MUNDO DIGITAL
O avanço tecnológico tem criado situações inusitadas no dia a dia das ruas. Os espaços públicos já não são mais tão públicos, pois há sempre a possibilidade de se estar sob vigilância. Isso é bom ou ruim? A discussão seria boa para o campo das liberdades individuais, mas esbarra nas próprias circunstâncias. A vigilância eletrônica, exercida por câmeras, tem sido um eficiente instrumento de combate à violência. Em Juiz de Fora, embora nem a metade tenha sido instalada, essas unidades já mostram serviço. Em menos de 30 horas, seis pessoas foram capturadas após praticarem delitos na área central. Foram flagradas pelo “Olho vivo”, projeto que estabeleceu como meta a implantação de 54 equipamentos espalhados por diversos pontos da cidade, especialmente nas regiões de maior concentração ou com histórico de ocorrências.
É fato que o foco, em sua maioria, são crimes contra o patrimônio, mas até mesmo outros ilícitos podem ser inibidos, uma vez que os possíveis autores podem ser identificados. O “grande irmão” tornou-se uma realidade; o que era ficção está em pleno funcionamento com o respaldo da população. As câmeras, aliás, foram uma exigência das ruas ante o cenário de insegurança que perpassa a vida nas metrópoles. Enquanto uma profunda mudança cultural não ocorre, a sociedade se ampara, cada vez mais, na tecnologia. A vigilância nas ruas e nas casas tornou-se rotina; radares eletrônicos colhem cada vez mais informações, fazendo do século XIX o limiar de um ciclo high-tech.
Ante esse cenário, aposta-se na segurança, mas é fundamental ir além da vigilância. Retomando o velho adágio “prevenir é melhor do que remediar”, é fundamental o Estado insistir em políticas de antecipação ao crime, o que implica investimentos profundos em educação, preparando as próximas gerações para um ciclo em que a tecnologia, mesmo continuando a ser um instrumento de segurança, tenha também outros importantes fins.











