Recrutamento on-line cresce em JF
A internet é uma alternativa cada vez mais procurada pelas empresas na hora de recrutar candidatos a uma vaga de trabalho. Com o aumento do acesso à web no país, o uso de redes sociais profissionais, sites de emprego e bancos de currículos online nos processos de seleção tem sido cada vez mais recorrente. Juiz de Fora segue a tendência nacional. No município, a rede tem reduzido as dificuldades de alguns setores em encontrar mão de obra, inclusive, por meio de ferramentas especialmente criadas pelas entidades para este fim, como o portal JF Empregos, projeto da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), o Sindiempregos e o grupo do Facebook "Ofertas de Emprego em JF", iniciativas do Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF).
Desde junho do ano passado, quando foi criado, até agosto deste ano, o JF Empregos contribuiu para que três mil pessoas conseguissem trabalho. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, destaca que este número pode ser ainda maior. "Não temos o feedback de todas as empresas que contratam." Ele explica que o portal surgiu para gerenciar a oferta e a demanda de empregos da região. "Nossa ideia era ter um mecanismo que aproximasse as oportunidades e os profissionais. Hoje vimos que deu certo", avalia. O portal reúne currículos de profissionais e anúncios de vagas de empresas, gratuitamente. "Nossa proposta é agregar vários serviços ao JF Empregos, a partir das demandas que forem verificadas", afirma Zuchi. No momento, os usuários já contam com o serviço de orientação curricular. Segundo o secretário, futuramente há ideia de trabalhar com a capacitação de mão de obra. De acordo com levantamento da pasta, até 31 de agosto, o portal possuía 34.844 currículos, 750 empresas cadastradas e mais de 1.600 vagas estavam sendo anunciadas.
Para auxiliar a busca por mão de obra nos setores de comércio e serviços, que hoje somam mais de 30 mil colaboradores, o Sindicomércio também recorreu à internet. Em 2009, a entidade criou o Sindiempregos, uma espécie de banco de vagas online. Por meio da ferramenta, o empresário anuncia a oportunidade de emprego, recebe o currículo dos interessados e seleciona de acordo com o perfil desejado. Segundo informações do sindicato, o banco tem 250 empresas e todas as vagas anunciadas foram preenchidas.
Já por meio do Facebook, o Sindicomércio coordena, desde 2011, o grupo "Oferta de Empregos em JF". A página possui quase 15 mil membros e recebe, em média, 30 anúncios de vagas por semana. "A ferramenta trouxe agilidade ao processo de seleção", explica a assessora de recursos humanos da entidade, Michelle Ronzani Cunha. Segundo ela, o empresário que recorre ao sindicato com a demanda de funcionários tem a vaga anunciada no grupo e, em média, uma semana depois recebe os candidatos para uma entrevista pessoalmente. "No nosso processo, há a triagem dos currículos que mais se adequam ao perfil desejado e etapa presencial, com dinâmica e entrevista", explica. Em seguida, o candidato é encaminhado para entrevista com o empresário. "A internet tem ajudado a encontrar os candidatos mais facilmente, o que acelera a seleção." A psicóloga diz que recebe em torno de 50 currículos por semana.
Perfil
Quanto ao perfil dos usuários, as estatísticas do JF Empregos mostram que, no caso do portal, a maior parte (62,61%) tem entre 18 e 29 anos. A faixa etária de 30 a 39 anos é a segunda maior parcela (22,37%). Apenas 2,68% dos currículos cadastrados são de pessoas com idade até 17 anos e 0,55%, acima de 60. Com relação à escolaridade, os maiores índices correspondem ao público que possui segundo grau completo (32,42%), está cursando o terceiro grau (17,3%) ou já concluiu o ensino superior (13,71%). Já as vagas mais ofertadas pelo portal são nas áreas de operador de telemarketing, vendedor, atendente comercial e auxiliar de produção e logística, respectivamente.
