racistas”, conta. As séries fotográficas de Paula e Gutão podem ser vistas no site memorialvale.com.br/virtual/mostra-performatika/.