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Economia solidária gera trabalho e renda


Por Flávia Lopes

14/10/2011 às 07h00

Feira na Praça do Riachuelo reúne 76 produtores de 16 municípios de MG

Feira na Praça do Riachuelo reúne 76 produtores de 16 municípios de MG

Inovadora alternativa de geração de trabalho e renda, além de importante ferramenta a favor da inclusão social, a economia solidária, que inclui artesanato e agroindústria familiar, tem se destacado no desenvolvimento regional da Zona da Mata. Em todo o estado, a Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego (Sete) estima que o ramo de atividade seja responsável por aproximadamente 5% da economia mineira. Segundo o secretário-adjunto da Sete, Hélio Rabelo, esta estimativa é feita a partir de feiras realizadas no estado. "Estamos trabalhando em uma pesquisa para oficializar e colocar estes números no papel. A partir daí, vamos criar iniciativas para incentivar o segmento, que pode representar de 10% a 15% da nossa economia."

Para estimular essas ações, a Sete realiza em Juiz de Fora a Feira Regional da Economia Popular Solidária, que começou ontem e vai até amanhã. Quem comparecer à praça do Riachuelo (em frente ao Santa Cruz Shopping), até o próximo sábado, terá a oportunidade de conhecer o trabalho realizado por 76 produtores de 16 municípios do estado. A previsão do secretário adjunto é que a feira movimento uma média de R$ 1.500 por estande durante os três dias.

Segundo Rabelo, a economia solidária é hoje um dos segmentos que mais crescem no Brasil e no mundo. Para ele, as feiras são uma das formas de o Estado fomentar o setor, que é importante para a população de baixa renda. "Em geral, a maioria deste segmento é formado por mulheres de baixa renda que são arrimos de família."

Na cidade, somente a Associação de Produtores Rurais da Agroindústria Familiar de Juiz de Fora (Agrojuf) estima uma faturamento médio mensal de R$ 1.600 para cada um dos 38 produtores que integram o grupo. Segundo o presidente da Associação Regional de Produtores Rurais e Feirantes da Agroindústria Familiar Artesanal de Alimentos (Agrofar), Wander do Nascimento Ferraz, os produtores associados, que comercializam seus produtos na feira do Parque Halfeld (às quintas-feiras) e no espaço do Terminal Rodoviário Miguel Mansur obtiveram bom faturamento no ano passado com a comercialização nesses espaços. Uma das associadas é Rita Aparecida Resende de Oliveira, que atua na produção de pães, bolos, biscoitos e doces. Entre as novidades apresentadas na feira estão os alimentos de araruta. "Iniciamos o plantio da araruta no ano passado e este ano estamos utilizando na brevidade. A saída tem sido boa, e vamos criar também biscoitos de araruta."

 

Sustento para 120 famílias de JF e região

Segundo a coordenadora do Fórum Regional da Zona da Mata, Maria Geralda Souza Lopes, há representantes da Zona da Mata, além de Vertentes, Região Metropolitana de Belo Horizonte e Norte de Minas. "A economia solidária vem se mostrando como um importante vetor para o desenvolvimento regional em muitas localidades."

De acordo com o formador da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP/UFV), Heitor Alves de Oliveira, atualmente 120 famílias da Zona da Mata estão associadas à ITCP. "Em geral, a maioria dos cadastrados tem economia solidária sua fonte de sustento. Ainda segundo ele, as feiras são oportunidades para que os artesãos e produtores tenham maior visibilidade e façam contatos entre si. "Esses eventos acabam fortalecendo o associativismo e cooperativismo."

O Quiosque de Artes e Ofícios, que reúne 60 artesãos de Tabuleiro além de 50 alunos integrantes do programa Projovem no município, trouxe à feira doces, telas, panos de prato e colchas, entre outros produtos. Segundo a representante da associação, Rosilene dos Santos Batalha, os artesãos chegam a receber uma média de R$ 850 por mês com os itens vendidos. "Muitas famílias fazem do artesanato sua fonte de sustento." Para a associada ao Bangalô das Artes, Maria do Carmo Ferreira Borges, a maioria das oito famílias que integram a associação vivem do que recebem em feiras. "Participamos de eventos em Viçosa, Dona Eusébia, Astolfo Dutra. As vendas são sempre positivas."

A família de Rafael Carlos Portela, da associação Recriarte, de Recreio, consegue cerca de um salário mínimo por mês para complementar a renda que ele ganha como funcionários público na prefeitura do município. "Minha esposa e minha filha se dedicam ao trabalho e complementam a renda em casa." A Feira Regional da Economia Popular Solidária acontece até amanhã na Praça do Riachuelo (em frente o Santa Cruz Shopping). Hoje, o público poderá conferir os produtos entre 9h e 20. Amanhã, a feira funciona das 9h às 16h.