Inova JF: A vez das empresas sustentáveis, artesanais e locais

Tendência no mercado, empreendimentos que valorizam a produção única e o respeito ao meio ambiente ganham força e ainda garantem novas experiências ao consumidor


Por Isabele Barbosa, estagiária sob supervisão da editora Isabel Pequeno

09/09/2020 às 21h49- Atualizada 05/10/2020 às 17h46

Um clube de assinatura que fornece produtos mineiros artesanais e harmonizados durante todo o ano. Essa é a proposta do Club D’ Filó que surgiu há três anos e conquistou assinantes de várias partes do Brasil. Valorizar os produtores locais é a missão da empresa juiz-forana, que reúne itens garimpados das microrregiões de Minas Gerais. Além de proporcionar uma experiência única para seus assinantes, o clube ainda garante a divulgação espontânea de produtos como queijos, vinhos, cachaças, cafés, doces, entre outros. 

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Club D’ Filó: Clube de assinaturas com produtos artesanais mineiros (Foto: Divulgação)

Segundo a proprietária Elizabeth Magri Colodeti, o clube apoia a produção familiar. “Nós priorizamos os produtos sem conservantes e que evitam o uso de plástico. Nossas caixas, inclusive, são de palhas, com isopor reciclável, nós temos esse envolvimento com a sustentabilidade. Nossa principal função é conectar o produtor que está longe e que não tem condições de divulgar sua marca a pessoas de todo o país”, explica. “Somos um elo de ligação, nossos clientes estão em Brasília, no Sul e aqui no Sudeste. Em muitos casos, são mineiros que moram longe e que não têm acesso a esses produtos”, afirma a empresária.

O Club D’ Filó é um exemplo da valorização do produto local que ficou, mais do que nunca, em evidência durante o isolamento social. Com tantas marcas diferentes no mercado digital, o serviço que se sobressai garante clientes fidelizados.  Através do e-commerce, o atendimento e a segurança são fundamentais para gerar boas vendas. Para a especialista em marketing digital, Thalita Gomes de Oliveira, ter um relacionamento próximo do consumidor é a chave para o sucesso. “Priorizar o marketing de relacionamento, de experiência e de conteúdo fideliza e completa seu cliente. Pensar fora da caixa e diferente é fundamental, olhar para a concorrência e pensar no que fazer para ser único para seu público”, sugere.

O marketing digital é muito abrangente, mas, com um trabalho direcionado, é possível alcançar grandes números e um público maior. No Instagram, por exemplo, usando as estratégias certas, a sua marca local pode obter resultados significativos e atingir todo o país e, por que não, o mundo.

Upcycling: sustentabilidade em alta

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Mariah e Karine Habib querem colocar em prática seu projeto de moda upcycling (Foto: Acervo Pessoal)

Durante o isolamento social, bazares e brechós também cresceram e conquistaram seu espaço. Cada vez mais pessoas decidiram se desapegar de seus pertences. Passando mais tempo em casa, muitos fizeram uma verdadeira limpeza em seus guarda-roupas e dispensaram peças acumuladas. Paralelamente a esse movimento, o upcycling, que tem como princípio dar cara nova a roupas, acessórios e demais objetos usados, se fortalece como uma atividade inovadora na moda.

Com foco na sustentabilidade, a técnica permite novo olhar a peças que, muitas vezes, vão parar em lixões e aterros sanitários. As irmãs Mariah e Karine Habib, formadas em moda,  apresentaram a proposta de upcycling no trabalho de conclusão de curso (TCC) e pretendem agora colocar a teoria em prática. Segundo Mariah, o projeto reflete sobre esse consumo desenfreado no mundo da moda. “Nós ficamos muito impactadas com a quantidade de lixo que a indústria têxtil produz através de tecidos e roupas. Decidimos, então, pensar numa forma para diminuir esse exagero”, conta.

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Roupas projetadas por Karine Habib (Foto: Divulgação)

Partindo do princípio de de que tudo pode ser reutilizado e reaproveitado, os trabalhos surgiram para mudar o conceito das roupas consideradas “velhas” ou “ultrapassadas”, garantindo maior durabilidade para as peças. E, assim, o consumo se reconfigura e ajuda expandir novos horizontes. “Muita gente doa roupa para brechós com etiquetas e em bom estado, às vezes só aparece uma manchinha ou uma costura rasgada. Com o nosso trabalho, conseguimos transformar essas peças em roupas novas, valorizando ainda mais o produto”, destaca Karine. 

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Roupas projetadas por Mariah Habib (Foto: Divulgação)

A economista Fernanda Finotti enfatiza o compromisso que as marcas devem ter, principalmente, com a sustentabilidade, para fidelizar o público.  “A preocupação da empresa em ser socialmente responsável conta muito nestes novos tempos. Agora, não se trata mais de ser apenas um diferencial e sim uma característica exigida pelo mercado. Os consumidores não querem comprar de marcas que exploram mão de obra infantil, que poluam o meio ambiente e que não se importam com a população”, destaca.