Alta de alimentos não dá trégua a juiz-forano

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Adicionar Tribuna de MinasA alta de alimentos este ano não está dando trégua para os juiz-foranos. A pressão no bolso do consumidor tem sido constante desde janeiro, com reajustes significativos de produtos como hortifruti, carnes, grãos e lácteos (ver quadro). Segundo dados do IBGE, a elevação do grupo alimentos na inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já chegou a 6,43% no acumulado deste ano até setembro, aproximando-se do aumento verificado durante todo o ano de 2011, quando foi de 7,18%. Nos últimos 12 meses até setembro, a alta acumulada nos alimentos é de 9,51%.
Entre setembro e outubro, quem comprou itens como frango, arroz e apresuntado percebeu altas de até 28%. Nos supermercados da cidade, os juiz-foranos estão se virando como podem para tentar driblar a situação. A dona de casa Sílvia de Melo diz que está assustada com os preços. "O pó de café foi para mais de R$ 7. O arroz a gente achava por R$ 5,99, agora só acha para cima de R$ 7." Para não pesar no orçamento, ela conta que precisa se virar na cozinha. "Faço menos arroz e mais macarronada, que fica mais em conta. O feijão subiu bastante e, para render, a gente acaba colocando mais água na comida ou bate no liquidificador. Precisamos de criatividade para cozinhar", conta."
O bruto (da cesta básica) subiu demais, como o arroz e o fubá. O óleo também encareceu. O jeito é comprar quando tem promoção", conta a dona de casa Maria do Carmo Stersi. O preço do tomate é a principal reclamação do pizzaiolo Sebastião Luiz Pinto. "Uma hora está custando R$1,99 e quando volto no dia seguinte, já acho por R$ 6,99. A farinha de trigo também teve uma alta razoável. Como trabalho com pizzas, costumo comprar os produtos em pequenas quantidades até encontrar ofertas mais em conta."
A pesquisa de preços tem sido a arma do comerciante Augustinho Rezende Barbosa. "O açúcar e o arroz estão mais caros. Com a muçarela, o bicho pegou, subiu demais. O que faço é pechinchar, indo de mercado em mercado para ver os preços. A gente tem que ter uma estratégia, senão não sobrevive", revela .


Fim de ano
A má notícia é que os preços mais salgados vão continuar castigando o orçamento doméstico. Segundo o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, disse à Agência Estado, "o grupo alimentação e bebidas no IPCA deverá ter altas ainda fortes, mas abaixo da variação de setembro porque outros produtos tendem a recuar". Para ele, o complexo carnes, no qual predomina a carne bovina, subiu 2,27% em setembro ante 0,69% em agosto e deve subir mais. Para outubro, o economista projeta uma inflação de 0,50% pelo IPCA e uma taxa fechada no ano de 5,40%, que, se for confirmada ultrapassará, em 0,90 ponto percentual o centro da meta inflacionária de 4,50% em 2012.
O economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal, concorda com Romão. "O grande vilão nesse fim de ano será o complexo carnes. É ele quem vai continuar pressionando a inflação. Agora é entressafra de bovinos. O aumento da carne acaba puxando também os preços de frangos e suínos, que são produtos substitutos", previu Leal à Agência.









