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Hortifrútis sobem até 200% na cidade


Por Fabíola Costa

17/05/2011 às 07h00

Ao longo deste ano, os hortifrutigranjeiros subiram até 200% em Juiz de Fora. O índice tem por base a comparação dos preços praticados ontem e os valores de venda da terceira semana de janeiro (dia 20). A manga (207,69%), o maracujá azedo (200%), o morango (140%) e o pimentão verde (100%) lideram o ranking. Dos 47 produtos comercializados pela CeasaMinas Juiz de Fora, 20 tiveram reajuste de preços, 17, queda e dez mantiveram-se estáveis no período. As reduções mais expressivas foram encontradas em tangerina (63,78%), chuchu (62,50%), batata doce (37,50%) e mamão formosa (36%). A variação média da cesta foi de 8,75% nos últimos cinco meses.

Segundo o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Juiz de Fora, Domingos Frederico Netto, em função do impacto das chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro, os juiz-foranos acompanharam escalada de preços no início do ano. Nos últimos meses, houve readequação dos valores ao mercado. A tendência, agora, é de estabilidade durante o outono-inverno. De acordo com o presidente, cerca de 70% do mercado local é abastecido por verduras de folha e legumes produzidos nas cidades fluminenses. A oferta, segundo ele, já está regularizada.

As últimas pesquisas da Ceasa apontam nesta direção. Na comparação entre os dias 5 e 12 deste mês, 30 dos 47 itens comercializados estão com os custos inalterados. Além disso, doze mercadorias ficaram mais baratas e apenas cinco apresentaram alta de, no máximo, 33%. A Ceasa, por meio de sua assessoria, avalia que, tradicionalmente, os preços dos hortigranjeiros começam a ceder a partir de abril e maio, em função da melhoria das condições climáticas nas regiões produtoras. Outro fator importante é a safra de algumas mercadorias, como tangerina, limão e laranja. Em Juiz de Fora, os produtos caíram, respectivamente, 63,78%, 16,67% e 15% este mês, na comparação com o início do ano.

Domingos adverte que, neste período, alguns produtos podem perder qualidade. É o caso, por exemplo, das verduras de folha, mais sensíveis ao tempo, podendo "queimar" se houver geadas. A ocorrência ou não de chuvas também pode interferir no mercado. Frutas da época, como o mamão, que ainda estão em queda – 36% (formosa) e 22% (Havaí) – podem ser reajustadas. "Baratear não vai", aposta, destacando a necessidade de os produtores cobrirem os custos de produção.

Pressão

De acordo com relatório divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o preço de hortaliças e legumes subiu 7,89%, pressionando o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S). Na segunda prévia do mês, divulgada ontem, o índice aumentou 1,09% até a semana encerrada em 15 de maio, taxa maior que a apurada no IPC-S anterior, quando a alta foi de 1,05%, considerando o período até o dia 7. Nesta semana, segundo a FGV, as principais pressões partiram dos grupos de despesas com alimentação (de 1,26% para 1,52%). Os destaques ficaram com hortaliças e legumes (de 5,77% para 7,89%), frutas (de 0,12% para 0,33%), laticínios (de 2,72% para 2,84%) e alimentos prontos e congelados (de 1,05% para 1,26%).