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Natal: oportunidade para conseguir renda extra


Por FABÍOLA COSTA

18/12/2011 às 07h00

O final do ano, especialmente o Natal, é uma boa oportunidade de negócios, e cada vez mais juiz-foranos estão descobrindo e investindo nesse filão de mercado. Motivos não faltam. Além da maior predisposição para o consumo, há mais recursos disponíveis, em função, principalmente, do pagamento do 13º salário. Nesta época também costumam aflorar necessidades por serviços e produtos postergadas ao longo do ano. Enquanto a maioria pensa nos presentes, há quem arregace as mangas para fazer a ceia, a decoração e a alegria da criançada. Estes empreendedores trabalham para dar forma ao Natal dos outros, mas, nem por isso, deixam de comemorar a data, cada um à sua maneira.

O empresário Wagno Gaudio é um desses profissionais. Ele assina a decoração natalina da maioria das vitrines de lojas e shoppings da cidade. Só este ano, já realizou mais de dez projetos. Cada um chega a custar entre R$ 30 mil e R$ 150 mil. "Eu posso ficar o ano inteiro à toa", brinca. Poderia, mas não fica. O empresário assina em março os contratos para o Natal. A partir daí, tem início uma zmaratona em busca de novidades para o setor. A montagem propriamente dita pode durar até uma semana e é dividida com uma equipe formada por cerca de 30 profissionais, entre eles artista plástico e costureiras. A 13 dias para o Natal, Wagno já entregou a maioria dos trabalhos.

Enquanto a tarefa de Wagno, este ano, está acabando, o da professora de culinária Cida Gomes mal começou. Até agora, ela já tem mais de 50 ceias contratadas para Natal e Ano Novo. Como se não bastasse, vai fazer a refeição da própria família. No cardápio, Cida oferece a ceia tradicional com peru, rabanada, arroz de forno, farofa e maionese, mas, de acordo com o gosto, há espaço para bacalhau à moda da casa, rabanadas ao creme de banana e torta de nozes com recheio de damasco. As encomendas são para cinco a 200 pessoas, e o custo varia de R$ 27 a R$ 60 por pessoa. Cida, que trabalha com culinária o ano inteiro, avalia que o final de ano é uma época de muita procura. "As pessoas não têm mais tempo para fazer, e há aquelas cansadas do fogão, que querem experimentar coisas novas." Cida divide a tarefa de preparar as ceias com os alunos que se destacam no curso de culinária. A aula desta semana foi oportuna: bolo decorado, com a imagem do Papai Noel. "No curso, ensino que, na cozinha, é possível criar o próprio negócio e ganhar dinheiro para ajudar na renda, como é o meu caso."

Este mês, o universitário Marcelo Portela, 23 anos, trocou os livros de enfermagem pela roupa vermelha, as botas pretas e a longa barba branca. Foi convidado para ser Papai Noel, aceitou o desafio e está adorando. Não conta quanto recebe pelo ofício, mas afirma que é um bom valor, que será investido nos seus estudos. Marcelo não se incomoda com o calor da roupa, nem com o peso da barba. "Pretendo repetir a experiência, se tiver outras oportunidades."

As gêmeas Emília e Camile Dolatesi Ferreira estavam desempregadas e conseguiram uma vaga temporária como ajudantes do "bom velhinho". Também não falam em cifras, mas garantem que o ganho extra ajuda – e muito. Emília e Camile estão gostando da experiência e atuando, de alguma forma, na área em que escolheram. A primeira se formou em pedagogia e adora o convívio com crianças. A segunda pretende atuar como fotógrafa profissional. As irmãs dizem que o trabalho não é cansativo. "Os pais ficam mais estressados que os próprios filhos", atestam.

O técnico microrregional do Sebrae, Marcelo Rother, destaca que o consumidor tem predisposição para adquirir produtos nesta época do ano e realizar projetos, como preparar a casa para receber a família, comprar presentes e revisar o carro para viagem de férias. O 13º salário, avalia, garante fôlego para assumir despesas relegadas durante o ano. Na sua opinião, os empreendedores que estiverem antenados podem se beneficiar dessa demanda reprimida, descobrir um filão do mercado e ganhar clientela. "O consumidor está disponível. O empreendedor atento precisa se antecipar para oferecer o que o cliente está esperando encontrar."

De acordo com Rother, o final de ano abre oportunidades em áreas como organização e decoração de casa, serviços automotivos, beleza e estética feminina. "Os empreendedores precisam reconhecer as possibilidades, avaliar o perfil de negócio em que se encaixa e utilizar a sua expertise (competência)." Rother adverte que, diante da procura, algum profissional vai atender essa demanda. "Se ele não fizer, outros farão." O técnico do Sebrae destaca a importância de conhecer o consumidor para atraí-lo e cativá-lo. A pontualidade na oferta do serviço é um diferencial importante na conquista de clientela, e a regra vale para o ano todo, não só o Natal. "É preciso ser proativo."