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Morre o jornalista e escritor Ivanir Yazbeck, aos 79 anos

Juiz-forano trabalhou em veículos da cidade natal e do Rio de Janeiro, além de ter lançado dez livros


Por Gabriel Silva, estagiário sob supervisão de Wendell Guiducci

14/12/2020 às 08h49- Atualizada 14/12/2020 às 12h49

ivanir cesar romero
Ivanir Yazbeck publicou uma dezena de livros (Foto: Arquivo/Cesar Romero)

O jornalista e escritor juiz-forano Ivanir Yazbeck morreu na madrugada de domingo (13), aos 79 anos, em decorrência de complicações de um acidente vascular cerebral (AVC). Segundo informações da família, ele era portador de câncer e estava internado no Hospital Santa Casa de Juiz de Fora há duas semanas. Ivanir atuou em diversos veículos de comunicação em Juiz de Fora e no Rio de Janeiro (RJ), além de atuar como repórter, redator e crítico de cinema.

Filho de libaneses, Ivanir iniciou carreira como jornalista no semanário “Binômio”, na década de 1960, ao lado do editor Fernando Zerlottini e dos repórteres Fernando Gabeira, Geraldo Mayrink e José Pedro Rodrigues de Oliveira. Em 1964, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no “Jornal do Brasil”, “O Globo”, “O Dia” e “Extra”, como diagramador e editor de arte. Em 1981, o jornalista voltou a Juiz de Fora para auxiliar na fundação da “Tribuna de Minas”, colaborando com a renovação do cenário comunicacional da cidade.

O juiz-forano também atuava como crítico de cinema e roteirista, sendo que, por dois anos, ele se afastou das redações para dedicar-se a escrever roteiros de teledramaturgia. Na década de 1980, tornou-se autor de seis mininovelas veiculadas pela Rede Globo no programa “Caso Verdade”.

Livros, muitos livros

Além das colaborações como jornalista e roteirista, Ivanir lançou diversos livros, sendo três para o público infanto-juvenil: “O enigma do pássaro de pedra” (1992), “Em algum lugar no céu” (1994) e “A incrível aventura de Juba e Daniel” (1996), pela Scipione. Outras produções tiveram Juiz de Fora como cenário, como: “A noite em que Jane Russell morreu” (1991/Record), “O espírito do [Largo do] São Roque” (1996/Templo), “Uma noite no Raffa’s” (2003/Templo), “Eu me lembro” (2006/Templo) e “O colunista” (2009/Alva). Ivanir Yazbeck assina também “O real Itamar: uma biografia” (2011/Gutenberg).

‘Uma renovação na imprensa de Juiz de Fora’

Colega de redação e amigo de Yazbeck, Jorge Sanglard lembra do jornalista como um importante ator na mudança de paradigma da comunicação em Juiz de Fora, com a colaboração na criação da Tribuna de Minas. “Quando o Ivanir voltou para Juiz de Fora, a primeira coisa que ele fez foi tentar renovar o quadro de jornalistas da cidade”, conta Sanglard, lembrando do trabalho conjunto entre Ivanir e o atual editor-geral do jornal, Paulo Cesar Magella, na implantação do veículo.

Entre as mudanças instauradas pela equipe do jornal recém-criado, estava um Caderno Dois publicado diariamente, novidade na época, dando publicidade contínua às iniciativas culturais de Juiz de Fora. O diagramador Ivanir Yazbeck atuou também no desenho da seção, como lembra a também colega Kátia Dias, ex-editora da Tribuna. “Ele era uma pessoa admirável sob vários aspectos. O trabalho que ele fez na Tribuna foi excepcional, foi a primeira vez que Juiz de Fora teve um caderno diário dedicado à arte e à cultura, ao registro histórico dos movimentos”, relata Kátia, que destaca também o trabalho conjunto realizado por Juracy Neves, fundador da Tribuna, e pelo jornalista Eloísio Furtado.

Kátia ainda lembra da participação de Ivanir na criação do “Jornal Panorama”, em meados dos anos 2000. “O projeto era muito emocionante, muito bonito. Infelizmente o jornal não sobreviveu, mas o projeto que o Yazbeck realizou era bastante ambicioso e bonito, esteticamente falando e em termos de conteúdo”, recorda.

Apesar de ter se mudado para o Rio de Janeiro ainda no início da carreira, Ivanir sempre manteve projetos em Juiz de Fora e fomentou o cenário jornalístico local. “Eu considero a perda do Ivanir uma das mais sentidas. Porque ele sempre buscou a renovação e a inovação, foi a grande contribuição que ele deu para a cidade”, complementa o amigo Jorge Sanglard.

Inspiração

A sobrinha Tatiana Yazbeck também lembra com carinho do tio e inspiração jornalística Ivanir. “Desde pequena, meu pai me mostrava as páginas do ‘Jornal do Brasil’ que ele diagramava”, relata Tatiana. “Meu trabalho de conclusão de curso na Faculdade de Jornalismo foi uma pequena biografia dele, e ele ficou empolgadíssimo. Mandou todo o material, enviou fotos, a gente revirou tudo.”

A documentação da carreira, inclusive, foi uma preocupação do jornalista até as últimas semanas de vida. “Antes da última internação no hospital, ele me ligou e disse: ‘eu não sei o que vão dizer de mim quando eu morrer’. E eu respondi: ‘eu tenho certeza que ninguém vai falar nada de ruim'”, encerra Tatiana.