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JF deve ter condomínio com 25 empresas de alimentação


Por Fabíola Costa

23/11/2011 às 06h00

APL de móveis de Ubá reúne 350 empresas que mantêm cerca de 13 mil empregos diretos

APL de móveis de Ubá reúne 350 empresas que mantêm cerca de 13 mil empregos diretos

A indústria de alimentos se organiza e sai na frente, perseguindo o objetivo se tornar o primeiro Arranjo Produtivo Local (APL) de Juiz de Fora. Caso a meta seja atingida, pela primeira vez, haverá um condomínio de empresas de um mesmo ramo de atividade. Juntos, física e estrategicamente, estes negócios buscam ganhos em logística, produtividade, visibilidade e competitividade. O projeto foi idealizado pelo Sindicato das Indústrias de Alimentação de Juiz de Fora no ano passado. Na fase atual, estão em análise as formas de financiamento para a obra, o local e o modelo de gestão a ser adotado.

A ideia é reunir em um mesmo condomínio empresarial cerca de 25 empresas do ramo, 12 já estariam comprometidas com o projeto. A prioridade são as micro e pequenas da cidade. O início das obras é esperado para 2012, e a data de inauguração não foi divulgada. Apesar da existência de aglomerações produtivas importantes na cidade, entidades como Fiemg Regional Zona da Mata, Sebrae e Centro Industrial, não as reconhecem como APLs.

A motivação, segundo o sindicato, deve-se à constatação de que grande parte das empresas de alimentação está mal localizada, impactando na produção. Daí a intenção de elaborar um projeto para melhorar as condições de produção, logística e venda. "Paralelo a isso, sabemos que a Prefeitura tem o plano de desenvolver cinco setores de grande potencial na cidade e um deles é o de alimentação", disse a entidade, por meio de sua assessoria. Os ganhos esperados são crescimento do setor, reconhecimento das marcas instaladas e visibilidade para a cidade por meio do condomínio.

Para o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, não existem APLs em Juiz de Fora. Na Zona da Mata, identifica o modelo em três cidades: Ubá (indústria do mobiliário), São João Nepomuceno e Muriaé (vestuário). Para a formação de um APL, explica, são exigidos organização em cadeia produtiva e reconhecimento por Ministério da Indústria e Comércio e Secretaria da Indústria e Comércio, permitindo contar com recursos governamentais. Campolina identifica potencialidade de APL nos setores de meias e confecção em Juiz de Fora, mas pondera que a característica dos negócios locais é diferente ante a de outros polos. "Nossas empresas têm perfil e público-alvo muito diferentes uma das outras. Isto dificulta bastante."

O presidente da Fiemg avalia que o APL facilita o processo de compra e venda do grupo. "Não é solução, mas ferramenta para facilitar o trabalho em conjunto." Entre os requisitos para a organização, enumera existência de uma cadeia produtiva, fornecedores e comercializadores, além de qualificação de mão de obra e busca pela qualidade dos produtos. "O APL é voltado especificamente para um setor só, variando conforme a vocação da região."

 

Sebrae aponta potenciais da cidade

O analista do Sebrae Macro Região Leste, João Paulo Palmieri, identifica aglomerações produtivas potenciais em Juiz de Fora que podem levar a bons resultados no futuro, "desde que existam entidades e empresários com atitude e vontade de buscar inovações". Palmieri destaca a tradição do polo têxtil confeccionista e o crescimento de setores, como alimentação, metalmecância, agências de publicidade e propaganda, produção de cerveja artesanal, bovinocultura de leite e turismo de negócios. O analista cita estudos, previstos para o início de 2012, sobre o comércio varejista no Centro que, segundo ele, perdeu força com a chegada dos shoppings. A meta é instaurar um projeto piloto que, se bem-sucedido, pode ser expandido para outras regiões. "Queremos aumentar a competitividade desses comerciantes." Palimeri explica que o arranjo produtivo é multifacetado, articulado e tem uma governança estabelecida. "Quando há o mesmo mercado de interesse, consegue-se trabalhar de forma organizada pensando num polo produtivo capaz de atingir grandes clientes e compradores."

