‘Os Novos Mutantes’ estreia após mais de dois anos de adiamentos

Produção da Fox tornou-se a última do estúdio dentro da franquia X-Men, e fracassou entre público e crítica


Por Júlio Black

23/10/2020 às 07h00

“Os Novos Mutantes”, adaptação dos quadrinhos da Marvel que estreou no Brasil nesta quinta-feira (22) – quase dois meses depois que nos Estados Unidos -, tornou-se uma lenda na cultura pop devido a tantos adiamentos, a ponto de muitos acreditarem que ele jamais seria lançado. O longa de Josh Boone (“A culpa é das estrelas”) deveria ter estreado em abril de 2018, com a expectativa positiva causada pelo trailer que indicava que este seria o primeiro filme de terror no universo dos super-heróis. Mas aí a Fox decidiu adiar a estreia para fevereiro de 2019 a fim de não competir com “Deadpool”, lançado em maio de 2018, e realizar novas filmagens, e este foi o primeiro de vários adiamentos.

Um dos motivos para o “deixa pra depois” foi a negociação da compra da Fox pela Disney – o que acabou acontecendo -, e de repente ninguém sabia mais o que fazer com a produção, que foi ganhando novas datas – a última delas foi 2 de abril, mas aí veio a pandemia e a aposta passou a ser que “Os Novos Mutantes” jamais chegaria à sala escura e iria direto para o serviço de streaming Disney+, a exemplo do que ocorreu com a versão live-action de “Mulan”. Logo, foi uma surpresa enorme que o longa enfim chegasse aos cinemas mais de 30 meses depois da previsão inicial. Foi tanto tempo que “Os Novos Mutantes” tomou o lugar do péssimo “X-Men: Fênix Negra” como o último longa da franquia mutante produzido pela Fox, que ainda teve tempo se ser rebatizada pela Disney como 20th Century Studios.

Urso sem curso

Urso sem curso
Para quem não conhece, os Novos Mutantes foram criados em 1982 por Chris Claremont e o desenhista Bob McLeod para servirem como a futura geração dos X-Men, principal grupo mutante da Marvel e do qual Claremont era o roteirista há quase uma década. A ideia era que o Professor Xavier recrutasse adolescentes para treinar e compreender seus poderes, controlá-los e, no futuro, “defenderem a humanidade que os teme e odeia” – como vinha no texto de abertura das histórias dos X-Men.
O filme de Josh Boone leva para a telona um dos primeiros e mais populares arcos dos Novos Mutantes, “O Urso Místico”, que fora desenhado por Bill Sienkiewicz, com cinco dos seis integrantes da equipe original: a russa Illyana Rasputin/Magia (Anya Taylor-Joy), o norte-americano Sam Guthrie/Míssil (Charlie Heaton), a escocesa Rahne Sinclair/Lupina (Maisie Williams), o brasileiro Roberto da Costa/Mancha Solar (Henry Zaga) e a nativa americana Danielle Moonstar/Miragem (Blu Hunt).

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Longa tem inspiração em uma das mais populares fases dos Novos Mutantes, com arte de Bill Sienkiewicz (Foto: Reprodução)

Porém, aproveitaram basicamente a ideia da criatura sobrenatural, pois todo o resto da trama foi modificada. Para começar, a história não se passa na Escola Xavier Para Jovens Superdotados, e sim numa instituição hospitalar comandada pela doutora Cecilia Reyes (Alice Braga). É neste local que já estão Illyana, Sam, Roberto e Rahne, que acreditam que a médica é responsável por cuidar dos casos de mutantes mais “problemáticos” e que procuraria uma forma de ajudá-los a controlar seus poderes.
Com a chegada de Danielle, a situação foge ao controle graças aos seus poderes, que incluem ilusão telepática (pelo menos é assim que eles são definidos nos quadrinhos) e estão ligados à figura maligna do Urso Místico. Todos os pacientes passam, então, a ter que encarar seus pesadelos como se fossem reais, e tudo pode ir para o ralo de vez se Miragem for dominada ou destruída pelo Urso Místico.

Vexame
Se a expectativa pelo lançamento de “Os Novos Mutantes” foi grande nos últimos anos, o longa se tornou um dos maiores fracassos da Fox dentro da franquia “X-Men”. As críticas negativas, aliadas à pandemia de coronavírus que diminuiu o número de cinemas abertos – e com capacidade reduzida -, fez com que a produção faturasse apenas US$ 7 milhões em sua estreia nos Estados Unidos, de acordo com o site Office Box Mojo, em pouco mais de 2,4 mil salas. Quase dois meses depois, “Os Novos Mutantes” tem uma bilheteria mundial total de US$ 43,8 milhões, sendo US$ 22,8 milhões nos Estados Unidos e US$ 21 milhões nos mercados internacionais.
Talvez o vexame fosse menor se o filme tivesse ido direto para o Disney+.