Livro, música, filmes e séries para curtir em casa
Redação da Tribuna dá dicas culturais para quem pode ou precisa ficar em casa por causa da epidemia; vários canais e operadoras resolveram abrir o sinal para os assinantes ou não
A pandemia do coronavírus é um risco real e imediato. O Brasil já está com centenas de casos confirmados, teve a primeira morte por causa da Covid-19, e governos, empresas, indústiras, todo mundo precisa se adaptar à nova realidade, mesmo que temporária. Escolas e universidades fecharam na cidade, o mesmo acontecendo com museus, casas de espetáculos, teatros, quem pode já está trabalhando no esquema de home office, outros em quarentena, a recomendação é ficar em casa o máximo possível.
A questão, então, passa a ser: o que fazer no interior do lar para passar o tempo? Para quem é cliente de TV por assinatura, vários canais e operadoras resolveram abrir o sinal para os assinantes. A Disney, por exemplo, está com todos os seus canais – Fox, canais ESPN, FX, Nat Geo Kids, entre outros – disponíveis para todos os assinantes em todas as operadoras. O mesmo acontece com os canais Telecine, de filmes. A operadora Net disponibilizou todos os seus canais, enquanto a Oi liberou pelo menos dez canais, entre eles AXN Brasil, Sony Channel e Paramount. A Sky, por sua vez, liberou o sinal de cerca de 70 canais, dentre os quais estão BBC, Cinemax, Discovery e Globonews. Na parte do streaming, o Globoplay liberou para os não assinantes parte de seu portfólio, e algumas operadoras de internet aumentaram a velocidade fornecida aos clientes temporariamente.
A equipe da Tribuna também se adaptou à nova realidade, e por isso parte do nosso time aproveita para sugerir aos leitores algumas opções de lazer. São filmes, seriados, livros (que podem ser comprados pela internet, vale dizer, tanto no formato físico quanto digital), discos (idem ou pelo streaming) e toda sorte de opções para ajudar a passar o tempo nesses dias de coronavírus.

Festival Bong Joon-Ho
Júlio Black Repórter
Depois que “Parasita” fez história ao se tornar a primeira produção não falada em inglês a levar o Oscar de melhor filme – além dos prêmios de direção, roteiro original e filme internacional -, não faltou gente correndo para o cinema a fim de assistir ao longa do diretor sul-coreano. A turma que não resume sua vida cinéfila aos blockbusters e às repetitivas comédias nacionais já conhecia o trabalho do cineasta, e agora pode ser a chance de o público em geral ir além de “Parasita”, pois três longas de Bong Joon-Ho estão nas plataformas de streaming.
“O Hospedeiro” e “Okja” estão no catálogo na Netflix. O primeiro, lançado em 2006, colocou o nome do diretor na praça e mostra os esforços de uma família para resgatar a filha de um deles, sequestrada por um monstro mutante comedor de gente; o outro é de 2017 e tem como protagonista a garotinha que tenta salvar uma espécie de porco gigante criada por uma corporação do mal, que planeja fazer do bicho o prato principal de todo mundo. Este tem no elenco Tilda Swinton e Jake Gyllenhaal, entre outros, enquanto “O Hospedeiro” tem Song Kang-Ho, o patriarca da família pobre de “Parasita”.
E temos ainda “Expresso do amanhã”, de 2013, que está no Prime Video com seu título em inglês, “Snowpiecer”. O longa tem Chris Evans como protagonista e é a adaptação de uma graphic novel francesa, que mostra um mundo em eterna era glacial e com o que restou da humanidade sobrevivendo em um trem em eterno movimento, com os vagões servindo de metáfora para as divisões de classe que temos no mundo real.

Podcasts literários
Mauro Morais Repórter
Quase uma traça, sou aficcionado por livros e, principalmente, por novos títulos. Obviamente, não consigo ler tudo. Mas tenho me informado sobre o universo literário com os podcasts, em sua maioria das próprias editoras, como o Rádio Companhia, da Companhia das Letras, que debate clássicos, entrevista autores e anuncia lançamentos em programas semanais. Já o Quarta Capa, com episódios mensais produzidos pela Editora Todavia, privilegia um título recém-lançado e esmiuça a obra, como o excelente programa dedicado à biografia de Raul Seixas “Não diga que a canção está perdida”, de Jotabê Medeiros, que conta um monte de curiosidades sobre o Maluco Beleza. Também ouço, quinzenalmente, o 451 MHz, da Revista
Quatro Cinco Um, uma das principais publicações sobre literatura do Brasil. Apresentado pelo editor Paulo Werneck, o 451 é um podcast tão múltiplo quanto aprofundado, comprometido não só com o que chega às prateleiras, mas, principalmente, o que desenvolve o pensamento. Todos esses podcasts se encontram nas principais plataformas do gênero e podem ser baixados gratuitamente, diferentemente do Storytel, um aplicativo pago que disponibiliza audiolivros e acaba de lançar “Mulher Maravilha”, sua primeira produção própria. Escrito pelo jornalista Chico Felitti, que ganhou projeção nacional com o perfil do personagem mítico conhecido como Fofão da Augusta, o audiolivro conta, em 11 episódios, a história de Elke Maravilha, uma mulher tão exuberante quanto coerente, que fez de sua vida um tratado de exotismo. Prestes a lançar “A casa”, livro sobre a seita do médium assediador João de Deus, Felitti narra a história de Elke de maneira fluída e envolvente. Ouvi em menos de uma semana, no trânsito, em atividades domésticas, durante as refeições. Esse é o grande mérito de aplicativos desse gênero e dos podcasts, serem companhias enquando estamos parados ou em movimento.