O coordenador do Centro Industrial, Antônio Flávio Luca do Nascimento, explica que a diferença de APL para aglomeração produtiva é que, no segundo caso, as empresas não contam com organização, nem processo de liderança. "Não há uma ação fortificada, direcionada, pensada como uma solução para aquele segmento, cuja aglomeração surgiu naturalmente." Para o economista, por meio do APL, é possível desenvolver ações de alto poder competitivo, como central de compras e vendas, consórcio de exportação e marca única. "As empresas unidas, conscientes e organizadas pensam juntas e, com o tempo, criam referência na cidade, no estado e no país." Na avaliação de Antônio Flávio, o APL é a única forma possível para que micros e pequenas possam competir com as médias empresas e o mercado externo.

 

Arranjos produtivos impulsionam cidades da região

Em Muriaé, a tradição das avós de costurar lingeries bordadas à mão motivou a abertura de empresas, a criação de um polo produtivo e o reconhecimento como APL em lingerie noturna por Fiemg e Centro Industrial. As empresas parceiras, cerca de 50, acostumadas a atender um raio de 300 quilômetros, hoje vendem seus produtos para várias partes do país. Algumas até exportam. "Os horizontes se abriram", considera o delegado da Regional Muriaé do Sindicato da Indústria do Vestuário de Minas Gerais (Sindivest), Sérgio Belmont Peixoto. A estimativa é que o segmento responda por 35% do Produto Interno Bruto (PIB) daquele município.

Sérgio comenta que o APL foi criado em 2005, quando começou o trabalho de fortalecimento da marca Muriaé, divulgada em um site coletivo de vendas pela internet. "Todos sabiam que a cidade produzia roupas para dormir, mas era preciso criar um nome capaz de agregar valor." No município, foi criado um Centro de Desenvolvimento de Moda, em que estão reunidas entidades parceiras e acontecem ações, como treinamento e qualificação de gestores e mão de obra. "O intuito do APL não é desenvolver só o setor de vestuário, mas a cidade como um todo." Para o delegado regional, manter um arranjo produto é um desafio diário. "Associar é muito diferente de juntar pessoas. É preciso criar esse pensamento coletivo, o mais difícil."

No APL de São João Nepomuceno, as cerca de 200 empresas parceiras da cidade e municípios próximos, como Guarani, Descoberto e Bicas, decidiram se unir depois que as vendas para grandes magazines despencaram, há mais de dez anos. "Aprendemos pela dor a mudar e melhorar o nosso produto, treinar pessoas, fazer cursos de gestão e nos organizar", lembra o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário, José Roberto Schincariol. Pelas suas contas, o APL emprega cerca de oito mil pessoas de forma direta e indireta e vende produtos principalmente para Rio de Janeiro e São Paulo. Apesar de terem desenvolvido um projeto exportador com marca própria (Nep500), a ação foi interrompida, pela dificuldade de vender outros produtos que não commodities. Schincariol avalia que, se não fosse o APL, a maioria das empresas não estaria ativa hoje. "Talvez umas oito ou dez. Não 200."

Em Ubá, o APL reúne 350 empresas, mantém cerca de 13 mil empregos diretos e comercializa seus produtos, principalmente móveis contemporâneos em MDF e MDP para todo o país, especialmente para as regiões Sudeste e Nordeste, e exterior. Segundo a gerente executiva do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá (Intersind), Heliane Martins de Souza Hilário, o arranjo foi constituído na década de 1980, espontaneamente, a partir do agrupamento de negócios do ramo. Em 2002, teve início o trabalho integrado com entidades parceiras. Esta metodologia da união levou o APL de Ubá a ser considerado um dos onze arranjos prioritários pelo Governo estadual. "Mesmo concorrentes, as empresas têm os mesmos interesses e as mesmas dificuldades, fazendo com que se unam, apesar da estratégia de mercado de cada uma."