Lives resgatam amor pelo futebol de mesa durante a pandemia
Transmissões ao vivo produzidas pela Federação Mineira da modalidade vêm motivando o retorno de antigos jogadores e realizando resgate histórico para botonistas

A quarentena tem deixado muita gente chateada por não conseguir retomar algumas atividades esportivas. A rotineira pelada, por exemplo, virou saudade, ao menos por enquanto, para quem anda respeitando as normas sanitárias impostas pela pandemia. Contudo, olhando pelo outro lado da moeda, a limitação de algumas práticas e o tempo a mais em casa ofereceu para alguns a possibilidade de repensar projetos e retomar paixões antigas. Este é o caso do professor Renato Baumgratz, que há 20 anos precisou dar um “até logo” para uma de suas paixões, o futebol de mesa. O campeão brasileiro e estadual, por Minas e São Paulo, da modalidade três toques, e de praticamente tudo o que disputou entre as décadas de 1980 e 1990, encarou o período de isolamento social como um momento para voltar a praticar. O empurrão que faltava foi dado por uma série de lives que vêm sendo produzidas pela Federação de Futebol de Mesa de Minas Gerais (Fefumemge), que reúne praticantes para falar sobre as histórias que cercam a modalidade, se tornando um ponto de encontro para os mais saudosos jogadores.
“Eu joguei com frequência de 1982 a 2000. Precisei parar por conta de família e trabalho. Na verdade, desanimei por muitos motivos. Mas aí ocorreu a pandemia e o Rafael Pena começou a fazer as lives. Neste período, tenho trabalhado menos e quando terminava não tinha muito o que fazer, então comecei a assistir as lives, a participar e relembrar do povo da minha época, quando poucos jogavam. Isso me motivou muito a retornar. Eu voltei a treinar na casa de um amigo que tem uma mesa, mas para mim era impensável isso antes das lives”, destaca Renato.
Rafael Pena é vice-presidente da Fefumenge e partiu dele a iniciativa da realização das transmissões no canal do YouTube da entidade. Segundo o dirigente, a falta de contato com os amigos foi a principal motivação para colocar a ideia em prática. “Reuni a direção da Federação e perguntei se eu poderia fazer uma live para estreitar a distância, matar a saudade dos amigos e utilizar o espaço como um elemento de divulgação das nossas histórias.Esse pode ser um canal para fazermos um resgate histórico, mostrar para todo mundo quem são as pessoas que jogam com a gente, como elas começaram e, nesse momento de pandemia, entreter a galera.”
Cada modalidade praticada em Minas Gerais possui uma transmissão semanal para mostrar como estão os atletas no período da pandemia, abrindo espaço para contarem suas histórias e os planos para o futuro. Nas segundas-feiras, às 20h, o canal abre espaço para a modalidade Dadinho; às quintas, às 20h, três toques (regra carioca), e aos domingos, às 15h, 12 toques (regra paulista).
Segundo Rafael, as lives estão surtindo efeito de divulgação da modalidade e já renderam frutos. “Nesse período de pandemia conseguimos abrir mais quatro polos de futebol de mesa em Minas Gerais: em Leopoldina, Governador Valadares, Campanha, Ouro Preto e uma ainda está por vir em Coronel Fabriciano.”
Entretanto, o efeito mais comemorado pelo vice-presidente da Fefumemge é a motivação que o conteúdo tem dado aos jogadores de extenso histórico para voltarem à prática. “Conseguimos trazer pessoas que estavam paradas há muito tempo para a ativa de novo. Como por exemplo o Renato Baumgratz, campeoníssimo nas décadas de 1980 e 1990. Assim como ele, muita gente que estava parada viu nas lives uma oportunidade de reencontrar grandes amigos do passado.”
Se de um lado está a felicidade de Rafael por motivar, do outro vem a gratidão de Renato pelo gesto. “Eu falo que ele e a minha esposa foram os grandes motivadores para que eu pudesse voltar a jogar, rever a galera, que é o mais legal. E poder tentar jogar em alto nível de novo. Eu vi gente que não conversava há 20 anos, e você ainda tem a possibilidade de falar com as pessoas por texto (chat). Depois da live, o pessoal de Juiz de Fora da minha época conseguiu voltar a jogar botão. Um vai ligando para o outro, motivando a voltar.”