Filmes clássicos no YouTube
Wendell Guiducci, Editor
A quarentena é uma boa oportunidade para conhecer alguns filmes clássicos que estão disponíveis gratuita e legalmente no YouTube. Digitar o nome “Metropolis” é suficiente para conhecer a obra-prima de Fritz Lang, ou “Nosferatu”, para o célebre filme de vampiro de F. W. Murnau, estrelado por Max Schreck. Mas há um caminho mais fácil para pesquisar: o canal Public Domain Movies, no YouTube, oferece uma lista com vários filmes clássicos que já caíram em domínio público e estão disponíveis para serem assistidos, alguns inclusive em versões restauradas em alta definição. Embora não forneça legendas em português, o canal serve como um bom guia: escolhido o filme, se você não domina a língua original do título em questão, dê uma vasculhada no próprio YouTube e muito provavelmente você encontrará uma versão devidamente legendada.

“Ninguém nasce herói”, Eric Novello
Renan Ribeiro, Repórter
O livro é uma narrativa distópica que acontece em São Paulo, com as consequências da chegada de um líder fundamentalista religioso ao poder. Nesse cenário, um grupo de jovens tenta articular ações de conscientização contra o Governo. Eles distrubuem livros que foram proibidos em praça pública e precisam arranjar meios de desviar a atenção da polícia. Ao mesmo tempo, eles também precisam se resguardar das ações extremistas das milícias urbanas. As dificuldades do convívio dão um choque em quem lê. O enredo, no entanto, é permeado pelas catarses criativas do personagem central do romance, que se autonomeia Chuvisco, o que pinta as situações com os tons dos quadrinhos, dos quais ele é fã.

The Good Place
Rafaela Carvalho, Editora
A série The Good Place, da Netflix, é uma das melhores comédias que assisti nos últimos tempos. A trama mistura humor sagaz e questões existenciais sobre a vida após a morte, e os personagens nos fazem questionar sobre a linha tênue entre ser uma pessoa boa ou ruim. Quer saber se você vai para o Bom Lugar ou para o Mau Lugar depois de morrer? Essa é a sua série. (Ps.: Alerta! São quatro temporadas com poucos episódios de 20 e poucos minutos. Cuidado para não fazer como eu e devorá-los em poucos dias)

“Anne with an E”
Regina Campos, Editora
Adoro maratonar por séries. As de época, que tratam das relações humanas, são as minhas preferidas. Indico “Anne with an E”, série canadense em cartaz na Netflix. Baseada no livro de 1908, “Anne de Green Gables”, de Lucy Maud Montgomery, conta a história de Anne Shirley, uma órfã adotada por engano por um casal de irmãos que, na verdade, queria um garoto para ajudar nas atividades da fazenda. A alegria da menina, que usa a imaginação para sobreviver à vida dura de um orfanato, é contagiante.
Anne é uma heroína perfeitamente imperfeita e, muitas vezes, causa problemas a si mesma ao abusar das fantasias que cria para driblar a rejeição. A atriz Amybeth McNulty, que interpreta Anne dos 11 aos 16 anos, vale, por si só, o sucesso da série. Em novembro do ano passado, a Netflix anunciou que a terceira temporada seria a última. Inconsolados, os fãs iniciaram no Twitter uma campanha pedindo a continuidade da produção, e a #renewannewithane acumulou mais de quatro milhões de tweets em apenas uma semana. Se haverá a quarta temporada, ainda não sabemos, só sei que vale muito a pena acompanhar as três que estão disponíveis.

“Letrux aos prantos”, Letrux
Renan Ribeiro, Repórter
A quarentena é uma boa oportunidade para conhecer alguns filmes clássicos que estão disponíveis gratuita e legalmente no YouTube. Digitar o nome “Metropolis” é suficiente para conhecer a obra-prima de Fritz Lang, ou “Nosferatu”, para o célebre filme de vampiro de F. W. Murnau, estrelado por Max Schreck. Mas há um caminho mais fácil para pesquisar: o canal Public Domain Movies, no YouTube, oferece uma lista com vários filmes clássicos que já caíram em domínio público e estão disponíveis para serem assistidos, alguns inclusive em versões restauradas em alta definição. Embora não forneça legendas em português, o canal serve como um bom guia: escolhido o filme, se você não domina a língua original do título em questão, dê uma vasculhada no próprio YouTube e muito provavelmente você encontrará uma versão devidamente legendada.

The Office (US)
Rafaela Carvalho, Editora
Disponível no Globoplay, é uma série de comédia que se passa em um escritório de suprimento de papel e que retrata situações que todo mundo que trabalha em um escritório, com certeza, já passou. O elenco é composto por um chefe sem noção (mas com bom coração) e por funcionários de todos os tipos. Também tem muitas piadas inteligentes e uma pitada de romance.