Internet reduz gastos comseleção
Realizar etapas online no processo de seleção reserva vantagens e desvantagens para empresas e candidatos, conforme avaliação da Associação Brasileira de Recursos Humanos em Minas Gerais (ABRH-MG). A diretora da entidade, Virgínia Gherard, pondera que a rede é capaz de agilizar o processo de busca das empresas por mão de obra, aumentar a abrangência regional da seleção e reduzir os custos. "A internet permite muitos encontros em um intervalo menor de tempo. Se antes o candidato teria que sair de casa e ir até à empresa para entregar o currículo, hoje ele faz isso com dois cliques. Um anúncio postado na rede recebe muitos interessados em um curto espaço de tempo", analisa. "Além de acelerar o processo de recrutamento, é possível chegar até pessoas que estão distantes. Por exemplo, a matriz de uma empresa mineira que tem filial em outro estado pode recorrer a etapas online." Desta forma, a especialista destaca que a companhia ainda terá redução de custos. "Numa situação dessas, a equipe de RH terá que fazer menos viagens", enfatiza. "Além disso, com o uso da internet há diminuição dos gastos com publicidade. Anunciar uma vaga em outros meios de comunicação é bem caro."
Em contrapartida, a especialista diz que a rede reserva algumas desvantagens. "O contato pessoal é insubstituível, pois por meio da internet não é possível conhecer a fundo um candidato. No caso de testes e provas online, o concorrente pode recorrer a ajuda de familiares e amigos. As etapas presenciais são imprescindíveis." Na visão de Virgínia, outro problema que pode ocorrer com relação ao recrutamento online é a empresa ser muito radical com os candidatos. "Há companhias que levam em consideração o que as pessoas postam em redes sociais. É preciso ter um olhar profissional para não estereotipar ninguém." Outro cuidado que ela destaca é quanto ao feedback das seleções. "Muitas pessoas reclamam que falta resposta quando se participa de um processo online. Todas as seleções requerem cuidados independente da forma como são realizadas."
Com relação aos candidatos, a especialista alerta que também é preciso alguns cuidados. "É preciso entender que tudo o que se coloca na rede deixa rastro. É importante estar atento à imagem que se transmite seja por meio do que se escreve, das comunidades e grupos que participa."
Cresce uso de ferramentas no país
No Brasil, o acesso à internet chegou à 40% das residências em 2012, conforme levantamento divulgado no primeiro semestre deste ano pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br). O percentual mostra crescimento ante ao resultado constatado no ano anterior (36%). Para especialistas, a expansão do uso da internet no país é uma das justificativas para que, cada vez mais, empresas busquem candidatos por meio da rede. E o uso da web no processo de recrutamento deve aumentar ainda mais nos próximos anos, conforme apontou pesquisa feita pelo LinkedIn.
De acordo com o estudo "Tendências Globais em Recrutamento", realizado em 19 países, a busca por candidatos pela internet aumentou significativamente nos últimos anos, e esta realidade irá se consolidar com o passar do tempo. No caso do Brasil, as ferramentas online mais utilizadas no processo de recrutamento são as redes sociais profissionais, os sites de emprego, os bancos de currículos na internet e as mídias sociais, nesta ordem.
No período de 2011 a 2013, o uso de redes sociais profissionais aumentou 28 pontos percentuais no país. Hoje, 44% das empresas afirmam recorrer a este tipo de ferramenta na hora da contratação. Já os bancos de currículos na internet tiveram crescimento de 26 pontos percentuais, alcançando 32% das companhias. No mesmo período, a utilização das mídias sociais no processo de recrutamento cresceu seis pontos percentuais, atingindo 10% dos entrevistados. Apenas os sites de emprego apresentaram queda, de cinco pontos percentuais, nos últimos dois anos. Em 2013, 35% das companhias brasileiras fazem uso deste tipo de ferramenta na hora de recrutar.
A professora e pesquisadora do Centro de Convergência de Novas Mídias da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Geane Alzamora, alerta que a expansão do uso da internet no país não garante que a rede seja democrática. "O acesso à web cresceu exponencialmente nos últimos anos, chegando a diferentes regiões do país e por meio de plataformas diversificadas. Mas ela ainda é excludente." Para a especialista, as empresas não devem substituir a seleção presencial por etapas exclusivamente online. "O uso da internet pode substituir o processo de triagem dos currículos. Mais do que isso pode prejudicar a contratação. O contato presencial é primordial para conhecer o candidato."











